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Sudão: um ponto de disputa entre a guerra e a luta de classes

23.11.2025

Parte da edição: 23.11.2025

Este é um artigo que pretende debater as raízes históricas, econômicas e sociais da crise que se abriu no Sudão em 2023, a partir do conflito entre as milícias de Hemedti (RSF) e o Exército regular liderado por Al Burhan, no qual jogam os interesses das burguesias locais, mas também de potências imperialistas e estrangeiras. É uma das maiores crises humanitárias do mundo, com milhares de mortos e milhões de afetados.
Al Amal (الأمل), “Esperança”, é o nome de uma música do álbum “Beja Power” (2022), do famoso grupo de soul sudanês Noori & His Dorpa Band, da etnia Beja, localizada na costa africana do Mar Vermelho e historicamente oprimida pelo Estado e por potências estrangeiras. Ela é expressão de um dos inúmeros exemplos de resistência dos povos de toda a região que hoje conforma o Sudão. Esperança é parte do que há e do que devemos ter, no momento em que o país passa por um dos capítulos mais sangrentos de sua história. O país está dividido entre duas frações militares que levam a cabo uma guerra civil, iniciada em abril de 2023, mas que tem raízes muito mais profundas. Os embates entre as milícias de Forças de Apoio Rápido (RSF, em inglês), comandadas pelo Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como “Hemedti”, e o Exército Regular Sudanês (SAF), comandado pelo General Abdel Fattah al-Burhan, são responsáveis por pelo menos 150 mil mortos e 15 milhões de refugiados, seja internamente (11,3 milhões), fugindo da região de Darfur (controlada pelas RSF), ou para países vizinhos como o Chade, República Centro-Africana e Etiópia. Atualmente, cerca de 30 das 50 milhões de pessoas no Sudão necessitam de ajuda humanitária, sendo 16 milhões de crianças. 80% do sistema de saúde nacional não funciona. No Chade, 87% dos refugiados são mulheres e crianças. Os números e as imagens, como imagens de satélite de corpos e valas comuns no mapa de Al-Fashir, mostra os horrores deste genocídio. É uma das maiores crises humanitárias do mundo. [caption id="attachment_3061" align="aligncenter" width="429"] Mapa do Sudão, mostrando o controle territorial de cada fração Sudan has vast oil, gold and agricultural resources. Who controls them? | Sudan war News | Al Jazeera[/caption] O desencadeamento do conflito se deu após as tentativas fracassadas de  estabelecer um governo de transição entre os militares após a queda do governo também militar de Omar al Bashir em 2019, pelas mãos das mobilizações populares. O fracasso de instaurar um governo de transição já é uma amostra das impossibilidades dos militares e da própria burguesia de dar uma resposta às massas, que hoje sofrem enormemente pela disputa de duas forças reacionárias. Um conflito com raízes históricas muito mais profundas A crise humanitária que vive o Sudão não se deve a nenhum tipo de “incapacidade” própria de se autogovernar, ou de uma miséria natural que abate os povos da região, como propagandeiam as teorias racistas de ontem e de hoje. A crise no Sudão tem raízes que retomam à sua colonização com a Partilha da África em 1885. A partir de 1898, os britânicos passaram a ocupar o Sudão e administrá-lo junto ao Egito, formando uma espécie de protetorado, movendo uma guerra colonial contra as forças mahdistas (de Maomé Amade, então líder sudanês) e estabelecendo sua vitória, com o apoio do Egito, do Império Etíope e do Reino da Itália, após a Batalha de Omdurman. Àquela altura, o Sudão passou a ser controlado pelo Egito e pela Inglaterra, especialmente para garantir o desenvolvimento da indústria de algodão que servia como base à produção têxtil inglesa, por conta de suas terras férteis. Com o passar dos anos, as grandes reservas de ouro e petróleo viraram o centro dos interesses imperialistas na região. Do ponto de vista geopolítico, o Sudão tem uma importante saída para o Mar Vermelho, no Porto do Sudão. Desde então, a história de resistência contra a colonização é parte destes povos, como por exemplo nas fortes mobilizações de 1924 com a Associação Brigada Branca. Após a Segunda Guerra, o Egito e a Inglaterra não chegaram a um acordo sobre como prosseguir com a administração sudanesa, fazendo com que o Rei do Egito, Farouk, se proclamasse Rei do Sudão em 1951. Na trilha dos movimentos anti-coloniais que surgiram no pós-guerra, e da radicalização do movimento estudantil e sindical sudanês que se ligava ao movimento comunista, a Inglaterra e o Egito acordaram a independência do Sudão em 1953, que seria confirmada no dia 1° de janeiro de 1956. A burguesia sudanesa agora independente, entretanto, deixava intactas as estruturas coloniais, e logo em 1958 se viu obrigada a dar um golpe de Estado, instaurando um regime militar que seria derrotado 6 anos depois com uma forte greve geral, em outubro de 1964. Este foi mais um capítulo da