Partido, mobilização e auto-organização: debates sobre como aproveitar a projeção de Myriam Bregman e da esquerda
Artigo publicado originalmente em espanhol no Ideas de Izquierda Argentina
Conversamos novamente com Emilio Albamonte*. Nesta terceira entrevista retomamos os fios da primeira e da segunda, desta vez a partir dos fóruns de debate da FIT-U que começaram no último dia 29 de junho, para discutir o problema que atravessa todas as polêmicas levantadas: o lugar da auto-organização na estratégia revolucionária.
Na última segunda-feira, dia 29, ocorreu o primeiro dos fóruns da FIT-U, que havíamos proposto a partir do PTS, e ali ficaram colocadas as diferentes posições. O PO e a Izquierda Socialista insistiram em desenvolver "comitês de apoio à FIT-U", embora não tenham respondido à nossa proposta de impulsionar desde já a coordenação dos setores combativos. O MST, por sua vez, vem expressando acordo com a ideia de que a FIT-U não é suficiente e de que precisamos dar um salto, o que para nós passa por colocar de pé um movimento por um partido da nova classe trabalhadora. No entanto, tendem a minimizar as grandes diferenças políticas que temos e que ficaram expressas no próprio fórum, que vão desde a própria ideia de que partido é preciso construir até problemas fundamentais como, por exemplo, a guerra na Ucrânia, na qual se colocam no campo ucraniano como se fosse possível separá-lo do apoio da OTAN que o dirige; ou a rebelião boliviana, na qual afirmam que levantar a palavra de ordem "todo o poder à COB" não tem nada a ver com embelezar uma direção que traiu a rebelião em janeiro e agora novamente. A partir de onde você considera que esse debate deve ser abordado para que não se transforme em uma discussão de "aparatos"?
Justamente para não ficar encerrado em uma discussão internista, quero começar por outro lado, por uma reflexão que fez há pouco, em uma entrevista, Ángel Luis Parras, um companheiro de grande tradição que foi durante muitos anos dirigente da LIT e que rompeu com essa organização, junto com outros companheiros da Corriente Roja do Estado Espanhol, com os quais atualmente estamos em um processo de fusão. Parras recordava que Nahuel Moreno repetia que nós, revolucionários, temos duas estratégias centrais e permanentes: a mobilização das massas e a construção do partido. E assinalava que nessa fórmula, vista à luz das grandes lições do século XX, falta um elemento crucial, que é o problema da auto-organização, do impulso aos organismos próprios da classe trabalhadora, não apenas nos momentos culminantes da revolução, mas em toda a sua preparação. E tirava uma conclusão que me parece muito aguda: tomada isoladamente, a "mobilização das massas" conduz a um objetivismo desenfreado, e a "construção do partido", sem uma política de auto-organização, leva a uma concepção aparatista de tudo. Parras destacava essa conclusão sobre a auto-organização como um ponto central na confluência com nossa organização internacional, a CRP-CI. Seu raciocínio me pareceu muito agudo porque toca em um ponto central relacionado às possibilidades de convergência com outras correntes.
Creio que aí está o coração da discussão que ficou colocada no fórum da última segunda-feira e que vem de longe. Porque a mobilização das massas, separada da auto-organização, pode terminar sendo puro discurso. Tomemos, por exemplo, o "Fora Milei" que o PO agita. Como palavra de ordem isolada, trata-se, ou de uma aposta espontaneísta de que as massas resolvam sozinhas — algo totalmente distante daquilo que Engels dizia, de que a insurreição é uma arte —, ou então se reduz a um puro discurso. E, por outro lado, a construção do partido sem uma política sistemática de auto-organização deriva no inchaço de um aparato puro e simples, na acumulação de militantes e recursos, algo que um partido burguês pode fazer perfeitamente. O que distingue um partido revolucionário é que sua construção está ligada àquilo que Marx dizia: que a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. A tarefa dos revolucionários não consiste em "representar" a classe trabalhadora, mas em ajudar com todas as nossas forças na luta para que ela se organize, para colocar de pé instituições próprias, para que se transforme em sujeito hegemônico. Se não compreendermos isso, não compreenderemos a que Marx se referia.
Por outro lado, essa é a única forma pela qual um partido de vanguarda pode impulsionar a organização de grandes massas. Os sindicatos e os centros estudantis, hoje esvaziados, precisam ser recuperados das mãos das burocracias que os controlam. Isso é, desde já, muito importante, mas, por seus próprios limites corporativos, de modo algum constitui uma resposta de conjunto para tarefas ofensivas da classe trabalhadora, se é que estamos pensando em uma revolução e não meramente em "manter" o que existe e buscar "prosperar" dentro do sistema capitalista e do regime burguês. Por isso, um ponto distintivo do PTS e de nossa corrente internacional (a Corrente Revolução Permanente – Quarta Internacional) é a luta constante pela auto-organização de base, contra toda fragmentação imposta pelas burocracias, sejam elas operárias, estudantis ou dos movimentos sociais, qualquer que seja seu signo político. A luta pela democracia operária e pela coordenação dos setores em luta é central para vencer a passividade e a desmoralização que a burocracia busca impor, e relaciona-se diretamente com nossa estratégia que implica, em perspectiva, colocar de pé conselhos de trabalhadores ("sovietes") para derrotar o Estado capitalista. Sem essas lutas, a emergência da classe trabalhadora como sujeito hegemônico é impossível.
