Capa: Mercado Livre: trabalho, território e poder

Mercado Livre: trabalho, território e poder

Compartilhe este artigo

Artigo publicado originalmente em espanhol no dia 19/08/2026 para o Ideas de Izquierda Argentina

A multinacional Mercado Livre ostenta poder tecnológico, logístico e financeiro, mas sua operação depende da força de trabalho e de vantagens territoriais sustentadas com recursos públicos. Os conflitos em torno de seu principal centro logístico mostram onde podem ser interrompidos os circuitos de seus lucros e por que é necessário construir uma resposta comum a partir de baixo.

Da “nuvem” a La Matanza

O poder das grandes corporações tecnológicas, chamadas Big Tech, costuma aparecer como algo imaterial situado na “nuvem”. Uma aproximação ao centro de distribuição instalado em 2019 no Mercado Central de Buenos Aires permite trazê-lo para a terra. Cada compra concluída em segundos depende do armazenamento e daqueles que carregam, classificam e transportam os pacotes em todas as direções. A instalação da empresa em La Matanza não é casual. A numerosa força de trabalho do distrito, sua acessibilidade metropolitana e sua infraestrutura são condições necessárias para seu negócio. Estima-se que até 3.000 pessoas cheguem a trabalhar no centro logístico, com predominância de contratos temporários e alta rotatividade (Atzeni, 2023).

Nos últimos dias, notícias sobre a empresa de Marcos Galperín circularam nas redes sociais porque usuários do Mercado Pago denunciaram a utilização de sua agenda de contatos para pressionar e extorquir pelo pagamento de dívidas. Isso ocorre em um contexto de grande endividamento das famílias, mas no qual aumentaram as receitas provenientes dos créditos a taxas usurárias do Mercado Pago. Essa é a face financeira do poder do Mercado Livre.

Esta nota concentra-se no conflito da dimensão logística de sua atividade. Reconstrói quatro episódios ocorridos em torno do centro de distribuição entre 2020 e 2024. Houve outras reivindicações em áreas e operações do Mercado Livre que extrapolam este recorte. Aqui interessam aqueles que tiveram como ponto de concentração o depósito do Mercado Central e seus acessos. Embora não tenham constituído uma organização contínua ou comum, deles participaram sindicatos, trabalhadores terceirizados, jovens trabalhadores temporários demitidos e organizações sociais, com demandas e métodos diferentes. Todos atuaram sobre esse mesmo nó logístico.

Bloqueios, demissões e protestos

O primeiro conflito público ocorreu em julho de 2020, durante a pandemia, quando o comércio eletrônico crescia aceleradamente. O Sindicato dos Caminhoneiros bloqueou diferentes centros de distribuição do Mercado Livre, incluindo o de La Matanza, denunciando irregularidades entre motoristas e transportadores envolvidos nas entregas: contratação como autônomos pelo regime de monotributo, veículos irregulares e ausência de férias e décimo terceiro salário. Além disso, o sindicato sustentava que parte das tarefas e do transporte deveria estar submetida à sua representação sindical. A medida interrompeu a saída de mercadorias e, segundo a empresa, chegaram a se acumular cerca de 200.000 pacotes sem distribuição (Infobae, 16 de julho de 2020; iProfesional, 17 de julho de 2020).

O Mercado Livre havia firmado, em 2019, um polêmico acordo coletivo por empresa, com a cumplicidade da União dos Trabalhadores de Carga e Descarga. Além de questionar a representação do setor, o Sindicato dos Caminhoneiros denunciou que o próprio acordo coletivo em questão estava encobrindo uma reforma trabalhista de fato, uma vez que permite uma organização flexível da jornada, estabelece um banco de 192 horas mensais, compensação dos excessos entre períodos, descansos rotativos e polivalência funcional (multiplicidade de tarefas). Ao mesmo tempo, deixa de fora os trabalhadores de empresas contratadas e subcontratadas. A precarização do esquema fica evidente na coexistência de diferentes regimes de contratação, níveis de estabilidade e direitos dentro de um mesmo estabelecimento. Pontoni caracteriza essa operação como um ecossistema logístico ampliado, por meio do qual a empresa contorna as regulamentações trabalhistas (Pontoni, 2024). Por sua vez, o acordo flexível por empresa coloca em questão a capacidade de representação coletiva diante das novas formas de gestão do trabalho (Filipetto e Pontoni, 2020). O episódio não foi apenas uma disputa entre direções sindicais, uma vez que as denúncias sobre registro formal e condições de trabalho remetiam a problemas reais. Mas isso tampouco transforma automaticamente a intervenção do Sindicato dos Caminhoneiros em expressão direta dos trabalhadores do depósito. Permaneceu em aberto a questão sobre quem representa o conjunto daqueles que sustentam a operação e como eles próprios participam dessa decisão.