história revolucionária do Sudão. A instabilidade política gerou um novo golpe militar em 1969, este liderado por militares nacionalistas árabes, com o apoio do Partido Comunista (stalinista), formando um “Conselho Militar Revolucionário”, tomando diversas medidas de nacionalização de empresas e indústrias e se alinhando contra os EUA no contexto de Guerra Fria. Como de praxe nos governos bonapartistas militares que se apoiam no movimento de massas para se impor, ou bonapartismo sui generis nas formulações de Trotski, em algum momento, são obrigados a expurgar a sua própria ala esquerda a fim de garantir os interesses da burguesia. Assim, o regime do Coronel Gafar Nameiri executou os principais líderes comunistas em 1971, e até o ano de 1985, começou a adotar uma forte política neoliberal e de alinhamento aos países do Golfo Pérsico, inclusive implementando a lei Islâmica da Sharia em setembro de 1983 e declarando uma República Islâmica, o que acendeu uma guerra civil no país, especialmente no sul. O governo islâmico teve de se enfrentar com uma forte greve geral em abril de 1985, especialmente na capital Cartum, mas que se expandiu para várias regiões do país. As mobilizações desestabilizaram o governo, e abriram espaço para um novo golpe militar dirigido pelo então Ministro de Defesa do próprio governo, que chamou eleições gerais a partir de um governo militar transitório, culminando em 1986 no primeiro governo eleito, com o primeiro-ministro Sadiq al-Mahdi. Em 1989, a mesma Frente Islâmica Nacional que era parte do governo, articulou um golpe de Estado liderado por Omar al Bashir e outros militares, que derrubaram o governo civil e perpetraram uma sangrenta ditadura por 30 anos. O programa de Al Bashir era de islamizar ainda mais  o país, com um forte discurso anti-ocidente, uma ferrenha política neoliberal e uma mão de ferro contra os trabalhadores e minorias étnicas (não árabes), proibindo sindicatos e qualquer organização civil. O país se viu em uma sangrenta guerra civil até 2005, com o exército de Omar cometendo uma limpeza étnica de 300 a 500 mil pessoas na região de Darfur, no Oeste do Sudão! E também no Sul, contra povos não árabes, que resistiram junto aos trabalhadores, o que culminou na independência do Sudão do Sul em 2011, esta ainda que apoiada por potências como os EUA, que buscam garantir seus interesses na região (e que nos anos 1980 apoiavam o Norte contra o Sul). Por um lado, essa constante instabilidade política, e por outro, a necessidade de assegurar por 30 anos uma ditadura à mão de ferro, se deve à debilidade da burguesia nacional sudanesa, que se apoia nas disputas dos países imperialistas e potências regionais na região, somado ao forte proletariado que historicamente protagonizou diversas greves gerais, mas que tem uma relativa debilidade por suas direções que são um entrave para que estes processos se desenvolvam em organismos de auto-organização e levar à frente uma estratégia de insurreição operária e um governo de trabalhadores. Essa é uma das importantes características de diversos regimes no continente africano e no mundo árabe. Al Bashir se espelhava em governos militares como os do Egito, Síria, Iraque, Líbia e outros, fortemente abalados pelos ventos da Primavera Árabe, mas que se sustentavam em base a um bonapartismo militar umbilicalmente ligado à burguesia local. Para exemplificar, a Khartoum Refinary Company, uma das maiores empresas produtoras de petróleo do país, tem 50% de seus ativos nas mãos dos militares através do Estado, assim como outras 200 empresas que estão total ou parcialmente nas mãos dos militares. Uma burguesia esmagada entre as potências imperialistas que saqueiam o país, e uma forte classe trabalhadora que mostrou seu potencial revolucionário durante toda a sua história, precisou dar origem a um Estado militarizado e repressivo, mas que ao se desagregar dá origem à choques entre diferentes frações. Tanto as RSF quanto o SAF eram parte do regime de Al Bashir, integrando o exército, a polícia secreta e milícias paramilitares ligadas aos clãs regionais que atuavam de forma quase institucional servindo ao governo. Os grupos Janjaweed (“cavaleiros armados”), que hoje fazem parte da RSF, são acusados de terem praticado a limpeza étnica de 2003 em Darfur, e inclusive fazendo recrutamento de milicianos no Chade e República Centro Africana. Ambos os setores, entretanto, foram parte de alimentar as ilusões das massas nas transições dirigidas pelos militares após a queda de Al Bashir em 2019. Primeiramente, Al Burhan foi encarregado de depor Al Bashir pela via de um golpe militar, se apoiando nas manifestações, mas principalmente para desviá-las. Foi instaurado um governo de transição em parte civil (liderado por Abdalla Hamdok) e em parte militar (comandado por Al Burhan). As RSF apoiaram o governo. Entretanto, a ala militar passou a impor cada vez mais seus próprios interesses, mostrando