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Israel como Estado-pária: as contradições em decair atacando

Parte da edição: 28.09.2025

O genocídio sionista contra o povo palestino chega a mais de 700 dias e entrou numa nova fase a partir da intensificação dos bombardeios, e do início da ocupação terrestre à cidade de Gaza, que vem acompanhada do aprofundamento do isolamento internacional de Israel.  A dinâmica desta situação está marcada por dois pólos diametralmente opostos, que se aprofundam.

De um lado está Israel que cada vez mais ocupa o lugar de farol da contra revolução e do reacionarismo, e que segue ignorando qualquer limite. Junto aos sionistas encontram-se os Estados Unidos, seu principal fiador e aliado. E do outro lado está o crescente questionamento da opinião pública internacional, que além de exigir o cesse imediato do genocídio tem expressado alas cada vez mais numerosas, em especial entre os jovens, que denunciam o caráter colonialista, racista e pró-imperialista de Israel, colocando em questionamento o projeto sobre o qual se assenta o Estado sionista.

Estes dois pólos estão em processo de colisão, e o resultado desta dinâmica ainda segue aberto.

O resultado imediato é que Israel nunca se encontrou tão isolado, processo que deu um salto nas últimas semanas. Uma das recentes expressões disso foi a declaração de reconhecimento de um “estado Palestino” por parte da Grã-Bretanha, Canadá, e Australia dentre vários outros países às vésperas da Assembleia Geral da ONU. Esta declaração soma-se ao reconhecimento por parte da mesma ONU de que Israel comete genocídio em Gaza, definição que é feita oficialmente após dois anos de limpeza étnica e mais de 70 mil mortos. Como diversos analistas e ativistas apontam, essa posição não ultrapassa os limites da demagogia, já que não se liga à decisão de rupturas de relações econômicas ou diplomáticas que efetivamente poderiam obrigar Israel a parar a matança. Como assinalou o jornal israelense Haaretz, “o reconhecimento é um substituto errôneo para boicotes e medidas punitivas que deveriam ser tomadas contra um país que perpetua o genocídio”. Ademais, enquanto tais potências reconhecem um “Estado Palestino” absolutamente inexistente, no qual nenhuma fronteira ou direito de retorno dos refugiados palestinos são postos em debate, seguem perseguindo aqueles que dentre as suas populações se organizam contra o genocídio.

No entanto, mesmo com essa debilidade no questionamento a Israel é visível que este vê as bases de sua legitimidade decaírem, sobretudo frente à opinião pública internacional. Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center junto a 24 países, entre os quais Canadá, Estados Unidos, a ampla maioria dos países europeus e o Brasil, indicam que em 20 países pelo menos a metade da população adulta tem uma visão desfavorável de Israel. No Reino Unido em 2013 cerca de 44% da população tinha uma opinião desfavorável, enquanto agora esse índice alcança 61%, atualmente a média global, que expressa uma flagrante perda de apoio.

Isto é o que está na base do reconhecimento de 140 países ao Estado palestino. Apesar desse reconhecimento ser totalmente fictício e retórico, já que nenhuma fronteira foi delimitada e sanções contra Israel também foram deixadas de lado, esta declaração foi suficiente para ser respondida por Netanyahu com um discurso por fora da correlação de forças, no qual reafirmava sua determinação em seguir o genocídio até a “solução final”.

Mas foi na Assembleia Geral da ONU realizada nesta semana entre os dias 22 e 26 de setembro que essa corrosão do apoio internacional se tornou mais explícita. A chegada de Netanyahu para discursar se deu nas palavras de analistas do jornal israelense Haaretz como uma “festa que já terminou. Todos os convidados importantes já foram embora, e Netanyahu chega acompanhado da equipe de limpeza para varrer o confete”. O ponto alto disso se deu com os embaixadores de diversos países deixando a sala e dando as costas ao discurso de Netanyahu. Enquanto isso, Trump se reunia com os países árabes, incluindo o Qatar, para negociar um pacto pós-genocício no qual os aliados árabes do imperialismo estadunidense teriam o controle de Gaza. O plano em questão teria 21 pontos, dentre os quais um cessar-fogo, a retirada gradual de Israel da Faixa de Gaza, ainda que não se sabe a qual prazo, além da articulação de uma força militar que incluiria as tropas dos países árabes, com um envolvimento limitado da Autoridade Palestina para administrar Gaza sem o Hamas.