Houve um novo episódio em julho de 2021, quando cerca de cem pessoas ligadas à segurança privada do centro bloquearam a entrada do empreendimento. Elas trabalhavam para a Siseg, uma empresa contratada que prestava serviços ao Mercado Livre. Denunciaram atrasos salariais, contribuições não pagas e o risco de perder seus postos de trabalho. O protesto atrasou os veículos durante toda a manhã e foi encerrado antes do meio-dia (La Nación, 7 de julho de 2021).

Em maio de 2023, trabalhadores temporários que haviam sido demitidos divulgaram suas denúncias por meio da conta do Instagram “Despedidos x Meli”, com o lema “Fuck Meli” (em alusão ao nome que a empresa utiliza internamente como abreviação de “Mercado Livre”). Eles haviam ingressado no centro por meio da empresa de trabalho temporário Randstad, com contratos de três a seis meses. Relataram mudanças de horário, exigências físicas, pressão para atingir metas de produção e desligamentos comunicados por telefone ou WhatsApp. Para a empresa, “somos apenas mais um número”, resumiu um deles. Utilizaram as redes sociais para reconstruir publicamente uma experiência dispersa e reivindicar explicações, melhores salários e efetivação. (La Izquierda Diario, 12 de maio de 2023).

Até então, os conflitos haviam surgido no contexto das relações de trabalho. Em 2024, o questionamento social veio do território. Em 30 de outubro daquele ano, durante a greve nacional dos transportes, organizações sociais de La Matanza se manifestaram em frente ao centro de distribuição. Denunciaram a política econômica do governo de Javier Milei e contrastaram os benefícios recebidos pelo Mercado Livre com o crescimento da fome nos bairros (La Nación, 30 de outubro de 2024).

Diante desse protesto social que havia escolhido a multinacional como alvo, a Gendarmaria avançou para liberar o acesso no momento em que um grupo tentou atear fogo em pneus. Houve repressão com gás e disparos de balas de borracha (El1Digital, 30 de outubro de 2024). Os organizadores denunciaram pelo menos uma pessoa ferida. A discussão, dessa vez, dizia respeito à enorme assimetria entre a grande corporação e o território, do qual muitos jovens acabam se tornando empregados. Essa reivindicação, que também questionou o bloqueio e denunciou uma desigualdade evidente, tampouco implicou uma coordenação com aqueles que trabalhavam no interior. Pode ser lida também como uma resposta popular que questiona, a partir do território, um desenvolvimento urbano percebido como desigual (Cravino, 2021).

Em termos de Charles Tilly, esses episódios podem ser compreendidos como formas descontínuas e contenciosas de ação coletiva. Bloqueios, concentrações e denúncias públicas pertencem a um repertório compartilhado, mas cada grupo os utilizou com recursos e objetivos próprios. O ciclo não se sustenta de forma permanente nem sob uma organização comum (Tilly, 2000).

Trabalho, território e poder

Os quatro episódios intervieram sobre o centro de armazenamento e distribuição de maneiras distintas. O bloqueio sindical de 2020 interrompeu a saída de pacotes, o protesto dos trabalhadores da segurança atrasou os veículos e os demitidos de 2023 fizeram uma denúncia pública sobre o que ocorre dentro do estabelecimento. Por sua vez, a mobilização de 2024 evidenciou a existência de uma desigualdade social em um território atravessado pela precariedade da vida e foi reprimida pelo Estado. Embora nem todas as reivindicações tenham paralisado as operações e nem todos os seus protagonistas fossem trabalhadores do Mercado Livre, diferentes estratégias foram empregadas para dar visibilidade às suas demandas. Ao mesmo tempo, os conflitos revelam as condições mais gerais que sustentam a operação da empresa.

