[Vídeo] Marcello Musto e a gênese dos Grundrisse de Marx
No início deste mês de maio a Casa Marx recebeu Marcello Musto, professor da York University para o lançamento da coleção organizada por ele, "Alternativas do Capitalismo". O primeiro da série é "O primeiro rascunho de O Capital de Marx: história da gênese e recepção dos Grundrisse".
Redigidos entre 1857 e 1858, os Grundrisse foram o primeiro esboço preparatório de O Capital. Este manuscrito, que permaneceu inédito em português até 2011, contém numerosas reflexões sobre questões que Marx não teve a oportunidade de desenvolver posteriormente e é extremamente relevante para a interpretação geral do seu pensamento.O presente volume está dividido em duas partes. Na primeira, reconstrói-se o quadro histórico e biográfico no qual Marx redigiu os Grundrisse; na segunda, apresenta-se um relato completo da difusão e da recepção desse escrito em todas as línguas para as quais foi integralmente traduzido. A elas se acrescentam dois valiosos textos (a introdução e o epílogo), nos quais são reconstituídos os estudos econômicos realizados por Marx antes e depois dos Grundrisse.
Neste notável trabalho coletivo, já traduzido para vários outros idiomas e que se tornou leitura imprescindível para aqueles que se dedicam a O Capital, alguns dos principais estudiosos internacionais de Marx reexaminam o valor dos Grundrisse e apresentam um autor, sob muitos aspectos, diferente daquele conhecido por meio das correntes dominantes do marxismo do século XX.
Revelando pela primeira vez o conceito de mais-valor, Marx vai mostrando que sua base é a apropriação de trabalho alheio e a ilusão da relação de troca entre capital e trabalho. O capital não poderia sobreviver se ele se limitasse a reproduzir o valor originalmente adiantado na produção, e não poderia sobreviver sem a apropriação de uma parte do valor produzido pelo trabalhador. Essa é a base da produção capitalista. A conservação do capital é sua autovalorização. Dessa forma, não pode haver uma real relação de troca, porque ao final do ciclo produtivo o capital precisa receber mais do que aquilo que possuía de início, em detrimento do trabalhador de valorizou esse capital.
“É claro que o trabalhador não pode enriquecer por meio dessa troca, uma vez que ele cede sua força criativa pela capacidade de trabalho como grandeza dada. Ao contrário, ele tem mais é de empobrecer, porque a força criativa de seu trabalho se estabelece perante ele como capital, como poder estranho. Ele aliena o trabalho como força produtiva da riqueza”, diz Marx.
Uma das conclusões que o Marx tira aqui é que todo aumento de forças produtivas sociais não enriquecem o trabalhador, e sim o capital, elas só ampliam o poder que domina o trabalho.
Publicamos o vídeo de apresentação na Casa Marx.