Ainda que não esteja claro se tal plano será realmente efetivado, e nos bastidores muito provavelmente há algum envolvimento de Israel, o fato é que se trata de algo distante das promessas e intenções declaradas por Netanyahu, que se traduz em ocupar totalmente Gaza e a Cisjordânia, e expulsar definitivamente os palestinos. Porém, para isso Israel precisa do acordo dos Estados Unidos, em uma conjuntura em que Israel cada vez mais assume o caráter de Estado pária, o que dificulta a execução do intento sionista.

Mas a maior dificuldade para o avanço do plano genocida de Netanyahu não vem dos governos, mas dos impactos do potente movimento pró-Palestina que toma corpo em seus países. E este movimento tem se amplificado enormemente, não apenas através de expressões contrárias a Israel e ao genocídio da opinião pública internacional, mas também com ações históricas como a Sumud Global Flotilha e a greve geral ocorrida na Italia no último dia 22 de setembro, que paralisou nada menos que 75 cidades em uma manifestação sem precedentes. Com este breve artigo analisaremos a relação entre a crise gerada pelo questionamento ao genocídio e o questionamento ao projeto sionista, tanto no plano internacional em que isso se expressa de forma aberta, como no âmbito doméstico em Israel.

O fim do mito da democracia liberal israelense no Oriente Médio

Se no plano internacional o caráter colonialista, expansionista e racista da empreitada sionista está abertamente exposto por conta do genocídio, no plano doméstico a propaganda que coloca um sinal de equivalência entre sionismo e judaísmo aliada à décadas de falseamento histórico ainda sustentam o apoio de grande parte da população ao genocídio palestino. No entanto, aí também já se faz sentir a queda da popularidade de Netanyahu, Tel Aviv sendo palco de inúmeros protestos contra o governo. Ainda que a maior parte dos setores que integram essas manifestações estejam motivadas pelo risco à vida dos reféns israelenses após o anúncio da intenção de ocupar através de uma ofensiva terrestre o conjunto da Cidade de Gaza, existem novos fenômenos extremamente importantes, como os de jovens que se negam a integrarem a IDF. Não se pode dizer até que ponto esses setores podem se massificar, mas o que é indubitável é que Israel está passando por um desgaste sem retorno do mito de se constituir como uma sociedade democrática liberal.

Israel baseou sua fundação na ampliação da influência do movimento sionista após a Segunda Guerra Mundial. Apropriando-se em chave reacionária da justa demanda da população judia de nunca mais passar por outro holocausto, o movimento sionista até então minoritário entre os judeus, ganha legitimdidade apoiado no imperialismo e na URSS para fundar o Estado de Israel após a resolução da ONU em 1947. Sob o falso lema “uma terra sem povo, para um povo sem terra”, Israel travou e ganhou a guerra contra os palestinos e árabes em 1948 originando a nakba, a catástrofe palestina que resultou em milhares de refugiados palestinos. Desde então, Israel buscou postular-se como uma democracia liberal e modernizadora em meio ao Oriente Médio, apresentando-se como um contraponto à marcante visão colonialista que designava os árabes como propensos a fundamentalismos e destinados à colonização. Na fundação de Israel, apoiada pela URSS, setores inclusive progressistas compraram a ideia de que os kibutz, comunidades agrícolas, seriam uma espécie de “socialismo” e trariam uma aura progressista ao projeto sionista.

Com uma população majoritariamente europeia, uma intelectualidade originada nos kibutz, grande financiamento estadunidense, essencial para a constituição de sua economia e indústria, aliada à extração colonialista de recursos naturais de países coloniais e semicoloniais, como a exploração dos diamantes do Congo, Israel não tardou em transformar-se em uma sociedade que reunia todos os recursos para ser considerada como uma representação das potências imperialistas em meio ao Oriente Médio.

