Imagem de capa do artigo

Diante da escalada da agressão imperialista dos Estados Unidos contra a Venezuela

Parte da edição: 26.10.2025

Em nome da Fração Trotskista – Quarta Internacional (FT-QI) e da Rede Internacional Esquerda Diário, denunciamos e repudiamos com toda firmeza a nova agressão imperialista dos Estados Unidos contra a Venezuela. Nossa condenação se faz a partir de uma perspectiva de classe, anti-imperialista e anticapitalista, totalmente independente e como oposição de esquerda ao governo de Maduro. Nos pronunciamos sem ambiguidades pelo mais decidido repúdio internacionalista a toda intervenção militar, política ou econômica do imperialismo estadunidense na Venezuela, assim como em qualquer país da América Latina e do Caribe. Pela derrota da ofensiva militarista de Trump!

Os Estados Unidos mobilizaram uma vasta quantidade de forças militares no Caribe Sul, algo não visto há décadas, tendo como alvo direto a Venezuela. Os recentes bombardeios de pequenas embarcações civis nas costas marítimas da Venezuela, com o subsequente assassinato sumário de pessoas — que constituem atos de terrorismo de Estado e violação elementar dos direitos humanos —, o anúncio público e descarado de autorização de operações “encobertas” da CIA, as ameaças abertas de ataques em território continental por parte de Trump, incluindo o conjunto de sanções econômicas em vigor, configuram uma intolerável política de asfixia, provocação e prepotência imperialista.

Donald Trump busca impor sua linha mais agressiva e reacionária contra a América Latina. Sob o discurso hipócrita da “segurança hemisférica” e da “luta contra o narcotráfico”, o imperialismo estadunidense intensifica sua intervenção na região, retomando a diplomacia das canhoneiras, a chantagem e a militarização. A política externa de Trump atualiza a histórica Doutrina Monroe — entendida como América Latina para seus próprios interesses imperialistas. A chamada “Operação Antidrogas” não passa de uma desculpa grosseira e cínica para justificar uma intervenção militarista e uma ingerência sem precedentes.

Desde o apoio ao ultradireitista Jair Bolsonaro e a ingerência aberta no Brasil, impondo tarifas caso se condenasse o velho aliado dos Estados Unidos; passando pelas ameaças tarifárias e chantagens econômicas contra o México; pela escandalosa ingerência na Argentina, além da submissão via FMI e Departamento do Tesouro para tentar resgatar seu amigo Milei antes das eleições de meio mandato; chegando recentemente a ameaçar, com o mesmo falso argumento “antidrogas”, a Colômbia e seu governo; até a escalada militar e as sanções criminosas contra a Venezuela — o governo de Trump e seu Departamento de Guerra buscam reafirmar e reforçar seu domínio sobre os povos do continente.

Na Venezuela, sua agressão foi ainda mais direta, inclusive desde seu primeiro governo, quando coordenou a autoproclamação e o reconhecimento de Juan Guaidó como “presidente legítimo” — com o apoio entusiasta da direita regional e de outros imperialismos que reconheceram aquele governo fantasma —, impondo sanções devastadoras que agravaram a crise econômica e social do país e, agora, em seu segundo mandato, deslocando navios de guerra próximos às suas costas com a desculpa de “combater o narcotráfico”.

Por isso, como FT-QI e por meio da Rede Internacional Esquerda Diário, rejeitamos o deslocamento militar estadunidense pelo Caribe Sul e as ameaças diretas de Trump e de seu Departamento de Guerra contra a Venezuela, sob a cínica desculpa de uma suposta “luta contra o narcotráfico”. Essa retórica mentirosa, repetida inúmeras vezes pelos governos imperialistas, busca encobrir os verdadeiros objetivos: reafirmar o controle geopolítico e econômico do imperialismo sobre a região, assegurar seu domínio e os interesses das grandes corporações petrolíferas, financeiras e militares dos Estados Unidos. A essa política agressiva somou-se a França imperialista, reforçando sua presença militar na área, em particular com o envio de navios de guerra às Antilhas, sobretudo a uma de suas duas colônias na região, Guadalupe.