que não tinha nenhuma garantia de defender os interesses democráticos das manifestações de 2019. Isso culminou em um novo golpe de Estado em 2021, unindo a SAF e as RSF. O golpe, entretanto, enfrentou uma fortíssima jornada de mobilizações em rechaço aos militares, com a população exigindo um governo inteiramente civil ligado aos comitês de bairro e de resistência, formados em 2019. As novas mobilizações forçaram um acordo em dezembro de 2022, formando um novo comitê de transição que deveria chamar eleições em 2023. O governo de transição nunca conseguiu chegar a um acordo, com o aumento das tensões entre a fração governante de Al Burhan e as milícias de Dagalo, que se negavam a entrar no Exército regular por conta do enorme poder que acumulara nos anos de Al Bashir. No dia 15 de abril de 2023, estouraram os conflitos entre as duas facções e se reinicia a guerra civil do Sudão. Interesses econômicos muito mais amplos Ambas as frações têm programas igualmente reacionários: um regime autocrático e militar que governe com a bota sobre a população e os trabalhadores. Cada uma delas, entretanto, tem interesses regionais e ligações internacionais distintas, o que as coloca momentaneamente em trincheiras opostas.  Ambos os grupos são acusados de todo tipo de violação aos direitos humanos por diversos organismos internacionais: execução de prisioneiros e civis em massa, expulsão da população de suas casas e terras, estupros sistemáticos de mulheres e crianças, torturas e, por parte das RSF, limpeza étnica das comunidades não árabes de Darfur, como os Fur, os Zaghawa e os Masalit, cometendo um verdadeiro genocídio. Segundo o mapeamento do Al Jazeera Animated maps show two years of war in Sudan | Sudan war News | Al Jazeera , desde o início do conflito, são ao todo 11300 ataques das distintas forças, sendo 5600 da SAF e 4300 das RSF. Como podemos ver nos mapas abaixo, tanto o setor petrolífero quanto a mineração do ouro são recursos em disputa na guerra. Estes ambos produtos foram responsáveis por praticamente metade das receitas de exportação do Sudão em 2023 (45%), seguidos da indústria vegetal. Da mesma forma, são eles que garantem o financiamento de cada um dos grupos. Al Burhan, chefe do SAF, controla o governo “centralizado” do Estado sudanês na parte Leste do país. Por sua parte, dirige um importante complexo militar e industrial. Tem sob seu controle a capital histórica Cartum, a maior cidade, recuperada em março deste ano das constantes disputas com as RSF. Com o início do conflito, Al Burhan mudou a capital para o Porto do Sudão, uma importante cidade portuária com saída para o Mar Vermelho, e a partir de outubro de 2024, iniciou planos para mudá-la novamente para Atbara, cidade com uma importante ferrovia, que liga diversas indústrias e cidades, como Cartum e El Obeid. A lealdade de Al Burhan ao programa de controle do Exército sobre a economia do país, justamente pela praticamente fusão entre militares e burguesia nacional, faz com que ele seja sua liderança. O controle sobre tais regiões, garantem o seu controle sobre as mais importantes refinarias do país (Cartum, Porto do Sudão e outras), bem como os portos para sua exportação, apesar da contradição de os maiores postos de extração estarem em regiões controladas pelas RSF (Cordofão Oeste). A SAF mantém, ainda, o controle sobre a cidade de El Obeid, capital de Cordofão do Norte, e importante rota ferroviária para a exportação dos produtos petroquímicos. Além do petróleo, o ouro também é parte importante da economia das áreas controladas por Al Burhan, alegando produzir cerca de 60 toneladas por ano, da qual boa parte é vendida ao Egito, China e outros, incluindo os EAU e Arábia Saudita. A manutenção dos lucros com as exportações é garantido em base à cada vez maior exploração dos trabalhadores, como denunciam sindicatos sudaneses A situação trágica dos trabalhadores e sindicalistas no Sudão e as violações sistemáticas cometidas durante a guerra | laboursolidarity.org sobre demissões em massa, retenção de salários dos trabalhadores e repressão ao direito sindical. Já no governo de Al Bashir, a China era uma das maiores parceiras comerciais do Sudão (17% das exportações sudanesas, atrás apenas dos Emirados Árabes), relação que se mantém no novo governo. Isso se dá tanto pelo interesse do capitalismo chinês na África, que vê no Sudão um ponto central para a Nova Rota da Seda, como pelo afastamento dos EUA do governo sudanês nas últimas décadas, especialmente pela acusação de “patrocinar o terrorismo internacional”, ainda que essa relação tenha mudado com a nova configuração, e os EUA tem se reaproximado de Al Burhan. Mais concretamente falando: a outra metade da já citada Khartoum Refinary Company é de propriedade da China National Petroleum Corporation. A China também possui joint-ventures na Sudapet, além de ser proprietária na construção de barragens, gasodutos e oleodutos