Outro aspecto do mito da constituição de Israel como uma democracia liberal viria da dominação das alas do sionismo representada pelo partido trabalhista Ha-Avoda de Shimon Peres, Golda Meir e Ehud Barak até o ano de 1977, quando perdem espaço para o direitista Likud com quem os trabalhistas posteriormente se aliam. Cabe lembrar que mesmo durante o período que marca o domínio do partido trabalhista e da aura progressista dos kibutz, Israel sempre teve em sua gênese o caráter colonialista. Basta lembrar dos diversos massacres cometidos antes da ascensão do Likud, como o de Qibya em 1953, Khan Yunis também em 1953, e do Massacre de Jerusalém em 1956. Entretanto, naquele período, esses massacres contra o povo palestino não eram seguidos de represália internacionais.

A projeção de imagem de Israel como reflexo das democracias liberais dos países centrais foi garantida com grande afinco e financiamento tanto pelas alas sionistas da direita, como dos trabalhistas. Um exemplo foi a política conscientemente estruturada para que Israel fosse identificado como uma sociedade tolerante e aberta às populações LGBT. Vendendo a ideia de “oasis gay” no Oriente Médio e adotando legislações para criminalizar a homofobia já nas décadas de 1980 e 1990, os sionistas de Israel buscavam aproveitar a conjuntura para ampliar a sua legitimação no cenário internacional, em um contexto pós queda do Muro de Berlim e fim da URSS que marca o início do deslocamento do combate ao comunismo para os países da região sob o argumento do combate ao terrorismo islâmico. No entanto, frente ao genocídio em Gaza esse “soft power”construído ao longo de décadas passa por um grande questionamento. Sob o lema “Sem orgulho no genocídio” diversos setores da comunidade LGBTQ+ internacional denunciam a política de instrumentalizar a sua causa para esconder que Israel está baseado em uma construção social colonialista e racista contra os palestinos.

Outro aspecto que veio à tona a partir de depoimentos de cidadãos israelenses que romperam com essa cidadania por conta da matança dos palestinos é a completa deturpação da história da nakba ensinada no sistema educacional israelense. Viu-se irromper Inúmeros relatos de que nas escolas de Israel ensina-se uma estória absolutamente divergente da realidade, que vai desde a narrativa de que os israelenses sempre teriam sido abertos a aceitar a partilha da terra com os palestinos, à uma versão fantasiosa de que a Guerra dos Seis Dias de 1967 teria sido travada de forma defensiva por Israel, e não motivada pelo anseio de ampliação da ocupação sobre as terras árabes e palestinas. Além disso, há registros chocantes de escolas ensinando as crianças israelenses que os árabes em geral, e os palestinos em particular, não seriam tão humanos quanto eles e por conta disso deveriam ser exterminados.

Um a um, os pilares da construção do mito de uma sociedade israelense aberta vai sendo questionado pelo genocídio. Após décadas de rupturas dos tratados articulados pelos Estados Unidos, como os de Oslo e de Camp David, Israel assume sem qualquer pudor há dois anos de genocídio na Faixa de Gaza seu caráter abertamente racista, colonialista e crescentemente bonapartista.

A crise de governo pode evoluir para uma de regime e Estado?

O governo de Netanyahu, por mais paradoxal que possa parecer, vem imerso há tempos em uma crise extremamente profunda. Desde 2024 existe um pedido do Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu por conta de crimes de guerra, que fez com que o seu vôo para a Assembleia Geral das Nações Unidas tivesse a trajetória alterada para evitar que os países signatários o prendessem. Ainda que esse pedido da TPI seja absolutamente cínico, na medida em que também foi expedido contra o Hamas, e Netanyahu pôde chegar sem qualquer problema para discursar na ONU, trata-se de algo inédito desde que assumiu o poder.