Nossa posição é de absoluta independência política frente ao governo de Nicolás Maduro, um governo capitalista brutalmente ajustador e repressivo que, apesar de seus discursos nacionalistas e da demagogia “anti-imperialista”, administrou o capitalismo dependente venezuelano em favor de uma nova casta governante, aliada a setores da burguesia nacional e estrangeira. Nossa denúncia do imperialismo estadunidense não implica nenhum apoio político ao governo de Maduro, que demonstrou ser inimigo do povo trabalhador, responsável pela miséria, pela repressão e pela entrega dos recursos nacionais — situação de crise social e econômica que foi aprofundada pelos efeitos das sanções imperialistas dos EUA e das potências europeias, defendidas por setores da direita venezuelana — de Leopoldo López a María Corina Machado. O verdadeiro caráter da agressão imperialista O recente deslocamento de navios de guerra e caças F-35 no Caribe, junto a forças aliadas da França e de outros governos lacaios, constitui um ato aberto de intimidação imperialista. Washington busca reforçar seu controle estratégico sobre o continente e recolocar a Venezuela sob sua órbita direta. Trump — que durante seu mandato expressou abertamente seu racismo e sua política xenófoba para com a América Latina — tenta projetar para fora sua crise interna, utilizando o fantasma da Venezuela como inimigo externo.

Não se trata de uma “campanha contra o crime organizado”: esta é uma operação política e militar a serviço dos interesses do capital financeiro e da política do imperialismo, em um contexto de crise econômica, recessão e disputa com potências como China e Rússia, que também usurpam e buscam apropriar-se dos recursos naturais na Venezuela.

A “ofensiva antidrogas” de Trump é uma farsa hipócrita. Os Estados Unidos são o maior consumidor de drogas do mundo e o principal lavador de dinheiro do narcotráfico global por meio de seus bancos. Seu objetivo no Caribe é estritamente político: reafirmar o domínio imperial sobre a América Latina, cercar a Venezuela, pressionar por um governo favorável a seus interesses e enviar um recado de disciplinamento aos povos que lutam contra suas políticas.

Trump não é apenas responsável pela imposição de sanções para perseguir seus objetivos de domínio imperialista, como também pelo mais brutal menosprezo e tratamento criminoso às famílias trabalhadoras imigrantes venezuelanas e latino-americanas em geral. É inimigo do povo venezuelano! É um desprezível inimigo dos povos da nossa América! A cumplicidade da direita pró-imperialista e o papel reacionário de María Corina Machado A agressão imperialista conta com o apoio aberto da direita venezuelana e continental. Figuras como María Corina Machado, representante da oligarquia mais reacionária e servil a Washington, chegaram ao extremo de solicitar publicamente uma invasão militar dos Estados Unidos para “libertar” o país. O custo de uma invasão militar seria catastrófico para o povo trabalhador, apenas para colocar no poder uma casta parasitária ainda mais ajoelhada diante de Wall Street e do Pentágono, o que aceleraria brutalmente a subordinação nacional, assim como manteria ou aprofundaria as políticas antioperárias e antipopulares, como as do governo de Maduro e das FFAA.

A tentativa de promover figuras dessa ultradireita como merecedoras de prêmios internacionais, como o Nobel, tem um claro objetivo político: legitimar a política de uma ultradireitista servil a Trump — ainda que o narcisismo do presidente imperialista se ressinta de não ter ganho ele próprio esse prêmio. O servilismo é tal que María Corina Machado, a “Nobel da Paz”, não só apoia abertamente o Estado genocida de Israel, celebra os bombardeios sobre Gaza e exige intervenção armada contra seu próprio povo, como também dedicou em primeiro lugar o prêmio, precisamente, a Donald Trump.

