Introdução
O impacto da chacina no Complexo da Penha e do Alemão ganhou um novo capítulo com as pesquisas indicando uma ampla aprovação da chacina entre a população carioca que convive com um “clima” permanente de violência social fruto da degradação da condição de vida, trabalho precário e falta de direitos universais para o conjunto da população, especialmente, nas favelas e periferias. O impacto positivo surgiu com uma grande “novidade” no cenário político nacional e aponta para continuidade das disputas mais à direita em torno do tema da “segurança pública”.
Cláudio Castro mantém uma política contínua de operações policiais e chacinas contra as favelas dominadas pelo Comando Vermelho, o que ajuda a localizá-lo politicamente no Estado como um setor “consequente” no combate ao “crime organizado”. O cenário de violência urbana intensa é propício para que a opinião pública e a classe dominante faça bastante demagogia de que está combatendo o “crime organizado”, sem mexer nas relações entre grandes empresários do tráfico de drogas, o Estado e a polícia. No último período, só se fala do tráfico de drogas, mas o Rio de Janeiro é profundamente atravessado pelas milícias que também têm inúmeras relações com o Estado.
Buscam se apoiar em um setor da população que apoia a megaoperação como a do Complexo da Penha, devido ao discurso de que ações policiais resolveriam o problema da segurança pública. Com a propagando da suposta “eficácia” da tática “barreira do Bope” onde opinião pública e o bolsonarismo venderam como o grande “logro” do massacre racista com claras evidências de execução e tortura foi saudada como eficácia e inteligência. Os três fatores atuaram para legitimar a maior chacina da história do Rio de Janeiro.
Uma importante “vitória” para o bolsonarismo que se via na defensiva com a prisão de Bolsonaro e o impacto das manifestações contra a anistia por todo o país e a partir de agora vai tentar capitalizar ainda mais toda situação à direita por isso foi criado um “consórcio da paz” com governadores que defendem mais repressão contra a população e com histórico de chacinas, como Tarcísio e Castro.
O lulismo senil, a hegemonia débil onde o projeto lulista de se aliar inclusive com partidos com importantes figuras da extrema-direita, viu diante dele se abrir a possibilidade dessa mesma extrema direita capitalizar, ao menos no Rio de Janeiro, esta base social com sua política recionácionária e racista de “segurança pública”.
No cenário nacional, é um elemento mais à direita que tem como objetivo capitalizar um nicho eleitoral próprio, o que ainda temos que observar. É preciso ver também como vai impactar a resposta do governo federal com a PEC da segurança e a lei anti-facção e a CPI do Crime, além da “Operação Carbono” contra o PCC que aparece como a “maneira” do governo federal enfrentar o “crime organizado”. E se de fato o “consórcio da paz” vai poder dar um renovado ar às aspirações bolsonaristas para 2026. Tudo isso está condicionado aos limites do giro à direita do regime político carioca. Por outro lado, Lula e a Frente Ampla contam com outros pontos que lhe favorecem, como as negociações com Trump para reduzir as tarifas e a isenção do IR, que tende a ter maiores efeitos sociais no próximo ano.
Um giro à direita no regime carioca e Trump
No último período, caracterizamos que o Brasil estava permeado por “elementos de choque à direita nas relações raciais” porque observamos alguns Estado (SP, RJ e BA) tinham uma política de “segurança pública” bastante reacionária. Quando referíamos ao uso desta categoria para analisar a eleição de Bolsonaro e suas hipóteses de desdobramentos nas relações raciais, levávamos em consideração um elemento histórico e outro sociológico, o primeiro refere-se à chegada ao poder pela primeira vez na história do país de um presidente abertamente racista e o segundo se refere às hipóteses referentes ao impacto violento disso na identidade negra e cultura negra.
Com o passar do tempo, houve um aumento da violência policial e ataque à cultura negra, e, nesse sentido, se assentava uma forma mais abertamente racista de lidar com a questão negra no país com aumento de chacinas, elevado número de operações, aumento de assassinato de pessoas negras, etc. A maior chacina da história do Rio não é apenas continuidade deste momento anterior, mas também aponta a uma inflexão importante, porque este tipo de política ganhou legitimidade entre a população segundo apontam as pesquisas sobre a megaoperação.
