90 anos após a revolução social de 1936: vamos resgatar o fio condutor da história.
Publicado originalmente no sábado, dia 18 de julho, no Izquierda Diario do Estado Espanhol.
O golpe de 18 de julho de 1936 buscou destruir à força uma classe trabalhadora que começava a se levantar. Mas a revolução e a resistência operária derrotaram os militares em grande parte do país e deram início a uma revolução nas fábricas, nos bairros e nos campos. Recordar essa experiência não é olhar para o passado: é resgatar o fio condutor da nossa história, denunciar a impunidade franquista e reivindicar a possibilidade de mudar tudo.
Confira o vídeo de Lucia Nístal (transcrição com tradução logo abaixo), teórica de literatura e pesquisadora comparada, professora na Universidade Autônoma de Madrid:
Neste 18 de julho completam-se 90 anos do golpe de 36, e ainda há fascistas miseráveis que se atrevem a reivindicá-lo, então vamos falar claro.
O que aconteceu em 36 foi um golpe militar, preparado pelos generais, a Falange, a Igreja e as grandes famílias. Contra o quê? Contra uma classe trabalhadora que estava se organizando, ocupava terras, fazia greves e começava a questionar quem manda. E quando o golpe foi derrotado em metade do país, foi porque operários e operárias saíram para enfrentá-los, apesar do governo da República, que pedia calma e se negou a distribuir armas até o último momento.
E não apenas frearam o golpe, os trabalhadores e trabalhadoras em fábricas e campos começaram a organizar a produção, tomar a terra, decidiam em assembleias, e abriu-se a possibilidade real de que quem trabalha dirigisse tudo: a revolução. Essa coragem é nossa, e neste dia 18 a reivindicamos.
Mas essa revolução tinha muitos inimigos. Dizendo que primeiro era preciso ganhar a guerra, o governo republicano, o PCE (Partido Comunista da Espanha) e o PSUC (Partido Socialista Unificado da Catalunha) recompuseram a ordem burguesa para ganhar as potências ocidentais que Stalin estava cortejando, e em maio de 37 afogaram a revolução em sangue nas ruas de Barcelona.
O que veio depois foram quatro décadas de franquismo. Mais de cem mil desaparecidos em valas que continuam lá, campos de concentração, trabalho escravo, bebês roubados, para esmagar a classe que havia se atrevido a levantar a cabeça, para que latifundiários e grandes empresários continuassem enriquecendo. É isso que os fascistas aplaudem.
E depois veio a impunidade, porque na Transição, os mesmos juízes, policiais e sobrenomes continuaram em seus lugares. A lei de anistia blindou os carrascos e continua em vigor. Por isso o franquismo não é passado, é uma ferida aberta, e cultivar a memória é denunciar essa impunidade e é lembrar que outra saída foi possível e que continua sendo.
Para falar de tudo isso, os companheiros da CRT em Barcelona, aliás, prepararam uma jornada pelo 90º aniversário da Revolução Social de 36 e a inauguração do local Yolanda González, uma militante trotskista que foi assassinada na transição.
Que não apaguem o fio vermelho da nossa história. Rompamos o seu consenso. Nem esquecimento, nem perdão.