na região. Durante o governo de Omar, a China vendeu o equivalente a USD 100 milhões em armamentos, financiando o genocídio em Darfur e a repressão contra as mobilizações. Todas estas relações são repletas de diversas denúncias de abuso de direitos trabalhistas nos canteiros de empresas chinesas no país, comuns à sua atuação em todo o continente africano. Pequim, apesar disso, se mantém formalmente neutra no conflito, inclusive vendendo armas também às RSF, buscando por um lado ampliar sua influência e investimentos, mas por outro, uma estabilização da região, tendo em vista as potenciais explosões da luta de classes decorrentes do conflito em todo o Leste africano, o que traria problemas para os capitalistas chineses. Outro parceiro importante de Al Burhan é o Egito de Al Sisi, capacho dos EUA, que vê no Sudão um aliado contra o crescimento da Etiópia na África Oriental. Isso se dá, especialmente, pela disputa das águas do Rio Nilo, que atravessa os três países, e no qual a Etiópia busca construir a barragem GERD (com capital chinês, italiano e francês), e afetará as 129 milhões de pessoas que vivem na base do Nilo em ambos países árabes. O Egito também foi denunciado por financiar o Exército Sudanês com aviões de guerra. A Arábia Saudita, bem como a Turquia, têm sido atores importantes do lado do SAF. Mohammad al Salman, príncipe da Arábia Saudita, tem um acordo colonial de concessão de terras férteis sudanesas em Setit e Upper Atbara por 99 anos, além da estabilidade da região ser importante para o projeto de construção da cidade futurística Neon. Erdogan, por sua vez, busca colocar a Turquia cada vez mais como um ator influente no Oriente Médio e no Oriente africano, e, declarado inimigo dos Emirados Árabes, vende armamentos de drones e outros a Al Burhan, apesar de as RSF também já terem sido flagradas com armamento turco. Assim como a Arábia Saudita, Al Burhan buscava assinar os “Acordos de Abraão” com o Estado sionista de Israel, o que foi interrompido pela ação do 7 de Outubro de 2023. Os EUA, por sua vez, vem buscando rearticular sua influência na África Oriental contra a China, e o Sudão é uma peça chave. Para isso, vê como necessária a estabilização da região, pois sua instabilidade pode trazer maiores prejuízos às suas posições no Golfo do Áden e no Chifre da África, e poderia despertar uma onda de luta de classes. Nesse aspecto, sua preocupação é similar à da China. Não à toa, há pouco mais de uma semana, Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, declarou a necessidade de um cessar-fogo entre ambos os lados, acusando seu próprio aliado EAU de armar as RSF Marco Rubio: US knows who is arming Sudan's RSF and it must end | Middle East Eye. O interesse dos EUA é de implantar regimes títeres como os do pós Primavera Árabe, embora seja uma tarefa difícil para Trump, que busca se colocar como “resolutor dos conflitos”, mesmo fracassando na Ucrânia e tendo uma trégua débil na Palestina. Hemedti, líder das RSF, tem sob seu controle a parte Oeste, sob um governo paralelo autoproclamado, o que inclui as importantes regiões de Darfur, Cordofão Oeste e partes de Cordofão do Norte. O General usa como base de comando a importante cidade de Nyala. A formação de seu exército miliciano, que em abril de 2023 contava com 100 mil homens, se apoia no recrutamento de jovens de etnias árabes, tanto nos que se vêem arrastados pelas décadas de crise, mas especialmente por acordos com lideranças de grupos étnicos e clãs regionais que alistam seus membros na milícia. Parte do que faz Hemedti é sequestrar a identidade árabe, muito presente no Sudão pela história do arabismo, para um projeto político de autoridade própria. Pouco a pouco, as diferentes milícias vão se tornando um poder econômico militarizado e deixando as lealdades étnicas. O apelo chauvinista é utilizado para avançar sobre os territórios não ocupados pelas RSF e cometer as maiores atrocidades contra minorias étnicas. O principal aliado de Hemedti é sem dúvida os Emirados Árabes Unidos (EAU), ainda que este o negue. São os 7 emirados, dirigidos por Abu Dhabi e Dubai, que financiam as armas dos janjaweed e as demais milícias, em troca de toneladas e toneladas de ouro que vão direto para as monarquias do país. Apesar da produção de ouro nas áreas controladas pela SAF ser aparentemente maior, no último ano as RSF extraíram pelo menos USD 850 milhões em ouro, com cerca de 90% tendo como destino final os EAU. O mercado de ouro das RSF opera de forma ilegal, podendo o número ser bem maior (e provavelmente é). A produção de ouro nas regiões controladas por Hemedti vêm aumentando desde o início da guerra, especialmente com a mineração em Jebel Amer e Songo, na região de Darfur, em minas das quais a família de Hemedti é dona. A mineração é feita, entretanto, em sua maioria de forma artesanal, jogando milhões de trabalhadores nas condições mais precárias e desumanas de exploração nas