Diferentemente do momento anterior, agora a ação é diretamente direcionada com o discurso contrário ao “crime organizado”, sendo uma continuidade de uma polícia estruturalmente violenta. Ainda há uma espécie de ataque violento à identidade negra porque a chacina é bem racista, porém, se difere daquele discurso de quando Bolsonaro estava no governo.
O que está acontecendo mais se assemelha com uma busca do bolsonarismo em se relocalizar após alguns revezes apoiando-se nas contradições sociais cariocas, que conjugam racismo, precarização do trabalho, violência social e violência policial para dar vazão a um projeto político bolsonarista próprio no Estado, com o objetivo de localizar Castro ao senado em 2026 e angariar força política frente ao processo de cassação de seu mandato pelo TSE.
Sob esse prisma podemos ver que há outros atores e objetivos em jogo que se fortalecem com o racismo e violência de Estado, mas combinam novos interesses. Os relatórios de Castro para Trump sobre o Comando Vermelho e a ofensiva das polícias e governador carioca contra o “narcoterrorismo” se combinam com a ofensiva de Trump na América Latina.
Recentemente, o governo norte americano através de carta assinada pelo secretário James Sparks da Divisão Antidrogas do Departamento de Justiça norte-americano saudou a chacina com “respeito e admiração” se referindo ao “trabalho incansável das forças de repressão do Estado”, desejou “condolências” aos policiais mortos e se colocaram a “disposição” para qualquer ajuda que Castro julgue necessária. Esse gesto do governo Trump indica que as relações entre Castro e o governo norte americano devem continuar, na medida em que a megaoperação seja bem vista pelo conjunto da população, Trump ganha força em seu projeto de ingerência militar, mas agora com um “novo” alvo, o Brasil.
Os impactos nacionais da chacina
Segundo a pesquisa Genial/Quaest 74% da população brasileira apoiam a equiparação de facções criminosas como terroristas, esse dado deixa evidente as disputas entre frente ampla e o bolsonarismo em torno deste debate que certamente vai seguir na conjuntura política, especialmente agora com Trump elogiando a chacina e se colocando à disposição de Castro.
Não dá para saber como de fato isso vai seguir, mas de todo modo, o governo Lula que num primeiro momento não havia criticado a chacina, mas depois nomeou a “matança” e “desastre” da megaoperação na Penha vem tomando medidas de fortalecimento das forças de repressão. Lula colocou em pauta a discussão da PEC da segurança, a lei anti-facção, aprovou o PL de Sergio Moro que endurece a pena contra o “crime organizado” e decretou GLO para a COP 30, como forma de impedir que a extrema direita capitalize sozinha impacto positivo da megaoperação. E, nesse sentido, tentar disputar a base bolsonarista rumo às eleições de 2026 em que se projeta como candidato.
Se observarmos outros Estados, esse giro à direita tem espaço para crescer, especialmente em lugares onde a política de “segurança pública” combina o aumento do aparato repressivo da polícia com o combate ao “crime organizado”. Segundo a pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação do governo Lula, 72% da população brasileira aprova a megaoperação.
No Ceará existe uma luta aberta contra as facções, principalmente na capital, Elmano de Freitas (PT) criou 7 decretos que aumentam a repressão no Estado e tem 71% de aprovação. Gerônimo Rodrigues (PT) dirige o Estado que mais mata negros no país e tem 59% de aprovação. O bolsonarista Ronaldo Caiado (UB) tem uma política muito reacionária de “segurança pública” retirando direitos de presos e tem aprovação de 88%. O Pará que está entre os 3 Estados com maior letalidade policial, o governador Helder Barbalho (MDB) tem aprovação de 66%. Em Pernambuco, Raquel Lyra aumentou o efetivo de policiais nas ruas, ela que era vista lá atrás na disputa com João Campos favorito, agora já aparece como uma competidora em disputa “acirrada” pelo governo do Estado, segundo analistas.