María Corina, representante das famílias burguesas que sempre enriqueceram à sombra dos favores do Estado e da exploração dos trabalhadores, encarna a política mais entreguista e antioperária da burguesia venezuelana: sua “oposição democrática” não busca libertar o país do autoritarismo, mas instaurar um regime completamente subordinado ao capital estrangeiro e às multinacionais do petróleo. Seu discurso “moral” e “anticomunista”, contra um regime que não é nem revolucionário nem “comunista”, serve para encobrir a total subordinação de seu programa ao imperialismo ianque.

Pela FT-QI, denunciamos que a direita pró-imperialista não representa uma alternativa progressiva frente ao regime ditatorial de Maduro, mas sim uma ameaça contra os direitos operários e populares e contra a soberania da Venezuela. A política de pedir invasões estrangeiras é uma traição aberta aos interesses nacionais e de classe do povo trabalhador venezuelano. O falso anti-imperialismo de Maduro e a repressão interna Enquanto Trump exibe sua arrogância imperialista, o governo de Maduro responde com um discurso “anti-imperialista” puramente retórico. Na prática, sua política tem sido negociar com o imperialismo e o capital estrangeiro enquanto reprime brutalmente os trabalhadores e o povo pobre. O chamado “decreto de estado de comoção exterior” não tem por objetivo a defesa nacional frente ao imperialismo, mas o reforço do controle interno, a perseguição das lutas operárias e a criminalização do protesto social. E, como veio a público, foi capaz de oferecer maior entrega dos recursos nacionais aos EUA para negociar sua permanência no poder.

Maduro utiliza a ameaça externa para consolidar um regime bonapartista que concentra o poder nas mãos de uma burocracia cívico-militar enriquecida. Sob o pretexto da “unidade nacional” diante da agressão, busca silenciar toda crítica pela esquerda e garantir a continuidade de um modelo de exploração, corrupção e entrega. Enquanto o povo passa fome e sofre com a hiperinflação e desemprego, o governo mantém pactos com empresários nacionais e estrangeiros, entrega enormes áreas em concessões minerárias no Arco do Orinoco e abre zonas econômicas especiais aos capitais estrangeiros em geral — incluídos os estadunidenses — e, em particular, aos capitais chineses e russos, que também cumprem uma função econômica de espoliação semelhante à dos países imperialistas, saqueando nossos recursos naturais, como no setor petrolífero e na mineração. Essa casta burocrática desmantelou conquistas operárias, impôs planos de ajuste que pulverizaram os salários, e priorizou os interesses das classes proprietárias — inclusive seus próprios interesses materiais e políticos como casta — acima das necessidades do povo trabalhador.

Maduro fala da “perfeita fusão popular-militar-policial, para garantir a liberdade, soberania e independência da pátria”. Mas é precisamente essa formulação, denominada “cívico-militar-policial”, que o governo também empregou para definir o tipo de unidade que sustentou seu governo contra os protestos populares após 28 de junho de 2024, quando mais de 2.000 jovens foram detidos — a imensa maioria oriunda de bairros pobres —, sendo que mais de 300 desses jovens ainda permanecem presos. Essa tal “fusão” se expressou de maneira reacionária há dois meses, contra a vigília pacífica do comitê de Mães em Defesa da Verdade, acompanhadas de militantes de esquerda e ativistas de direitos humanos, que se manifestavam para que o Tribunal Supremo acatasse a denúncia das ilegalidades cometidas contra os jovens presos.

