Ao assim proceder, o projeto [Projeto de Lei Complementar 12] aceita e legaliza a exigência essencial das plataformas, qual seja, que o trabalhador, uma vez considerado “autônomo”, se mantenha à margem da totalidade da legislação protetora do trabalho no Brasil. Acolhe e consente que a regulamentação proposta seja para legalizar a desregulamentação, uma vez que forja a desaparição e faz evaporar a condição real de subordinação e de assalariamento, isto é, a efetividade real que molda o trabalho em plataformas, cuja concretude evidencia ao limite o reconhecimento inescapável da subordinação do trabalho.A insustentabilidade desse discurso patronal gera inevitavelmente uma reação, e a confirmação da ideia de Marx de que o capitalismo cria seus próprios coveiros começa a se reatualizar com muito mais força. E o Breque foi até a sede da IFood em Osasco mostrar que as pás e picaretas estão nas mãos dos entregadores. Contra a vontade da IFood, os trabalhadores bateram o pé e só saíram de lá quando foram ouvidos. E, com a ausência de devolutiva de suas demandas, com a IFood até agora se mantendo no mais profundo silêncio, saíram prometendo a organização de mais paralisações e manifestações. Além dos entregadores, inúmeras outras categorias vêm se mobilizando contra a piora crescente de suas condições de vida:
- As greves de mais de 100 dias dos técnicos administrativos das universidades federais se enfrentaram diretamente contra o Arcabouço Fiscal do governo Lula-Alckmin, que dá continuidade à política de cortes e ajustes do golpe institucional de 2016 e da extrema-direita. Além é claro da greve dos servidores federais do Ibama, ICMbio e INSS.
- Os metroviários foram protagonistas de três fortes greves que tiveram apoio massivo da população, sendo uma delas unificada com trabalhadores da sabesp e ferroviários, contra o projeto nefasto de privatização e terceirização do governo de extrema direita de Tarcísio em São Paulo;
- Os municipários estão em uma greve exemplar contra Sebastião Melo e sua política de arrocho salarial;
- Professores e indígenas do Pará se unificaram na luta com greve e ocupação contra os ataques de Barbalho e até mesmo se enfrentaram com o Ministério Indígena do governo Lula;
- A luta dos petroleiros que estão mobilizados contra o ataque da Petrobrás ao trabalho híbrido e contra as terceirizações obteve conquistas parciais;
- Os trabalhadores terceirizados da USP tiveram uma conquista excelente na luta contra a precarização e a segregação existente nos ônibus circulares da universidade, a partir de uma forte campanha impulsionada pelo Sintusp junto a intelectuais e entidades;
- E, não podemos esquecer, o forte movimento pelo fim da escala 6x1, um símbolo monstruoso de como os capitalistas nos veem como seres descartáveis e simples máquinas laborais que nem direito ao descanso existe.