A expansão do Mercado Livre apoia-se nessa localização estratégica e em recursos públicos que foram consolidando sua operação. Em 2018, a Plaza Logística obteve uma concessão por trinta anos para desenvolver, no Mercado Central, o parque logístico onde a empresa se instalou. A isso somam-se os benefícios fiscais que o Mercado Livre recebe desde 2007 e que, sob diferentes regimes, foram mantidos pelos sucessivos governos. Nos balanços correspondentes aos exercícios de 2021 a 2025, a própria empresa contabilizou 387 milhões de dólares em benefícios vinculados ao imposto de renda e às contribuições patronais. Sobre o centro logístico, também deveriam ser tornados públicos dois dados elementares: quanto o Mercado Livre paga para ocupar as instalações e quanto recolhe em tributos ao município de La Matanza. A exigência ganha ainda mais relevância porque uma investigação da Revista Crisis informou que, em 2019, o valor associado à concessão era de apenas 2,78 pesos por metro quadrado (Revista Crisis, 23 de julho de 2021).

A importância estratégica desse centro logístico decorre de sua localização excepcional, no Mercado Central de Buenos Aires, uma entidade pública compartilhada pelo Estado nacional, pela província de Buenos Aires e pela Cidade de Buenos Aires. Sua conexão com a Avenida General Paz e com os principais corredores metropolitanos, juntamente com os investimentos públicos (registrados em um relatório de gestão de 2019) realizados nas vias internas, acessos e iluminação, fazem parte das condições materiais que sustentam a operação. A velocidade e a eficiência das entregas apoiam-se nesse espaço construído e mantido com recursos estatais. Nesse sentido, a urbanização é decisiva para a acumulação de capital: a localização estratégica e as infraestruturas previamente produzidas convertem-se em condições da valorização privada (Harvey, 2013). Essas condições territoriais também explicam por que uma interrupção nesse nó pode produzir efeitos que o ultrapassam.

A eficiência das cadeias logísticas depende de fluxos contínuos e de prazos cada vez mais ajustados; por isso, uma interrupção em um nó pode se propagar como um efeito dominó sobre o conjunto da rede (Moody, 2019). Essa concentração oferece um poder potencial, já que, quando um nó é interrompido, uma rede extensa sente o impacto. Em termos de Womack, essa capacidade de interromper um ponto do processo define uma posição estratégica da força operária (Womack, 2023). A escala do conflito é, nesse sentido, múltipla: concentra-se em uma planta específica, mas atinge uma empresa e uma rede de alcance regional (Martí i Costa e Bonet i Martí, 2008).

O bloqueio de 2020 mostrou que o Sindicato dos Caminhoneiros conseguiu atingir um ponto nevrálgico da operação e que suas denúncias sobre a precarização não eram inventadas. Mas esse potencial ficou limitado pela estratégia burocrática de sua direção. A medida não surgiu de assembleias ou de organismos eleitos pelos trabalhadores da planta: o Sindicato dos Caminhoneiros interveio de fora, como aparato sindical, e subordinou reivindicações reais a uma disputa pelo enquadramento sindical. Tampouco construiu um plano de luta sistemático e sustentado. Depois de um bloqueio de grande impacto, as ações foram descontínuas e a direção transferiu o conflito para o âmbito administrativo e judicial. A Câmara Nacional de Apelações do Trabalho acabou rejeitando seu recurso e ratificou a validade do acordo entre o Mercado Livre e o sindicato de Carga e Descarga.