minas de ouro, inclusive em trabalhos análogos à escravidão, como acontece com os chamados falangayat (sudaneses negros escravizados). Um estudo de  M. S. Abdelrahman apontou a existência de 2,8 milhões de trabalhadores mineiros artesanais, e pelo menos mais 5 milhões de trabalhadores ligados à algum serviço associado à mineração (M. S. Abdelrahman, “Sudan’s Other War–The Place of Gold: The Economic Impact of the War in Sudan, No. 2”, Sudan Transparency and Policy Tracker, July 2023; see also “The Sungu Mines: Gold That Fuels RSF’s War”, January 18, 2024, ). Por um lado, a mineração é a que financia a guerra, mas por outro, concentra uma imensa quantidade de trabalhadores com um grande potencial disruptivo, apesar da imensa divisão e exploração imposta pela informalização. Além da mineração, o território controlado pelas RSF tem vastas terras férteis, o que é utilizado também para a exportação de alimentos para os EAU e outros aliados. [caption id="attachment_3064" align="aligncenter" width="494"] Fonte: Chatham House 2025 (atualmente, a cidade de El Fasher já foi tomada pelas RSF) https://www.chathamhouse.org/sites/default/files/2025-03/2025-03-25-gold-and-the-war-in-sudan-soliman-and-baldo.pdf [/caption] As relações entre as RSF e os EAU não vem de agora. Desde o início da guerra civil do Iêmen em 2014, as RSF têm servido aos EAU e à Arábia Saudita como mercenários contra os houthis. Essa relação se aprofundou e hoje seria impensável sustentar a guerra sem a venda do ouro de Darfur para os xeiques emirados. Os EAU vem arrastando consigo outros aliados para a guerra, como o Reino Unido, que não só deixou de condenar os EAU pelo apoio ao genocídio, como diretamente é um dos fonecedores de armas às RSF, como foi denunciado na ONU UK military equipment used by militia accused of genocide found in Sudan, UN told | Global development | The Guardian. Outro aliado fundamental da milícia é um ator cada vez mais presente em diversos países do continente africano. O African Corps, antigo Grupo Wagner, é um grupo paramilitar que atua segundo os interesses da Rússia. Envolvido em diversos Estados do Sahel, como o Mali, Burkina Faso, Chade, Níger, República Centro Africana e outros, o grupo é acusado de atuar diretamente no comércio ilegal de ouro, enriquecendo cofres da burguesia russa. Em troca do contrabando de ouro, o ex Grupo Wagner provê armamento como fuzis de assalto e defesa antiaérea a Hemedti e seus aliados. Por outro lado, a mesma Rússia lucrava milhões com as antigas concessões que tinha durante o governo de Al Bashir, e por isso, formalmente apoia Al Burhan inclusive com assessoria militar, assim como busca concessões mineiras e uma base portuária no Mar Vermelho. A Rússia busca fomentar o conflito, atuando contra possíveis cessar-fogo no Conselho de Segurança da ONU, vendendo armas a ambos os lados, e aumentando sua influência enquanto o Sudão se fragmenta. A Etiópia se coloca ao lado das RSF, pelos interesses na construção da represa no Nilo, para enfraquecer o Egito enquanto um adversário regional. Entretanto, como o ouro chega aos EAU e à Rússia se a saída para o mar está nas mãos de Al Burhan? A resposta está na cumplicidade dos regimes africanos vizinhos com o genocídio em Darfur e a mineração ilegal. Os governos de Jalifa Haftar na Líbia, Mahamat Déby Itno no Chade e Faustin-Archange Touadéra na República Centro Africana (RCA) são centrais para a rota do contrabando de ouro. A Líbia é denunciada por diretamente compor as RSF, e desde o início do conflito são vistos milicianos e bandeiras do RSF no Leste do Chade. Essa rota percorre por todo o Sahel, onde houveram nos últimos anos diversos golpes de Estado contra governos pró-França, substituindo-os por governos militares apoiados pela Rússia e China. Estes governos, apesar de se apoiarem na legítima repulsa das massas ao neocolonialismo francês, se alinham aos interesses destas outras potências capitalistas, sendo parte da manutenção do conflito no Sudão. A transformação de Darfur em um centro de mineração militarizado sob controle das RSF transformou a região em um centro das atenções regionais e internacionais. O ouro se tornou o sangue das artérias do Sudão e vasculariza todo o deserto para o Oeste, por onde os quilates são exportados para os cofres estrangeiros. Essa riqueza deu a Hemedti uma importante autonomia regional, estabelecendo um governo paralelo próprio a partir de uma economia baseada no contrabando e em armas. Isso permite às RSF ter uma influência não apenas nas áreas ocupadas, mas uma transcendência pelas fronteiras, e é isso que permite com que siga avançando na guerra contra o governo centralizado de Al Burhan e do SAF. A captura de El Fasher: um salto para a fragmentação do país A recente tomada de El Fasher pelas RSF, no final de outubro, colocou um novo marco na guerra civil. El Fasher é a capital de Darfur do Norte, e é historicamente considerada a