No plano interno, segue pressionado pela ultra-direita que integra a sua coalizão de governo, Netanyahu ganhou uma sobrevida política com os atentados de 7 de outubro e a resposta genocida que desencadeou contra os palestinos desde então. Réu em diversos processos por corrupção, investigado desde 2016 quando pela primeira vez teve que responder por aceitar subornos e realizar fraudes. Não se pode esquecer que apenas um dia antes de atacar o Irã, a situação de Netanyahu foi alvo de acalorados debates no knesset (parlamento israelense), com o primeiro-ministro quase sendo alvo de impeachment. Enquanto declara sua intenção de ocupar o conjunto da Cidade de Gaza e da Cisjordânia, Netanyahu foi intimado a apresentar-se três vezes por semana a partir de novembro deste ano para enfrentar o julgamento pelas denúncias, após vários cancelamentos. Além disso, Netanyahu vem enfrentando há anos questionamentos primeiro à sua tentativa de reforma judicial, que foi alvo em janeiro de 2023 de uma série de protestos inclusive na IDF (Israeli Defense Forces, sigla em inglês para o exército de Israel), levando à demissão do Ministro da Defesa. O ponto fundamental da reforma era limitar o poder do Supremo Tribunal e conceder ao governo de Netanyahu maior influência na nomeação de juízes, algo que foi visto como uma medida autoritária e que levaria a uma revisão da constituinte israelense.

Mas um aspecto de tensão que pode abrir caminho para uma crise mais profunda que um mero abalo no governo de Netanyahu abarca o exército, uma das instituições pilares de Israel. A crise aí abriu-se mais profundamente a partir da decisão de ocupar Gaza, que trouxe à tona as divergências entre a cúpula política sionista e o alto comando militar. De acordo com especialistas em política israelense essa seria a maior crise desde a guerra de 1948, nas relações entre a liderança política e o exército. O professor Yagil Levy, diretor do Instituto de Estudos das Relações Civis-Militares da Universidade Aberta de Israel afirma que “se trata da primeira vez em que a liderança política forçou o exército a realizar uma operação à qual se opunham veementemente”. O tenente-general e chefe do Estado Maior Eyal Zamir expressou publicamente e de forma contundente essa oposição ao objetivo de ocupar a Faixa de Gaza na semana anterior à aprovação da medida. Isso desatou uma enorme crise, com o filho de Netanyahu acusando Zamir de motim. Vários membros proeminentes da IDF renunciaram, como Aharon Haliva, Yaron Finkelman, Oded Basyuk e Eliezer Toledano.

E para além das diferenças entre governo e cúpula do exército, existe a diferença entre as alas do próprio IDF. Isso se expressou recentemente em um grupo de 41 oficiais e reservistas que enviou uma carta a Netanyahu afirmando estarem contrários às operações em Gaza, que entendiam serem “inúteis e infinitas”, e negando-se a participarem das operações em combate. Além disso, estima-se que apenas 60% dos soldados de reserva estejam se apresentando para cumprir o serviço ativo. Esta situação tem obrigado a IDF a crescentemente convocar os imigrantes em sua maioria provenientes do Congo, os mesmos que foram alvos de inúmeras pressões do governo e da sociedade israelense em momentos anteriores para deixarem o país. Em troca do alistamento, Israel promete a concessão da cidadania, em uma política voltada a usar essa população como bucha de canhão. Isso se combina a uma elevação sem precedentes dos casos de suicídio entre os soldados, alcançando cerca de 50 casos recentemente, e a um fenômeno ainda restrito, mas extremamente importante, de setores da juventude que começam a negar-se integrar a IDF e enfrentam a prisão por conta disso.