Por isso, o anti-imperialismo do governo de Maduro é falso e demagógico. Não se enfrenta o imperialismo defendendo os interesses da burguesia nacional, nem reprimindo os trabalhadores. Não se enfrenta o imperialismo reprimindo o próprio povo e pisoteando seus direitos. Para fazer frente à agressão imperialista, o governo nacional não se apoia nas massas populares e em sua mobilização, mas nas Forças Armadas e no aparato repressivo, com os quais busca controlar e submeter ainda mais a população. Somente uma política a partir dos trabalhadores e do povo pobre, independente de todo setor capitalista, pode garantir uma verdadeira defesa da soberania nacional. Os países da região diante da agressão imperialista à Venezuela Os governos de direita do continente apoiam a política agressiva do imperialismo estadunidense contra a Venezuela. À frente dessa ofensiva está o governo de Milei, na Argentina, totalmente disciplinado aos Estados Unidos, respaldando da maneira mais abjeta a política criminosa imperialista contra o povo palestino, além de apoiar o genocida Netanyahu. Política que foi rechaçada pelos deputados da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - Unidade, inclusive com a apresentação de um projeto na Câmara dos Deputados para “repudiar o deslocamento militar dos Estados Unidos no sul do Mar do Caribe sob o argumento da ‘luta contra o narcotráfico’” e exigir sua retirada.

Também o direitista governo de Daniel Noboa, no Equador, está disposto a cumprir todos os desejos de sua majestade, Donald Trump, e do FMI, e neste momento desferre um ataque brutal contra o povo equatoriano com medidas antioperárias e antipopulares em benefício do grande capital e das transnacionais extrativistas, sustentadas à força de repressão. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, e os governos da Guiana e de Trinidad e Tobago seguem o mesmo caminho, sendo o último caso dos mais vergonhosos, dado que cidadãos trinitários estão entre as vítimas do terrorismo de Trump no Caribe. O recém-eleito e futuro presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, parece encaminhar-se nessa saga, como deu a entender em sua conversa com María Corina Machado.

No entanto, certos governos que se reivindicam progressistas mantêm uma política ambivalente diante da agressão imperialista. A passividade de governos subordinados, que buscam coexistir com os planos de Washington em vez de sustentar uma postura abertamente anti-imperialista, ajuda ao fortalecimento de Trump em sua ofensiva contra a América Latina.

Lula, apesar de dizer que “nenhum presidente deve dizer como vai ser a Venezuela”, ostenta sua “boa química” com Trump, encontrando-se em um processo de aproximação com o governo estadunidense e negociando a entrega de terras raras e minerais estratégicos brasileiros — o que vai contra seu pretenso discurso de “defensor” da autonomia latino-americana. Mas também afirmou que o Brasil não tem “controvérsias internacionais” e que permanecerá “do lado em que sempre esteve, ou seja, do lado da paz”.

Veja também: Editorial MRT. A “química” extrativista entre Lula e Trump e a urgente necessidade de lutar contra a destruição ambiental

A postura da presidente do México, Claudia Sheinbaum, contra o intervencionismo estadunidense, ao afirmar que “tudo se resolve com diálogo”, embora pretenda encabeçar uma resposta “progressista”, ocorre enquanto celebra a boa relação com a administração trumpista. Isto se expressa na implementação — dentro das fronteiras mexicanas — da maior militarização exigida por Washington, com a desculpa do mesmo “combate ao narcotráfico” no México e na América Central com o qual Trump justifica a agressão à Venezuela. Sua aparente firmeza não questiona os planos intervencionistas regionais de Trump, evitando qualquer questionamento ao seu poder e às ameaças sobre a Venezuela e a região.

O governo de Gustavo Petro na Colômbia, que teve uma posição mais clara — apesar de seus limites — em questionar as ameaças militaristas dos Estados Unidos no Caribe Sul e denunciar que colombianos foram vítimas dos bombardeios, rapidamente começou a sofrer ameaças, passando também a ser foco das agressões por parte de Donald Trump. Enfrentar a agressão imperialista não é só uma questão militar, mas também econômica e de luta de massas O imperialismo não é um assunto meramente militar, de força armada, mas implica uma dominação mais sistemática, em que o aspecto econômico desempenha um papel chave. É um sistema de espoliação dos recursos naturais do país e de transferência sistemática de riquezas das nações subordinadas para os centros imperialistas; implica condicionamento das decisões sobre o uso dos recursos nacionais, privilegiando as necessidades dos capitais imperialistas; implica, por tudo isso, menos recursos para as necessidades nacionais e populares.