Ao mesmo tempo em que a atividade se concentra em um nó territorialmente estratégico, a força de trabalho encontra-se dividida. Cada reivindicação encontra um interlocutor diferente: Mercado Livre, a agência Randstad, a terceirizada Siseg, as empresas transportadoras etc. A corporação conserva o comando geral, enquanto as responsabilidades aparecem convenientemente distribuídas. A coexistência de trabalhadores diretos, temporários e terceirizados pode ser lida como parte de uma morfologia do trabalho marcada pela extensão da precarização e por novas formas de controle sobre uma força de trabalho fragmentada (Gutiérrez Rossi e Varela, 2024). Para Atzeni, neste caso, a combinação de intermediação laboral, temporalidade e alta rotatividade de trabalhadores jovens busca atomizar o coletivo e impedir a organização pela base. Para superar as divisões impostas pelas empresas e pelas direções sindicais (que representam apenas seus filiados), surge como conclusão a necessidade de organismos de auto-organização a partir de baixo e de coordenação com outros setores em luta.

O contraste com o entorno também faz parte dessa configuração territorial. Em frente à planta encontram-se assentamentos populares de Villa Celina registrados pelo Registro Nacional de Bairros Populares. A coexistência entre um dos principais nós logísticos do Mercado Livre e um território atravessado por fortes desigualdades trabalhistas e urbanas permite observar, em um espaço muito reduzido, o contraste entre a concentração de recursos necessária à operação logística e as condições de reprodução social existentes em seu entorno. De uma perspectiva institucional, esse contraste pode ser pensado como expressão de uma ordem urbana na qual as normas e regras sobre o uso dos bens coletivos permitem um aproveitamento privado do espaço público (Duhau e Giglia, 2004).

Uma causa popular contra o Mercado Livre

Entre 2020 e 2024, houve conflitos em torno do centro logístico de La Matanza. Esse nó encerra a potencialidade de paralisar uma rede muito maior, em extensão, dos processos de uma das maiores empresas logísticas da América Latina. No entanto, essa potencialidade não se concretizou diante de uma oposição desigual, fragmentada e descontínua. Cada episódio denunciou uma peça do poder corporativo: o enquadramento sindical, a terceirização, a rotatividade dos trabalhadores temporários e a desigualdade no território. Embora nem todas as reivindicações tenham paralisado as operações e nem todos os seus protagonistas fossem trabalhadores do Mercado Livre, diferentes estratégias foram empregadas para dar visibilidade às suas demandas. Bloqueios, concentrações e denúncias públicas pertencem a um repertório compartilhado, mas cada grupo os utilizou com recursos e objetivos próprios. Essa potencialidade ficou limitada pela falta de uma organização e coordenação a partir de baixo que confronte os interesses da empresa e unifique as reivindicações desses setores contra ela.

A infraestrutura logística da empresa foi construída sobre decisões políticas do Estado que lhe garantiram benefícios, isenções e condições favoráveis para sua expansão. Essas mesmas decisões, mantidas por diferentes governos, entretanto, priorizam os lucros desses empresários, enquanto nos bairros populares que cercam seus depósitos faltam moradias dignas e infraestrutura básica. A precarização, portanto, não se limita aos trabalhadores do centro, mas também atravessa as famílias trabalhadoras do entorno, por meio da precarização da vida. Diante disso, unificar as reivindicações desses setores exige romper com a fragmentação: aquela imposta pela própria empresa, mas também a das lutas isoladas e a das direções sindicais que se limitam às reivindicações corporativas de seus próprios filiados.

Construir uma causa popular contra uma corporação desse tamanho exige partir dessas experiências para buscar superá-las por meio de uma estratégia capaz de unir trabalhadores efetivos e temporários, funcionários próprios e terceirizados, trabalhadores do depósito e do transporte. Também é necessário estabelecer pontes com as organizações e os bairros do território em torno dos interesses comuns que unem essa luta contra um adversário que concentrou, com o respaldo do Estado, poder econômico, político e territorial. Essa causa contra a precarização do trabalho e da vida precisa apoiar-se em formas de auto-organização a partir de baixo, impulsionando assembleias, comitês ou instâncias democráticas próprias do conjunto dos trabalhadores do centro e coordenando-as com trabalhadores e organizações dos bairros próximos, para que deliberem, decidam e atuem em conjunto com aqueles que enfrentam a empresa no território.