A FIT-U cumpriu e cumpre um papel muito importante para que exista um polo de esquerda e de independência de classe na política nacional. É evidente que agora se abriu uma nova situação a partir da projeção de Myriam Bregman e da esquerda na situação nacional. Como você situa a luta pela auto-organização nesse quadro, levando em conta também as profundas mudanças que estão atravessando a situação internacional?
O partido revolucionário tem que ser aquilo que poderíamos chamar de um multiplicador estratégico. Se for apenas um aparato, pode acabar fazendo sindicalismo nos anos pares e eleitoralismo nos anos ímpares. A questão central é que ele sirva para articular, mobilizar e organizar volumes de força que, de outro modo, permaneceriam dispersos.
Quando éramos um pequeno grupo recém-saído da ruptura com o velho MAS, tivemos de enfrentar a queda do stalinismo e a confirmação da hipótese mais pessimista de Trotsky: a restauração capitalista na URSS e nos países do Leste. Naquele momento, a grande tarefa que assumimos não foi apenas defender o trotskismo contra o stalinismo, mas sustentar a perspectiva da revolução mundial e recuperar a herança teórica de Trotsky, porque, se não a recuperássemos, seria necessário começar tudo de novo, retrocedendo sessenta anos. Sabíamos que a situação voltaria a expressar tendências mais revolucionárias em algum momento, ainda que demorasse, porque o que havíamos sofrido era uma derrota terrível que marcaria toda uma etapa. Por isso, em sua época, chamamos nossa organização internacional de "Fração Trotskista"; éramos uma fração lutando para reconstruir a Quarta Internacional em meio ao deserto dos anos 1990.
Nesse marco, em 1995, em pleno auge do menemismo, escrevemos, junto com Fredy Lizarrague e Manolo Romano, um artigo intitulado "A estratégia soviética na luta pela república operária"; um título que parecia extemporâneo poucos anos após a queda do Muro de Berlim, e em certo sentido o era, mas estávamos recuperando aquilo que considerávamos um problema-chave. Não quero entediar com a história, mas me parece relevante para a discussão atual. Por que falamos em estratégia soviética e não em tática soviética? A frente única é uma tática; os sovietes, não. Os organismos de auto-organização situam-se no mesmo nível teórico que o partido revolucionário porque, assim como o partido, são multiplicadores estratégicos, isto é, multiplicam a força da classe, centralizam-na democraticamente e a expandem ao mesmo tempo. É nesse sentido que cada passo do movimento real vale mais do que uma dúzia de programas.
Além disso, a ausência de organismos de auto-organização não é neutra: ela conduz a outras estratégias. É o que analisamos no livro Estratégia socialista e arte militar com as revoluções do pós-guerra dirigidas por "partidos-exército", como na China ou no Vietnã. Ali houve revoluções vitoriosas, mas sem sovietes, sem democracia operária. Foram dirigidas por aparatos burocráticos com estratégias baseadas no campesinato e na guerra prolongada, e o resultado foram Estados burocratizados desde sua origem. A forma como a classe toma o poder não é indiferente ao tipo de Estado que surge depois; pelo contrário. Ao mesmo tempo, o partido revolucionário trava uma enorme batalha dentro desses organismos de auto-organização para que eles sejam expressão da hegemonia da classe trabalhadora e não sejam neutralizados pelo Estado burguês, como também ocorreu em inúmeros processos revolucionários.
Agora, a situação mudou muito em relação àquele deserto dos anos 1990, no qual nos concentramos em recuperar a herança teórica e o legado de Trotsky. Por esse motivo, também em nossa XIV Conferência Internacional, realizada no final do ano passado, mudamos o nome de nossa organização de "Fração Trotskista" para "Corrente Revolução Permanente". Hoje, as coordenadas são diferentes: já não basta conservar uma identidade trotskista em geral; é preciso fazê-la pesar na prática da luta de classes. Hoje há guerras como a da Ucrânia ou a do Irã, temos o genocídio em Gaza, há direitas mais duras, desenvolvem-se novos processos de luta de classes e fenômenos políticos pela esquerda em muitos países. Já não se trata apenas de resistir como "fração" e preservar um programa em meio à reação, mas de tentar confluir com os fenômenos que estão se desenvolvendo, de intervir na situação com uma estratégia clara. Por isso, também convocamos, junto com organizações de outros países, a construir um movimento por uma internacional da revolução socialista.