O conjunto desses aspectos, aliado à percepção de que a ocupação terrestre de Gaza encerrará completamente qualquer possibilidade de retorno dos reféns, fez com que protestos exigindo o fim do genocício passassem a ser comuns em Tel Aviv. Essas manifestações, que chegaram a reunir algumas centenas de milhares, não têm como ponto fundamental a denúncia do genocídio contra os palestinos, focando-se mais no entendimento de que a ofensiva em Gaza é inútil. Muito embora haja uma direitização e uma profunda decadência da sociedade israelense, com altos índices de aprovação à aniquilação dos palestinos, a tentativa de Netanyahu de responder a essa crise limitando o direito de protesto serviu apenas para ampliar a percepção de que se trata de um regime cada vez mais autoritário. De acordo com pesquisas realizadas pelo jornal Haaretz, cerca de 40% da população israelense pensa em sair do país, enquanto o crescente apoio internacional identifica o estado sionista como um verdadeiro “estado-pária”. Este conjunto de elementos sugere que não está descartado que como produto desta situação o próprio projeto sionista entre em uma grande crise, mais profunda que uma mera crise de governo ou mesmo de regime, e que possa abrir um período de grandes abalos. O que advirá disso ainda não é possível saber. Mas o que é possível de ser dito é que cresce a percepção do sentido de que Israel como subproduto do colonialismo e racismo é uma sociedade corroída e representante do que existe de pior, sendo algo inviável por essa natureza.

A “palestinização” do mundo: o exemplo da Itália

“Quiseram apagar a Palestina do mundo, e o mundo fez-se Palestina”. Esse lema pode resumir a tendência de ampliação de um potente movimento internacional, que tal nas últimas semanas se fez sentir de maneira contundente. Diversas manifestações massivas já vinham acontecendo em muitos países, como na Austrália, Grã-Bretanha, Estados Unidos, México, mas que encontrou na greve geral italiana do dia 22 de setembro seu ponto culminante até o momento, sendo esta uma manifestação histórica, tanto pela imensa adesão como pelas reivindicações. A greve geral foi convocada por diversos sindicatos de base, como USB e CUB, apoiados por diversas organizações que paralisaram o país com aderência de até 70% em setores como a Educação. Centenas de milhares de pessoas reuniram-se em diversas manifestações quebrando a normalidade, e retomando métodos históricos da classe trabalhadora, como o bloqueio nos portos de Gênova, Livorno, Trieste, Veneza e Civitavecchia. Em Bolonha milhares de pessoas ocuparam o anel viário, e foram recebidas com manifestações de apoio, enquanto em Turim uma marcha massiva tomou as estações de trem da cidade, bem como em Nápoles. Em Roma estima-se que mais de 100 mil pessoas ocuparam o centro histórico da cidade. Além da exigência de fim imediato do genocídio, as manifestações também tinham palavras de ordem contra a ideologia sionista e a expansão colonialista de Israel.

As ações foram tão fortes que pressionaram os governos da Itália e do Estado Espanhol a destacarem embarcações para acompanhar a Global Sumud Flotilha que segue ameaçada de ataques por Israel. Essa missão humanitária, que conta com um representante do Esquerda Diário entre a delegação brasileira, busca levar ajuda a Gaza, forçando a abertura de um corredor humanitário. Também impactaram os discursos feitos nas tribunas da Assembleia Geral da ONU, com diversos países adotando um duro tom contra o genocídio.

Muito embora todos esses discursos coloquem em relevo o isolamento sem precedentes de Israel, como foi o de Lula que reiterou tratar-se de genocídio e não de “guerra”, é fundamental reiterar que palavras não deterão Israel e o seu principal apoiador, os Estados Unidos. O que pode colocar um freio no genocídio são ações, como a ruptura de relações econômicas e diplomáticas, fornecimento de insumo como o petróleo brasileitro, tal como os petroleiros brasileiros estão exigindo há meses. E, do ponto de vista dos trabalhadores, da juventude e dos povos oprimidos inspirar-se no exemplo italiano, articulando em outro patamar ações embasadas nas melhores tradições dos movimentos históricos dos trabalhadores, que exijam não apenas o fim imediato do genocídio, como também o direito de retorno de todos os refugiados palestinos, abrindo camimho para a reconstrução da Palestina em todo o seu território histórico. Só isso pode abrir o caminho para uma Palestina livre do rio ao mar, laica e socialista, algo que seria uma vitória estratégica para os trabalhadores e os povos de todo o mundo.