principal cidade de toda a região de Darfur. Até então, a cidade era um importante bastião dos interesses de Cartum, que segurava o avanço das RSF em uma região estratégica para as rotas de ouro. A chegada à cidade foi denunciada por diversos órgãos de direitos humanos por matanças e estupros em massa, com 2 mil civis assassinados, incluindo uma grande parte de crianças, com cenas de execução e sangue pelas ruas. Em um ataque à um hospital da cidade, assassinaram quase 500 pessoas. Calcula-se que 70 mil pessoas já deixaram suas casas desde então, e os que buscam fugir são vítimas de execuções e torturas. O analista Abbas al-Zein, em texto que republicamos no Izquierda Diario En los medios. La caída de El-Fasher señala el fin del gobierno centralizado de Sudán, assinala que a caída de El Fasher é um importante salto rumo a uma “descentralização forçada” do governo centralizado no Sudão. Os interesses de Hemedti se baseiam cada vez mais em uma economia de guerra própria, baseada no ouro, tráfico, armas e o controle de rotas clandestinas, constituindo um governo paralelo. Com o controle praticamente total de Darfur, essa ambição se torna cada vez mais concreta. O grupo monopoliza o comércio, criando um poder com influência geopolítica própria.  No 15 de abril, início do conflito, as RSF dominaram a importante cidade de El Obeid, capital de Cordofão do Norte, também estratégica para as rotas de comércio, porém que foi reconquistada por Al Burhan em setembro do mesmo ano. Agora, após a tomada de El Fasher, Hemedti anunciou que lançará um ataque a El Obeid, colocando uma nova complicação ao governo sudanês caso seja vitorioso. As décadas dos governos sudaneses pós independência, especialmente o de Al Bashir, sob interesse dos diferentes imperialismos, utilizaram a região de Darfur unicamente para extração de recursos e opressão às minorias étnicas, sem praticamente nenhuma infraestrutura ou serviços públicos. Este modelo colapsou com o domínio das RSF. A guerra, especialmente para Hemedti, não se trata de um domínio por Cartum, mas pelo controle em si mesmo das regiões, rotas e recursos. Nesse estado crescente de fragmentação, os interesses estrangeiros, seja de potências imperialistas ou regionais, tem em ambas as partes do conflito aliados para aumentar sua influência não apenas na região, mas para alavancar sua influência em todo o continente africano, controlando a infraestrutura, o armamento e extraindo recursos, sangue e suor dos povos sudaneses. A reatualização da época imperialista de crises e guerras (e revoluções) é jogada no Sudão como uma parte central na disputa pelo controle da África entre as diferentes potências que se chocam no plano internacional.  A resposta operária e popular: lições de 2019 Diversos analistas, tanto da mídia burguesa quanto de setores progressistas, buscam prever diferentes cenários para a situação catastrófica no Sudão. Tanto uma fragmentação total, com dois ou mais governos diretamente paralelos, como aconteceu com a separação do Sudão do Sul em 2011. Ou um avanço cada vez maior das RSF à zonas mais ricas, buscando tomar o controle de fato de Cartum e do Estado sudanês. Ou alguma tentativa de paz acordada, gerando uma fragmentação controlada. Um acordo como esse último já foi tentado pelo Quad (grupo composto pelo Egito, EUA, Arábia Saudita e EAU), com uma declaração com mediações para o cessar fogo em setembro, e outra em março, saudado por ambos os lados, mas não respeitado por nenhum. Todas estas hipóteses seriam diretamente reacionárias, deixando nas mãos dos algozes do povo sudanês o seu futuro, além de apenas reforçar contradições regionais que tenderiam a se aprofundar com o desenlace dos conflitos da nossa época imperialista internacionalmente. Entretanto, não há como pensar o futuro do Sudão sem o fator luta de classes, que foi central para todo o último período. Isso é o que possibilita também enxergar uma saída progressista às massas trabalhadoras e oprimidas. Amal (Uma esperança) baseada na realidade dos últimos acontecimentos. Vamos retomá-los. Prova de que a luta de classes é um fator central, é que, aqueles que hoje lutam entre si, antes estavam todos juntos debaixo das asas do governo de Al Bashir, lucrando com os 30 anos de ditadura, sejam os militares e suas empresas, sejam as milícias em Darfur contra as minorias étnicas. A partir de dezembro de 2018, se iniciam os protestos na chamada “revolta do pão”, contra os planos do FMI, a situação de pobreza que assolava metade da população e o desemprego em 20%, em que o governo matou pelo menos 50 pessoas na repressão. As mobilizações partiram da cidade industrial de Atbara, com uma forte tradição sindical, até se expandirem para Cartum e outras cidades em janeiro. Em abril de 2019, se reiniciam e intensificam os protestos AFRICA. Crecen las protestas en Sudán contra el Gobierno y el ajuste del FMI de forma generalizada contra Al Bashir, após a instauração de um Estado de emergência em fevereiro. Sob os gritos de Ash-shaʻb yurīd isqāṭ an-niẓām (“o povo quer a queda do regime”), que remontam as palavras de ordem da Primavera Árabe, importantes setores do movimento operário, como o SPA (Associação dos Profissionais Sudaneses, que agrupa 17 dos mais importantes sindicatos do país), junto ao movimento estudantil e uma importante vanguarda feminina, como a jovem Alaa Salah AFRICA. Alaa Salah, la joven que grita "revolución" y es un ícono de las protestas en Sudán que se tornou um ícone, enfrentaram a repressão na rua com seus próprios métodos de luta.  