Os corpos negros espalhados pelo chão diante da maior chacina da história do Rio de Janeiro são um retrato do profundo racismo da extrema direita. Revelam a face mais violenta de um Estado capitalista que se fundou sob 400 anos de genocídio dos povos originários e escravização do povo negro. Castro, Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e toda extrema direita são capachos de Donald Trump, subservientes a sua política imperialista e racista contra a América Latina e os imigrantes nos EUA. Eles representam os herdeiros da Casa Grande: os capitalistas que lucram com o sangue e suor da classe trabalhadora e do povo negro.
Mas a classe dominante racista também tem seus representantes no governo da Frente Ampla, que governa conciliando com os patrões e a direita, mantendo as reformas neoliberais e as privatizações. Não podemos ter nenhuma ilusão de que a nossa luta vai ser pela via de ministérios da Frente Ampla ou de instituições, como o STF, que sempre vê classe, raça e gênero na hora de julgar contra os direitos dos trabalhadores, das mulheres e do povo negro. Foi essa justiça burguesa quem devolveu Sonia para a casa do desembargador que a escravizou por mais de 40 anos, é essa justiça burguesa que deixa grandes empresas impunes, mesmo depois dos crimes como em Mariana e Brumadinho.
São esses capitalistas, seus governos e suas instituições os que nos condenam a trabalhar na escala 6x1, sem tempo para conseguir ver nossos filhos, estudar, descansar. Sem o direito de poder se aposentar e até mesmo adoecer. Por isso gritamos abaixo a 6x1, trabalhar menos, trabalhar todos, pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Lutamos também por justiça para Laudemir, gari assassinado por um empresário em Belo Horizonte.
O governo Lula implementou o Arcabouço Fiscal que corta da educação e da saúde e liberou a exploração da Foz do Amazonas para satisfazer os interesses dos grandes empresários. Enquanto isso, nosso povo sofre as consequências do racismo ambiental. A violência da exploração capitalista e imperialista vai devastando as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e a vida de toda população no campo e nas cidades. A cada ano presenciamos novas catastrofes capitalistas onde povo negro, que sempre foi condenado as piores condições de moradia e trabalho, são os mais afetados pelo colapso ambiental.
A luta indígena na COP 30 mostra o caminho que precisa ser potencializado. Contra Trump, o negacionismo, a farsa do capitalismo verde e qualquer tentativa de ingerência imperialista na América Latina, como vemos agora com as ameaças contra a Venezuela. Batalhamos pela mais ampla unidade dos povos latino-americanos, uma luta que também passa pela unidade com a classe trabalhadora norte-americana e dos setores que se colocaram em luta no movimento No Kings e na defesa dos imigrantes contra toda política xenofóbica e racista de Trump e dos imperialistas. Abaixo à operação militarista "Lança Sul"! Fora Trump e imperialismo da América Latina e Caribe!
A nossa luta é internacional e sem fronteiras. O povo negro e indígena, que ao longo de toda sua história se enfrentou com a bárbarie promovida pelos genocídios e a colonização imperialista, hoje precisa tomar para si a bandeira da luta contra genocído na Palestina, na República Democrática do Congo e no Sudão. Trump busca em seu segundo mandato se alçar como o articulador da “paz” diante desses processos. Mas a paz de Trump é uma grande hipocrisia manchada pelo sangue do povo negro. Em um mundo no qual o ressurgimento de tendências rumo a guerras, crises, revoluções (e contrarrevoluções) continuam a se aprofundar é a espoliação imperialista o que mantém esses genocídios.
Nos apoiemos no forte movimento internacional em solidariedade ao povo palestino, que carrega hoje a bandeira de todos os povos oprimidos do mundo, e nas grandiosas mobilizações do Quênia, Angola, Gana, Marrocos, Madagascar entre outros países do continente africano para denunciar a hipocrisia de Trump, de outras potencias imperialistas e de países como Rússia e China, assim como as burguesias árabes e governos capitalistas do continente africanos que são coniventes. Por uma Palestina livre do rio ao mar, pelo fim do genocídio na República Democrática do Congo e no Sudão e pela retirada de todas as tropas de ocupação do Haiti e do Continente Africano.
Façamos ecoar a potência da luta antirracista em todo mundo. Nos organizemos com independência dos governos e dos patrões, enfrentando as burocracias governistas para retomar os sindicatos e nossas entidades estudantis e dos movimentos sociais como ferramentas de luta e auto-organização da nossa classe. A classe trabalhadora brasileira é herdeira da luta negra que em nosso país ergueu uma das maiores bandeiras da luta antirracista internacional, o quilombo dos Palmares. A potência da fusão entre a luta negra e a luta de classes que vimos nos quilombos, nas greves, na Revolução Haitiana até hoje faz a burguesia racista tremer. E é esse legado que precisamos retomar.
Enquanto a burguesia nasceu nas Casas Grandes dos latifundiários escravocratas, nossa classe é herdeira de Zumbi, que nunca conciliou com a Coroa. Somos herdeiros daqueles trabalhadores, livres e escravizados, que fundaram suas primeiras organizações operárias para lutar contra a escravidão, da incansável luta de um povo que sempre se rebelou contra a escravidão e defendeu a liberdade.
Essa é a tradição de combatividade que se expressou no ascenso operário durante a ditadura, nas greves selvagens contra a precarização do trabalho, nas manifestações culturais que pulsam a luta negra e em tantos outros momentos de luta da nossa classe, como nas revoltas do continente africano e na luta dos imigrantes na Europa e nos EUA, na força e resistência do povo palestino e do forte movimento de solidariedade que se amplia pelo mundo.
Nós do Quilombo Vermelho e do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores, junto aos companheiros da juventude Faísca Revolucionária, do movimento Nossa Classe e do coletivo Pão e Rosas somos parte de cada uma das lutas contra o racismo e o capitalismo, e atuamos em cada escola, universidade e local de trabalho batalhando por essas ideias.
E para fortalecer ainda mais nossa luta antirracista, estamos construindo o ato público internacionalista, anti-imperialista e socialista, no próximo dia 14 de dezembro, na Casa Portugal em São Paulo, com a presença de pessoas de todo Brasil e delegações de mais de 17 países. Convidamos a todas, todos e todes que querem fortalecer a luta antirracista, que acreditam, assim como colocou Marx, “que o trabalho de pele branca não pode se emancipar onde o trabalho de pele negra é marcado a ferro” a participarem desse grande ato.