Essas experiências revelam por que essa organização é necessária e onde ela poderia se apoiar, já que são os trabalhadores que geram o lucro da empresa. A mesma rede que a empresa projetou para acelerar o comércio possui pontos vulneráveis e, se os trabalhadores interromperem o funcionamento do nó, paralisam uma rede muito mais ampla. Galperin pode comprar publicidade para que sua marca apareça em todos os lugares e falar em nome da “liberdade de mercado”, mas a palavra final será daqueles que fazem a operação funcionar. O desafio é reconhecer essa força de unidade e levantar uma causa popular contra a corporação Mercado Livre.

Bibliografía

Atzeni, M. (2023). El proceso laboral y los derechos de los trabajadores en Mercado Libre: ocultando la explotación mediante la regulación en la economía digital. Work in the Global Economy, 3(2), 181-200. Cravino, M. C. (2021). Conflictos urbanos en asentamientos populares y ciudadanía. Avá. Revista de Antropología, (38), 41–63. Duhau, E., & Giglia, Á. (2004). Conflictos por el espacio y orden urbano. Estudios Demográficos y Urbanos, 19(2), 257–288. Filipetto, S. M., & Pontoni, G. A. (2020). Relaciones laborales y economía de plataformas. El caso de MercadoLibre en la Argentina reciente. Realidad Económica, (335), 15-44. Harvey, D. (2013). Ciudades rebeldes: Del derecho de la ciudad a la revolución urbana. Akal. Martí i Costa, M., & Bonet i Martí, J. (2008). Los movimientos urbanos: de la identidad a la glocalidad. Scripta Nova. Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales, 12(270), Artículo 121. Moody, K. (2019). “Labour and the contradictory logic of logistics”. Work Organisation, Labour & Globalisation, 13(1), 79–95. Palermo, H. M. y Ventrici, P. (2023). El ADN emprendedor: Mercado Libre y el devenir tecnoneoliberal. Editorial Biblos. Pontoni, G. A. (2024). “El lado B de MercadoLibre” en Argentina. Estrategias de explotación laboral en los servicios logísticos del gigante tecnológico. Sociología del Trabajo. https://dx.doi.org/10.5209/stra.101774 Tilly, C. (2000). Acción colectiva. Apuntes de Investigación del CECYP, (6), 9–32. Gutiérrez Rossi, Gastón y Varela, Paula (2024). “¿Hacia dónde va el trabajo? Apuntes sobre la clase trabajadora global”. En Paula Varela, Gastón Gutiérrez Rossi y Mariela Cambiasso (coords.), ¿Hacia dónde va el trabajo?: informalidad, digitalización y reproducción social en América Latina. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CEIL-CITTA. Womack, J., Jr. (2023). Labor power and strategy (P. Olney & G. Perusek, Eds.). PM Press.

Referências jornalísticas

Federico Orchani, Natalia Gelós y Nicolás Perrupato, “¿Por qué sube el precio de los alimentos en Argentina?”, Revista Crisis, 23 de julio de 2021. Infobae. (2020, 16 de julio). El sindicato de Camioneros de Moyano bloquea depósitos de Mercado Libre y peligra la entrega de productos. Infobae. iProfesional. (2020, 17 de julio). ¿Compraste por Mercado Libre?: esta es la gran cantidad de paquetes frenados por Camioneros. iProfesional. La Nación. (2021, 7 de julio). Mercado Libre: un grupo de trabajadores de seguridad bloqueó el centro logístico de la empresa. La Nación. La Izquierda Diario. (2023, 12 de mayo). Precarización laboral. Trabajadores de Mercado Libre denuncian despidos: “Nos echan por llamada”. La Izquierda Diario. La Nación. (2024, 30 de octubre). Paro de transporte: la Gendarmería utilizó gases para frustrar una protesta piquetera frente a una sede de Mercado Libre (Villa Celina, La Matanza). La Nación. El1Digital. (2024, 30 de octubre). Tapiales: tensión entre manifestantes y Gendarmería en el depósito de Mercado Libre en el Mercado Central. El1Digital.