Enfrentar a agressão externa de um governo tão reacionário quanto o de Trump é de interesse da classe trabalhadora — agressão cujo único objetivo é garantir a subordinação de qualquer governo que esteja em Caracas às necessidades do imperialismo estadunidense.

Enquanto Fração Trotskista – Quarta Internacional, defendemos que a única maneira efetiva de enfrentar a agressão imperialista não é com repressão nem com chamados abstratos à “unidade nacional”, mas mediante a mobilização independente da classe trabalhadora, do povo pobre e da juventude. O governo de Maduro, ao mesmo tempo em que é claramente vítima das ameaças e agressões de Trump, é também responsável pela extrema debilidade da classe trabalhadora venezuelana e por dizimar a capacidade de mobilização popular.

Não haverá possibilidade de intervenção decidida e com toda a potência das massas trabalhadoras em um eventual confronto maior com o imperialismo estadunidense, enquanto suas forças estiverem sufocadas sob a ameaça repressiva.

Propomos um programa de medidas operárias e populares, anti-imperialistas e contra o sistema repressivo vigente, para enfrentar a agressão imperialista e a crise nacional:

Ruptura imediata de todas relações e negociações com o imperialismo. Nacionalização imediata, sem indenização e sob controle dos trabalhadores, de todos os interesses econômicos e propriedades do imperialismo estadunidense e de seus aliados na Venezuela, começando pelos bancos, empresas petrolíferas, mineradoras e de telecomunicações. Que os recursos nacionais sirvam para financiar um plano operário e popular de emergência nacional, e não o lucro imperialista.

Nacionalização completa de toda a indústria petrolífera e dos recursos naturais, como parte de um planejamento econômico em benefício do povo trabalhador; basta de empresas mistas e alianças com transnacionais — tudo sob controle dos trabalhadores e não nas mãos da burocracia corrupta. Cessação imediata de todas as sanções econômicas. Não hipotecar o futuro do país para pagar aos agiotas internacionais: nenhum pagamento da dívida externa e redirecionamento desses recursos para um plano de emergência em saúde, alimentação e moradia.

Não ao decreto de estado de comoção exterior. Plenas liberdades democráticas, de organização e sindicais para os trabalhadores e o povo venezuelano. Fim da repressão contra o protesto social. Lutar a fundo contra o imperialismo implica liberar toda a criatividade e capacidade de luta dos trabalhadores por seus interesses; isso significa poder lutar contra as petroleiras imperialistas. Mas é justamente o governo de Maduro que garante às transnacionais estadunidenses, como a Chevron ou a Sunergon Oil Operating, e de todas as demais latitudes, uma classe operária petroleira reprimida. Liberdade imediata para as dezenas de trabalhadores petroleiros presos e para todos os trabalhadores encarcerados! Liberdade aos presos por protestar e por razões políticas!

Junto a outras forças de esquerda na Venezuela, foram convocadas ações unitárias contra a agressão dos Estados Unidos e pela retirada de todo o deslocamento militar no Caribe e em toda a América Latina, inclusive com declarações políticas comuns claramente anti-imperialistas. Nesse sentido, é urgente reforçar essa iniciativa, chamando a pôr de pé um polo contra a agressão imperialista, com independência do governo de Maduro.

A única saída progressista para a crise econômica, social e para a ameaça imperialista é a ruptura com o capitalismo e o imperialismo, e a imposição de um governo dos trabalhadores e do povo pobre que exproprie a burguesia, nacionalize o sistema bancário e a indústria sob controle operário, e impulsione um plano econômico socialista a serviço das grandes maiorias.