Parece-me importante fazer esse percurso antes de voltar à discussão sobre a FIT-U para ressaltar que não se trata de uma discussão conjuntural. Em uma etapa defensiva como a que atravessamos durante anos, o PTS foi o principal impulsionador de frentes para fazer agitação pela independência de classe. Antes da FIT, impulsionamos a "FITAS" com a Izquierda Socialista — que havia rompido com o MST — e o Nuevo MAS, quando o PO ainda não aceitava se somar. Depois, em 2011, constituímos a FIT com o PO, aceitando que ela fosse encabeçada por Altamira — que, após a ruptura no PO, também romperia com a FIT. Em 2019, quando o MST aceitou o programa da FIT, fomos impulsionadores de sua incorporação e assim surgiu a atual FIT-U. Até hoje continuamos considerando de enorme importância ter criado um espaço político de esquerda e de independência de classe em um país historicamente marcado pelo peronismo como expressão da conciliação de classes. Agora, a situação mudou e é isso que estamos debatendo quando discutimos como aproveitar a nova projeção de Myriam Bregman e da esquerda na situação nacional. A posição do MST, de que é preciso discutir como transformamos a FIT-U, representa um avanço, porque reconhece que uma frente que faz propaganda enquanto Milei aplica golpes todos os dias é insuficiente. Já não existe um neoliberalismo consolidado como nos anos 1990, e a ordem mundial está se desagregando. A questão é saber se as forças que acumulamos funcionam como multiplicadores estratégicos que criam instituições capazes, em perspectiva, de atacar o poder do Estado, ou se nos conformamos em fazer agitação eleitoral.
Trata-se de um debate que vai além da Argentina. Por exemplo, na França, nossos companheiros da Révolution Permanente obtiveram cerca de 7% dos votos em várias localidades nas últimas eleições municipais e conquistaram dois vereadores em Saint-Denis, uma cidade operária da região metropolitana de Paris, em sua primeira participação eleitoral. Como irão lutar ali contra a linha frentepopulista de Mélenchon? Na minha opinião pessoal, seria preciso apostar na criação de instituições próprias dos trabalhadores e da juventude em Saint-Denis. Ou seja, não se trata de discussões nem locais nem conjunturais, mas de problemas centrais que dizem respeito ao tipo de esquerda revolucionária que precisamos construir.
E que isso fique claro: não somos contra fazer uma grande campanha eleitoral; muito pelo contrário. O que afirmamos é que realizar uma grande campanha eleitoral sem criar esses comitês e coordenadoras nos deixa muito debilitados para o que está por vir.
Você apontava a necessidade de articular volumes de força que hoje permanecem dispersos. Justamente sobre essa dispersão existe todo um diagnóstico consolidado segundo o qual a precarização, o trabalho em plataformas e a queda da sindicalização transformaram a classe trabalhadora em uma soma de indivíduos, com um retraimento em direção ao individual, algo que as direitas conseguem capitalizar. Partindo desse ponto, qual o lugar ocupado pela auto-organização na reconstrução da força coletiva?
É um bom ângulo para retomar por que a questão não é mobilizar as massas "em geral" nem construir qualquer partido, mas sim compreender que a chave está na auto-organização. Como comentava em uma das entrevistas anteriores, hoje a burguesia domina por meio de um "Estado ampliado" — aquilo que Gramsci chama de Estado em seu significado integral, de ditadura mais hegemonia —, através do qual procura organizar o consenso e que inclui a colaboração das burocracias sindicais, dos centros estudantis, dos movimentos sociais etc. Diante desse gigantesco aparato, a classe trabalhadora permanece como uma soma de indivíduos dispersos. Isso não deixa de ser complementar ao ideal de Margaret Thatcher quando dizia que a sociedade não existe, que existem apenas os indivíduos. O conteúdo da luta pela auto-organização consiste justamente em impedir que existam apenas massas dispersas diante desse Estado ampliado. O problema é que, com exceção do PTS, o restante da esquerda argentina não tem como parte de sua prática — na verdade, ocorre mais o contrário — a luta pela criação de instituições de auto-organização, e essa é a maior diferença que temos com ela — para além das grandes divergências programáticas, como a que mencionamos anteriormente sobre a guerra na Ucrânia com o MST ou a Izquierda Socialista, por exemplo —, diferença que se expressa constantemente na prática, no movimento operário, no movimento estudantil etc.