Decerto, o avanço ou não dessa iniciativa da extrema-direita depende do quanto a chacina impacta na base desses governos e se o tema da “segurança pública” se torna um tema mais nesses Estados, e mais ainda, como isso irá se chocar com as contratendências que vieram favorecendo Lula
Nas pesquisas, a aprovação da megaoperação e das ações violentas da polícia é menor entre mulheres do que entre os homens, sem dúvida o impacto das mães e parentes do Complexo da Penha e do movimento de mães que perderam seus filhos para violência de Estado tem certo nível de apelo social.
O aumento da popularidade de Castro também veio acompanhado do aumento de sua rejeição, que chegou em seu patamar mais alto em comparação ao início de seu mandato. No movimento operário seguem as paralisações e greves a nível nacional contras as privatizações como expressão da residual recomposição das categorias em luta.
Lula, PT e a chacina
O governo federal vem apostando naquelas medidas de endurecimento das leis contra o “crime organizado”, fundamentalmente a lei anti facção e a PEC da Segurança como forma de dialogar com a base bolsonarista e sua própria base, segundo a Genial/Quaest 84% de pessoas que se dizem lulista são a favor da PEC da Segurança e 49% são a favor de enquadrar o “crime organizado” como terroristas.
Segundo analistas, o objetivo do governo Lula seria de neutralizar a proposta de alteração no projeto que altera a lei antiterrorismo para enquadrar as facções como terroristas, já que estariam contempladas nela os principais pontos defendidos pelo bolsonarismo como punições mais rigorosas e a participação do governo federal na “segurança pública” que consta na PEC da Segurança.
Alexandre de Moraes determinou que a PF investigue esquemas de lavagem de dinheiro e as relações com o Poder Público de facções e milícias no Rio de Janeiro com o objetivo de localizar tanto a PF quanto o próprio governo Lula no combate ao “crime organizado”. De certa maneira, tentam redesenhar a “Operação Carbono”, tentando mostrar que a eficiência de uma operação está na investigação e “inteligência” da polícia. Caso a investigação avance para novos mandatos de prisão e desvende os esquemas de lavagem de dinheiro das milícias e facções, o discurso do governo Lula de que houve “matança” e excessos na chacina pode ganhar mais força e com isso abrir mais espaço para ganhar a opinião pública com a PEC da Segurança fortalecendo ainda mais a repressão policial.
As tentativas do governo federal e do PT de não permitir que a chacina abra espaço para uma relocalização do bolsonarismo rumo a 2026 também invadiram o Senado Federal. O PT preside a CPI do crime organizado com o senador Fabiano Contarato (PT-ES) e com Alessandro Vieira (MDB-ES) na relatoria. Apesar da escolha não ter agradado o PL, Contarato não é visto com maus olhos pela direita já que defende o reacionário projeto de lei proposto por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que aumenta a pena para menores. O objetivo é que nada saia do controle, isto é, as relações entre Estado e o Comando Vermelho e milícias permaneçam intactas, na medida em que a CPI é presidida por um ex-delegado a favor do endurecimento de penas e maior repressão policial.
Num sentido parecido, o governo Lula criou o “Escritório de Combate ao Crime” com Cláudio Castro como forma de não deixar que o bolsonarismo se fortaleça com a única força “consequente” que combate o “crime organizado”. Além de ter criado o projeto de lei anti-facção que foi encaminhado ao Congresso.
Ao mesmo tempo, a ministra dos Direitos Humanos, Conceição Macaé e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco vem junto ao movimento social, especialmente a CUFA, fazendo um movimento aparentemente distinto de ir até o Complexo da Penha ouvir os moradores e suas denúncias de violação de direitos humanos logo após a chacina. Benedita da Silva, Leonel de Esquerda e outros parlamentares do PT e PSOL também estiveram presentes endossando as denúncias contra a chacina.
Decerto, para o governo Lula e o PT os desdobramentos políticos da chacina carioca colocaram na ordem do dia a necessidade de dialogar com um amplo setor da população que cotidianamente é afetada pela violência policial, tráfico e milícias, mas que defende aumento da repressão policial. O governo Lula no último período ajudou pavimentar esse caminho enquanto combinava em seu governo dois tipos de política diametralmente oposto, mas que se complementam, isto é, de um lado o combate ao “racismo institucional” com a estatização ou institucionalização da questão negra através do Ministério da Igualdade Racial e de uma ministra negra no Ministério dos Direitos Humanos; de outro adoção de políticas como a promulgação da Lei Orgânica da PM e BM, bem como o próprio governo de Jerônimo Rodrigues que tem política de “segurança pública” abertamente racista e repressiva.