Vendo a crescente força das massas, os militares deram um auto-golpe no dia 11 do mesmo mês, depondo Omar al Bashir e prendendo diversos de seus funcionários do governo. O governo de transição, anunciado pelo chefe do Exército Awad Mohammed Ibn Ouf, seria composto por militares, e governaria o país em Estado de emergência permanente, fechando as fronteiras, suspendendo a Constituição, e convocando eleições gerais em dois anos. Mais do que alegria com a queda de Al Bashir, os protestos seguirem com vigílias em frente aos quartéis, com desconfiança dos militares, e exigindo um governo civil. Desde esse momento, os governos imperialistas, como o dos EUA, emitem declarações pedindo cautela aos militares, para evitar o desencadeamento de protestos maiores ainda. As massas de manifestantes, organizados inicialmente em torno de sindicatos e entidades de base, eram politicamente dirigidas pela agrupação das Forças da Liberdade e Mudança (FLM), que conglomerava tanto sindicatos quanto setores liberais e de uma burguesia que se opunha ao governo militar de Al Bashir, mas não aos planos do FMI. A SAP, parte inconteste da direção do movimento, tinha uma importante influência do Partido Comunista, com sua doutrina de conciliação de classes vinda do stalinismo, com um programa meramente de “mais democracia”. Na toada dos protestos, os manifestantes passaram a organizar embriões do que Lenin chamou de “organismos de duplo poder”, ou seja, organismos auto organizados pelas massas trabalhadoras, tomando os rumos da luta em suas próprias mãos, podendo lutar pelo poder estatal contra a burguesia. Eram os chamados Comitês de Resistência. Eram organizados especialmente por bairros, definindo os locais dos protestos, bem como garantindo a segurança contra a repressão através da autodefesa e da fuga nos bairros populares. Eram estruturas horizontais, em que participavam majoritariamente trabalhadores profissionais, jovens trabalhadores, desempregados e estudantes, e com o decorrer das mobilizações, começaram a ter uma coordenação entre si para ações unificadas. Segundo o pesquisador Muzan Aneel, em seu texto “Neighbourhood organising and the Resistente Committees”, os Comitês remontam experiências da classe trabalhadora sudanesa dos anos 1990, tendo ressurgido em 2013 na toada da Primavera Árabe e na greve geral de 2016. Durante os protestos, se auto intitularam os “pilares e protetores da Revolução”. [caption id="attachment_3065" align="aligncenter" width="679"] Imagem de reunião de um Comitê de Resistência[/caption] Frente aos protestos que já nas primeiras horas defendiam a renúncia de Ibn Ouf, o novo governo do Conselho Militar Provisório (CMP) decretou um toque de recolher, mas que não foi respeitado e só aumentou as mobilizações. O Exército seguiu tentando manter as negociações com a oposição liderada pela FLM durante um mês, enquanto aumentavam cada vez mais os protestos, sem qualquer acordo. No final de maio, o CMP fechou as negociações unilateralmente, o que gerou uma resposta de bloqueios e barricadas em diversas cidades do país, duramente reprimidas pelo Exército, que contava em suas fileiras com atiradores de elite da RSF. As mobilizações seguiram com uma greve geral de dois dias convocada pelos Comitês de Resistência (CRs), juntamente aos sindicatos e à FLM. A greve parou praticamente 100% das atividades do país, nas mais distintas áreas econômicas, do transporte aos bancos, das escolas aos aeroportos. Foi a maior mobilização desde o início, e os CRs deram um salto em sua abrangência e coordenação nacionalmente, se estendendo inclusive a áreas rurais. Entretanto, a greve foi utilizada para a estratégia da FLM de pressão por mais cadeiras no Conselho Soberano com os militares, até que fossem convocadas novas eleições. Enquanto isso, as massas e os CRs gritavam “abaixo todo o regime!” e um “Não!” a qualquer tipo de governo com os militares. A resposta da repressão do Exército (e das RSF) foi mais de 100 mortes e cortes de internet. Após a greve, mesmo contra a vontade das massas, a FLM fecha um acordo com os militares e é formado um Conselho Soberano de Transição, metade civil e metade militar, do qual fazia parte ninguém menos que Hamdan Dagalo, o Hemedti. Ainda assim, os protestos continuaram, por justiça aos mais de 100 assassinados