Diante da chantagem imperialista e das falsas alternativas burguesas, apenas uma política revolucionária da classe trabalhadora pode abrir uma saída progressista para a crise venezuelana. A independência política dos trabalhadores, sua auto-organização e seu programa socialista são as únicas bases para uma verdadeira libertação nacional e social. Um chamado internacionalista aos trabalhadores e à juventude do mundo A luta contra a agressão imperialista na Venezuela não é apenas uma questão nacional. É parte da batalha internacional contra o domínio do imperialismo estadunidense, suas guerras e seu saque global. O retrocesso da hegemonia dos Estados Unidos implica políticas agressivas. Nesse sentido, uma derrubada de Maduro por meio de uma intervenção militar — inclusive até um assassinato político — abriria um precedente perigoso em todo o continente, encorajando alas abertamente golpistas da burguesia latino-americana. Por isso, essa situação diz respeito não apenas à classe trabalhadora e ao povo venezuelano, mas a todos da região e do mundo, porque poderíamos estar às portas de tentativas de golpes de Estado apoiados diretamente pelo exército dos Estados Unidos.

Por isso, chamamos os trabalhadores, a juventude e os movimentos sociais de toda a América Latina, dos Estados Unidos e do mundo inteiro a se mobilizarem contra essa ofensiva imperialista. Em particular, fazemos um chamado aos milhares que, nos Estados Unidos, se mobilizam contra o racismo, o militarismo e a opressão, para que enfrentem seu próprio imperialismo, o principal inimigo dos trabalhadores e povos do mundo. Os trabalhadores estadunidenses nada têm a ganhar com as aventuras militares de Trump, que apenas buscam defender os interesses dos banqueiros e das corporações. O triunfo da prepotência imperialista de Trump contra outras nações e povos significaria também seu fortalecimento contra aqueles que, nos Estados Unidos, questionam suas políticas ultrarreacionárias. Assim o denunciam nossas companheiras e companheiros do Left Voice nos Estados Unidos.

Nós, da FT-CI e da Rede Internacional Esquerda Diário, lutamos por construir organizações revolucionárias que impulsionem um governo dos trabalhadores e do povo pobre, baseado em organismos de auto-organização, que exproprie os capitalistas e planeje democraticamente a economia em função das necessidades das grandes maiorias. Só assim será possível derrotar tanto a agressão imperialista dos Estados Unidos quanto o regime capitalista de Maduro, abrindo caminho para uma Venezuela realmente socialista e dos trabalhadores, parte de uma Federação Socialista da América Latina e do Caribe, em luta comum com os povos do continente.

Fora as tropas de Trump do Caribe e da América Latina!

Abaixo a agressão imperialista contra a Venezuela!

Abaixo todas as sanções imperialistas!

Retirada das tropas e navios franceses do Caribe!

Basta de retenção e confisco de empresas e recursos da Venezuela no exterior por parte dos imperialismos estadunidense e europeus!

Pela unidade internacional dos trabalhadores e dos povos oprimidos contra o imperialismo e o capitalismo!

Fração Trotskista – Quarta Internacional (FT-QI)

VENEZUELA: Liga de Trabajadores por el Socialismo (LTS)

ESTADOS UNIDOS: Left Voice

BRASIL: Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT)

ARGENTINA: Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS)

FRANÇA: Révolution Permanente

CHILE: Partido de Trabajadores Revolucionarios (PTR)

MÉXICO: Movimiento de los Trabajadores Socialistas (MTS)

ESTADO ESPANHOL: Corriente Revolucionaria de Trabajadoras y Trabajadores (CRT)

ALEMANHA: Revolutionäre Internationalistische Organisation (RIO)

ITÁLIA: Frazione Internazionalista Rivoluzionaria (FIR)

BOLÍVIA: Liga Obrera Revolucionaria (LOR-CI)

URUGUAI: Corriente de Trabajadores Socialistas (CTS)

PERU: Corriente Socialista de las y los Trabajadores (CST)

COSTA RICA: Organización Socialista Revolucionaria (OSR)