Nesse sentido, o governo Lula em sua preparação para as eleições de 2026 combina dois tipos de política que servem para alentar sua base social e ao mesmo tempo disputar a base do bolsonarismo. Por um lado, Lula vem adotando medidas como a isenção do IR e o “Pé de Meia” e recentemente a declaração do Haddad em relação ao estudo sobre a tarifa zero no transporte público, demonstrando características reformistas de seu governo o qual tem se fortalecido desde as disputas com Trump e o tarifaço. Por outro lado, esse novo elemento da conjuntura de maior aceitação de operações policiais como a chacina do Complexo da Penha, fez com que o governo Lula adotasse medidas de direito com o aumento das forças repressivas como a decretação da GLO na COP 30, endurecimento de penas para o “crime organizado” com a promulgação do PL de Sergio Moro e tem se mostrado aberto a negociar com a extrema direita no que toca o tema da “segurança pública”. Na realidade, essa política tem expressões de continuidade da política anterior com o governo Jerônimo na Bahia e o apoio que Lula deu às privatizações de Tarcísio que eram acompanhadas com chacina na Baixada Santista.
Esse duplo movimento do governo Lula, mostra não apenas como está disposto a adotar cada vez mais diálogo com o programa da extrema-direita, ao invés de combater ideologicamente as bases sociais e políticas que favorecem essa maior aceitação da violência de Estado como forma de combater a falsa “guerra às drogas”.
Comando Vermelho e “narcoterrorismo”
As disputas nacionais entre bolsonarismo e a frente ampla em torno da chacina devem ser mediadas a partir da própria conjuntura regional carioca. Cláudio Castro saiu fortalecido com a chacina que se expressou na aprovação da repressão policial, mas também no próprio apoio de Trump à chacina. Certamente, Castro conseguiu abrir caminho para sua eleição ao Senado, mas ainda não conseguiu “vencer” as frentes de batalhas a que se propôs enfrentar e que seguem em aberto. Recentemente, Cláudio Castro informou que tem um cronograma de operações policiais contra o Comando Vermelho. A nova correlação de forças provocada pela chacina abre a possibilidade não apenas dele se fortalecer ainda mais frente ao cenário de 2026, mas também de iniciar uma empreitada contra o Comando Vermelho, especialmente nas regiões que eram bastiões históricos das milícias cariocas.
O giro político à direita no regime carioca, favorece Castro em sua empreitada contra o Comando Vermelho, quanto mais chama a organização criminosa com “narcoterrorista” seu governo ganha mais legitimidade com o apoio internacional dos Estados Unidos. Se o combate ao “crime organizado” vai ganhar contornos sociais de um combate ao “narcoterrorismo” como um problema continental aos olhos do imperialismo ianque, ainda não dá para saber. Mas de qualquer forma, o resultado político da chacina criou no cenário internacional um ponto de apoio novo para as disputas entre Estados Unidos e China frente à influência chinesa na América Latina. Nesse momento, a Casa Branca e o Pentágono têm um governo colaborador político direto de seus interesses, posição que Pequim não tem, ao mesmo tempo, tenta impor sua política intervencionista contra o "narcoterrorismo", ainda que de forma inicial, ao mesmo tempo fortalece a ala bolsonarista depois de terem saído enfraquecidos com as medidas de taxação da economia brasileira.
Outro cenário que segue em aberto é a configuração que a “empreitada” contra o Comando Vermelho vai seguir a nível nacional, especialmente porque a organização criminosa encontra-se em franca expansão no Norte e Nordeste do país. Analistas apontam que esse processo se desenvolveu por conta da forma mais “fácil” de associação a outros grupos regionais que o Comando Vermelho tem em relação ao PCC, por ser mais “descentralizado” e assim incorporar facilmente outras organizações pequenas. Ainda que essa análise possa ajudar na reflexão sobre a dinâmica que o grupo tomou nos últimos anos em regiões do país que não existia, certamente isso foi acompanhado de uma maior permissibilidade do próprio Estado que lucra não apenas com o tráfico de drogas, mas também com a proibição das drogas e que vê com bons olhos sua expansão.
