Participaram camaradas da França, Argentina, Brasil, Venezuela, Alemanha, Estado Espanhol, Itália e México. O objetivo foi avançar em uma maior articulação entre as juventudes que travamos a luta no terreno das ideias, no marco de uma das resoluções da última conferência da CRP em São Paulo, realizada no final do ano passado.
Isso se insere no fato de que a juventude, tanto por meio das redes sociais quanto nas universidades, é atravessada por múltiplas ideologias, sentidos comuns e correntes teóricas que buscam influenciá-la. Além disso, tem sido base de alguns dos movimentos políticos mais importantes dos últimos tempos, como o movimento feminista, o ecologismo, a chamada Geração Z, o massivo movimento contra o genocídio palestino em todo o mundo, ou como parte de importantes processos de revolta, como o de Bangladesh.
Se queremos forjar uma juventude internacionalista, revolucionária e combativa, a única forma de avançar é travando uma luta nesse terreno. Para isso, partimos do amplo acervo teórico construído por nossa corrente internacional nas últimas décadas (buscando recriar o pensamento marxista à luz das lutas atuais) e também da extensa tradição trotskista e seus fios de continuidade entre os séculos XX e XXI. Como parte das elaborações políticas e teóricas da Corrente Revolução Permanente – Quarta Internacional (CRP-CI), realizamos publicações como Ideas de Izquierda da Argentina, Ideas Socialistas do Chile, Ideas de Izquierda do México, Revista Casa Marx do Brasil, Ideas de Izquierda da Venezuela, Left Voice Magazine dos Estados Unidos, Klasse Gegen Klasse Magazin da Alemanha, Contrapunto do Estado Espanhol, Armes de la critique da França e Egemonia da Itália. Nessas publicações podem ser encontradas as elaborações e debates realizados por militantes da CRP, tribunas abertas e entrevistas com intelectuais de todo o mundo. Na juventude da Argentina, realizamos nosso próprio suplemento juvenil: Armas de la Crítica.
Nesse marco, compartilhamos algumas experiências, contradições e conclusões do trabalho de Armas de la Crítica da Argentina, que há mais de 6 anos realiza publicações, para repensar como produzir elaborações teóricas que partam dos problemas da juventude e que nos ajudem a construir uma juventude revolucionária e, ao mesmo tempo, alcançar impacto nas estruturas onde militamos em função da organização. Na Argentina, temos a enorme tarefa de nos conectar com a crescente simpatia que vem se expressando em relação à esquerda, com muito apoio às intervenções de Myriam Bregman e um reconhecimento ao partido por estar sempre nas ruas e nas lutas. Por isso, torna-se fundamental tornar cada vez mais conhecidas nossas ideias e promover um debate sobre nosso projeto político para transformar radicalmente a sociedade.
Uma juventude anti-imperialista
Uma das discussões que a reunião destacou como prioritária foi a do anti-imperialismo. A ofensiva belicista do imperialismo norte-americano, suas implicações na Europa com o militarismo e na América Latina com a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e suas tentativas contra Cuba, assim como o desenvolvimento de movimentos contra a guerra e o genocídio na Palestina, fazem deste um terreno de disputa urgente.
Um dos eixos de debate foi que tipo de anti-imperialismo levantar. Vários companheires assinalaram a presença crescente de correntes stalinistas ou neo-stalinistas que fazem uma apropriação acrítica de tradições anti-imperialistas historicamente vinculadas aos nacionalismos burgueses. Frente a isso, há um trabalho político-teórico tanto no plano das discussões históricas quanto no dos debates estratégicos sobre o papel da classe trabalhadora, para articular as demandas nacionais com uma perspectiva socialista.
As disputas ideológicas
Outro eixo central que surgiu em vários países foi a necessidade de travar uma luta contra as “mediações pela esquerda”: o Democratic Socialists of America (DSA) nos Estados Unidos, a France Insoumise na França, Die Linke na Alemanha, agrupações neo-stalinistas no Estado Espanhol, as correntes pró-chinesas e os populismos e reformismos latino-americanos. Todas são forças com peso entre os intelectuais e com alcance real em setores da juventude nas universidades e nas redes sociais. Por isso, é importante travar uma disputa para gerar polêmicas, responder às suas elaborações e influenciar sua base a partir de uma necessária luta de ideias.
Outro espaço de disputa de ideias se dá a partir de uma abertura política existente em movimentos como o ecologismo e o feminismo, onde se desenvolveram grupos de estudo ou debates com resultados encorajadores.
A reunião também identificou uma série de debates comuns a todos os grupos, para além de seus contextos nacionais específicos: a disputa com as novas direitas e suas diferentes vertentes, incluindo debates sobre o neofascismo, análises sobre a situação atual e a crítica à frente popular — a unidade entre correntes burguesas e a classe trabalhadora como resposta, proposta pelas “mediações”, a esses fenômenos. Outros debates interessantes para aprofundar são aqueles em torno das teorias decoloniais e seus limites políticos; as discussões econômicas sobre o tecno-feudalismo, as novas tecnologias e a inteligência artificial; e os debates com as correntes pós-modernas.
Resoluções e passos concretos
Da reunião surgiram uma série de resoluções iniciais orientadas a traduzir essas discussões em trabalho político concreto. Em primeiro lugar, começar a socializar iniciativas e elaborações — com foco no anti-imperialismo — para realizar críticas coletivas, aprimorá-las e avançar em produções conjuntas: traduções, intercâmbio de textos e possíveis polêmicas públicas.
Também se acordou explorar a realização de transmissões conjuntas, no estilo do programa internacional no YouTube, Red Internacional, com foco em temas transversais à juventude que permitam apresentar a corrente em escala internacional. E avançar na criação de grupos de estudo internacionais sobre temas específicos, aproveitando os vínculos já existentes com espaços acadêmicos e universitários onde é possível travar a batalha de ideias.
O balanço geral foi muito encorajador: há muitos pontos de contato entre os debates que ocorrem nos diferentes grupos, e não existem limites para uma colaboração que potencialize as capacidades mútuas. Há companheires com desenvolvimentos desiguais, mas também com talentos e especializações que não precisam esperar ter um suplemento próprio para entrar em ação.