em Cartum no dia 3 de julho, e por um governo 100% civil. Fica claro, por um lado, a energia revolucionária das massas, mas por outro, a carência de uma direção que possa canalizar essa força para a derrubada de fato do regime, com um governo de trabalhadores tomando os rumos do país. É o contrário do que fez a FLM e seus aliados, utilizando as manifestações como forma de barganhar com os militares, não de derrubá-los. No ano seguinte, as diversas promessas do Governo de Transição não foram cumpridas. Desde as melhorias nas condições de vida, os direitos das mulheres (que compunham mais de 50% das manifestações), e a punição aos assassinos dos manifestantes. Em agosto, aconteceu uma nova onda de protestos, seguidas de greves localizadas, como em bancários, que foram todas reprimidas pelo governo. Neste ano, o governo também adiou em mais um ano a convocação de eleições gerais. As massas fizeram certo em não confiar nas falsas promessas dos militares. Em outubro de 2021, o general Abdel Al Burhan, frente aos conflitos internos das frações do Conselho Soberano, deu um golpe de Estado e restituiu um governo inteiramente militar. A resposta imediata dos Comitês de Resistência e das massas foi sair às ruas em protesto. Um mês depois, os militares cedem e recolocam o Primeiro Ministro Abdalá Hamdok no poder, mas que logo renuncia após 6 semanas, reposicionando Al Burhan novamente, em meio aos protestos. Com o início da Guerra da Ucrânia e seus impactos, 2022 foi um ano em que seguiram-se as mobilizações contra as condições de vida e o governo militar. As massas trabalhadoras mostraram-se um fator central na cena política do Sudão. Cada passo da burguesia se baseava no cálculo da resposta operária e popular. Até que as contradições internas das diferentes frações burguesas em crise caíram em uma guerra civil sem precedentes entre si, levando todo o país à uma catástrofe sem precedentes e colocando momentaneamente a classe trabalhadora de fora da cena. A guerra é, de fundo, uma resposta à esta situação revolucionária das massas e a tentativa de restabelecer a hegemonia da burguesia e dos militares. Hoje, mesmo com a escassa informação, é visto que os CRs ainda seguem existindo, mesmo que com muito menos força por conta da guerra reacionária. Parte deles foram cooptados e se integraram a um suporte ao Exército de Al Burhan, tentando manter o mínimo de infraestrutura ainda existente. Ainda assim, vários deles atuam no sentido de buscar ajuda humanitária para a população afetada, demonstrando uma verdadeira solidariedade de classe, e a persistência do espírito revolucionário de 2019, embora falte uma direção à altura. A batalha para que a classe trabalhadora, em aliança a todos os setores oprimidos, surja como sujeito independente através de seus próprios organismos, como os CRs, e não sob uma direção política conciliadora como as Forças de Liberdade e Mudança ou o Partido Comunista, é uma das mais importantes lições estratégicas do processo. Junto a um programa que possa levantar o conjunto das reivindicações democráticas, partindo de um cessar fogo com a dissolução das forças armadas regulares e irregulares, direito de autodeterminação às minorias étnicas e o fim do genocídio, direitos às mulheres (como a anulação da Sharia como doutrina estatal), ligado ao abastecimento de água, saneamento, moradia, hospitais e escolas às populações mais afetadas, e à estatização da indústria do ouro e do petróleo sob controle dos milhões de trabalhadores envolvidos, sem nenhuma demissão, congelamento de salário e repressão aos sindicalistas. Na situação em que se encontra o país, é fundamental reforçar a solidariedade internacional, dando visibilidade às atrocidades cometidas por ambas as partes e financiadas pelas grandes potências. As mobilizações pró Palestina, desde os acampamentos nas universidades à greve geral na Itália e no Estado Espanhol, são importantes exemplos de solidariedade internacional em uma luta direta contra as potências que financiam o genocídio. A mudança de subjetividade na juventude e nos trabalhadores no mundo todo traz simpatia aos povos colonizados e historicamente oprimidos, e é tarefa da esquerda, dos sindicatos, dos movimentos sociais, estudantis, de direitos humanos etc, levantarem alto as bandeiras do Sudão, junto às da Palestina, da República Democrática do Congo e de todos os povos que lutam contra um genocídio perpetrado pelos interesses do capitalismo e do imperialismo. Iniciativas como as dos sindicatos ingleses que conformam o MENA Solidarity With Workers in Middle East and North Africa Sudan | MENA Solidarity Network | Page 2, dentre diversas outras, são fundamentais. Reforçamos o nosso compromisso enquanto Rede Internacional Esquerda Diário para a luta contra o genocídio no Sudão, e por uma libertação total do país e de todo o continente africano, ao lado dos trabalhadores, da juventude e de todos os setores oprimidos.