Mas de qualquer forma, a opinião pública vem chamando atenção na chacina do Rio de Janeiro de que tinham vários chefes de tráfico de outros Estados mortos na chacina. Isso não é um detalhe e abre espaço para uma “cruzada” contra o Comando Vermelho nacionalmente que não necessariamente favorece os objetivos políticos do bolsonarismo em seu discurso contra o “narcoterrorismo”. Isso porque a PEC da Segurança tem o objetivo de nacionalizar o combate ao “crime organizado” com uma diretriz para a “segurança pública” mais nacional, o que pode deixar no “colo” da frente ampla o combate ao Comando Vermelho, tirando os holofotes de Castro.
A milícia da zona oeste perdeu bastante espaço desde o fim do governo Bolsonaro, principalmente onde o Comando Vermelho tomou areas históricas daquela milicia ligado ao bolsonarismo como Muzema, Curicica, alguns lugares de Jacarepaguá etc, onde inclusive está o Escritório do Crime, envolvido no assassinato da Marielle. A chacina ajuda também a tentar mudar essa correlação de forças, não à toa entre as favelas que já tem operações com autorização judicial estão Rocinha, a Cidade de Deus, o Complexo da Maré e o Complexo de Israel (esta última comandada pelo TCP).
De todo modo, Castro também viu uma possibilidade de se fortalecer politicamente frente ao processo de cassação de seu mandato no TSE, a chacina apareceu com uma resposta que fortaleceu Castro daqui em diante, na medida em que pode dar continuidade às operações das polícias em favelas, tem o objetivo de se “blindar” a qualquer eventual cassação caso consiga transformar o apoio às operações em apoio político ao seu mandato.
Em resumo, no Rio de Janeiro está em jogo a possibilidade de uma reconfiguração territorial do Comando Vermelho que certamente deve abrir caminho para as milícias cariocas que têm sido reduto das relações espúrias entre “crime organizado” e bolsonarismo. Se de fato Castro vai conseguir alcançar todos esses objetivos, isso está em aberto, especialmente porque sua rejeição também aumentou com a chacina e por conta dos limites ao giro à direita apontados anteriormente.
Conclusão
As disputas políticas nacionais em torno da chacina mostram que a extrema-direita está disposta a fazer barbaridades em níveis inauditos com a maior chacina da história do Rio de Janeiro, como forma de fortalecer o trumpismo na América Latina e iniciar um movimento de ofensiva política rumo às eleições de 2026, com o apoio de parte da opinião pública e de setores da classe dominante. Ao mesmo tempo, tem elementos da conjuntura política nacional que colocam limite para esse avanço, como a própria prisão de Bolsonaro e elementos sociais à esquerda (como o grande apelo contrário à escala 6x1) que demonstram os limites do giro à direita no regime carioca.
Mas o fato é que não podemos confiar em saídas para o problema da violência social no Brasil se aliando com a extrema direita ou adotando seu programa de combate ao “crime organizado”. As disputas nacionais e regionais em torno da chacina deixa escancarado que quanto mais abre espaço para o fortalecimento das forças de repressão no país, mais se abre espaço para que a ideologias reacionárias e racistas alimentadas pela extrema direita não apenas sigam se fortalecendo, mas também se tornam ponto de apoio para os objetivos do trumpismo na América Latina.
Essas ideias precisam ser combatidas com a força da classe operária em aliança com os setores oprimidos da sociedade numa perspectiva abertamente anti-imperialista e independente do governo Lula. É preciso combater também a mentira das “guerras às drogas” que mantém intactos os laços mais importantes entre o tráfico de drogas e o Estado, além de deixar impunes os grandes empresários que lucram com a proibição de todas as drogas. Por isso, devemos seguir batalhando na luta por justiça a todas as vítimas da violência policial e pelo fim das operações, bem como que a força da nossa mobilização possa tirar Castro do governo com total independência das instituições como STF e TSE.