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Poemas de uma estudante de Ensino Médio ao assistir "Ainda estou aqui"

08.12.2024

Parte da edição: 08.12.2024

Publicamos abaixo os poemas de Bella Mariano, estudante do Ensino Médio, após assistir o longa metragem, aclamado pela crítica internacionalmente, "Ainda estou aqui". O filme, baseado no livro do escritor Marcelo Rubens Paiva, retrata o desaparecimento político do ex-deputado Rubens Paiva durante a ditadura militar e os dramas de sua esposa Eunice Paiva, interpretada brilhantemente por Fernanda Torres, e sua família para lidar com o fato.

Asas quebradas

Na noite escura da repressão, Ecoa o peso da opressão. Um país amordaçado, sem voz, Onde cada suspiro desafia algoz.

Os livros queimados, ideias em cinza, Sonhos que o medo aprisiona e reprisa. Cada palavra vira ameaça velada, Cada olhar, uma luta calada.

Nas ruas, a marcha de passos pesados, Nos lares, segredos em sussurros guardados. Jovens sonhadores, de olhos ardentes, Desafiam os muros, são insurgentes.

Mas o preço é alto, o risco é real, O futuro é incerto, o medo, fatal. A tortura espreita em salas vazias, Enquanto o silêncio preenche os dias.

Ainda assim, nas sombras, a chama persiste, Uma fé teimosa que nunca desiste. Pois a liberdade, embora ferida, Renasce, insubmissa, mesmo abatida.

As asas quebradas voltam a crescer, Na força do povo que aprende a vencer. E quando o amanhã enfim se erguer, Será com a coragem de quem quis viver.

No fim, a ditadura é apenas um tempo, Mas a liberdade é eterno alento. Ela rompe os grilhões, cruza os portões, E floresce nos campos, em novas canções.

O sopro da farça

Certa voz, de timbre rude, Ergue-se em tom de plenitude, Dizendo-se guia, farol, razão, Enquanto semeia a divisão.

Exalta o aço, a sombra do fardo, De um nome antigo, sombrio e amargo. Como se o peso da dor e do pranto Fosse história limpa, sem desencanto.

Há quem se chame “terror”, em desdém, Como se a bravata falasse além. Mas o grito ecoa em silêncio aflito: E quem aterroriza o povo bendito?

Na tela do sonho, pintou-se a mudança, Mas o quadro revelou desesperança. Prometeu o pão, serviu o rancor, Fez-se do medo o seu condutor.

Cegos aplaudem o manto ilusório, Esquecem da fome, do chão ilusório. A mesa vazia, a mãe que implora, Enquanto o “mito” sorri e ignora.

Na chuva de ouro que não veio do céu, Há quem ainda veja anjos ao léu. Mas a lama sobe, invade a visão, Enquanto se erguem muros na nação.

E o tal “terror”, que tanto proclamou, Deixou um legado que o tempo mostrou: Não é a bravata que constrói a história, Mas a justiça que traz a vitória.

O povo, que luta, é quem há de lembrar, Que o tempo das trevas não há de durar. Pois mesmo na sombra de tempos sombrios, A luz resiste, entre muitos brios.