É um debate que ultrapassa a FIT-U e a discussão sobre o fenômeno político que estamos analisando na Argentina. Tomemos o caso de Zohran Mamdani, membro do Democratic Socialist of America (DSA). Sua vitória para a prefeitura de Nova York expressou uma guinada à esquerda de setores importantes da juventude norte-americana. Agora, qual é nossa crítica de fundo? Não é apenas o fato de eles serem reformistas e nós revolucionários, que é a diferença mais óbvia. A questão central é que, inclusive para implementar seu próprio programa, eles não criam uma única instituição própria do movimento de massas que permita que o próprio povo trabalhador delibere e tenha peso ativo na luta pelo programa que aprovou nas urnas. Tudo depende, então, da boa vontade dos representantes eleitos e das concessões que consigam arrancar — ou não — do establishment democrata. Bhaskar Sunkara, editor da revista Jacobin e integrante do DSA, afirmou que Mamdani precisava criar assembleias populares como contrapeso à pressão do establishment. Muito bem, mas isso não teve nenhuma consequência prática, o que não é surpreendente se, ao mesmo tempo, se está chamando a apoiar candidatos dentro do Partido Democrata. Mas, mesmo que essas assembleias fossem criadas, permaneceria a pergunta decisiva: assembleias para pressionar o Estado burguês imperialista ou instituições de auto-organização que sirvam para a luta e que, em perspectiva, se proponham a ser organismos de poder?
E atenção: organismos de auto-organização podem surgir sob direções conciliadoras, como os sovietes de fevereiro de 1917 na Revolução Russa, dirigidos pelos mencheviques e socialistas revolucionários, e ainda assim representar um enorme avanço, porque constituem o terreno no qual os revolucionários podem disputar a direção diante do movimento das massas. É a partir dessas coordenadas que se desenvolve toda a nossa discussão com as demais organizações da FIT-U, mas ela começa por unificar entre si todos os conflitos que surgem em um território ou em uma categoria profissional para potencializar sua ação. Convém recordar, como relata Trotsky, que os sovietes não nasceram de nenhum plano mestre; em seus primórdios, foram modestas organizações de luta, comitês de greve que, diante da crise aberta pelo desastre da derrota russa frente ao Japão, evoluíram rapidamente e se transformaram, na Revolução de 1905, em uma nova forma de centralizar e expandir a luta e, ao mesmo tempo, na base material potencial de um novo tipo de Estado que superava a democracia burguesa. Ninguém os "decretou", mas tampouco teriam chegado a ser o que foram sem revolucionários que lutassem conscientemente para desenvolvê-los.
Você mencionava há pouco a questão do "Estado ampliado" e da estatização das organizações de massas, questão que aqui tem como ator central o peronismo...
Bem, todas as organizações da FIT-U, inclusive nós, somos muito enfáticas na denúncia ao peronismo, e isso está muito bem. Mas muitas vezes se esquece algo fundamental, que deveria caminhar junto: a consciência do proletariado, moldada durante décadas pelo peronismo, é uma consciência sindicalista, "trade-unionista", diríamos nos termos de Que Fazer?, de Lenin. Ou seja, a consciência de que se deve lutar apenas por aumentos salariais; muitas vezes, nem mesmo pelas condições de trabalho, ali onde se trocam horas extras, férias e ritmos de produção infernais pela obtenção de um salário mais ou menos digno. Em relação a isso, por exemplo, temos travado uma discussão muito forte com o PO sobre sua intervenção no conflito da FATE: não se pode ter um discurso radical pela greve geral e depois, na prática, nunca coordenar realmente com outros setores, nem se propor a radicalizar qualquer luta, mas buscar permanentemente o acordo "possível", que sempre implica concessões. Por exemplo, apesar de nossos chamados, não existe nenhum tipo de coordenação permanente entre a FATE e a Georgalos, que está localizada a apenas algumas quadras de distância, o que enfraquece ambas as lutas. Em termos gerais, o PO afirma estar de acordo, mas, nos fatos, insiste em sua política de lutas separadas.
E aqui temos uma discussão de longa data com o restante das correntes da FIT-U, porque o sindicalismo de esquerda muitas vezes acaba se parecendo com aquele praticado pelo peronismo, com a diferença — nada desprezível, mas insuficiente — de que não trai. Refiro-me ao fato de que evita as lutas de conjunto, separa as lutas sindicais das políticas — nos anos pares "se luta", nos anos ímpares faz-se campanha eleitoral. O famoso "lute e vote". Isso vai contra tudo o que aprendemos com a crítica de Lenin ao sindicalismo em Que Fazer?, onde ele contrapõe o ideal do secretário sindical ou "secretário trade-unionista" — que ajuda a sustentar a luta econômica contra os patrões e o governo, e aí permanece — ao "tribuno do povo", que sabe reagir contra toda manifestação de opressão, afete quem afetar, e sintetizá-las em um quadro único da exploração capitalista para explicar a importância histórica da luta emancipadora do proletariado. Lenin dizia que a política "trade-unionista" é, precisamente, a política burguesa da classe operária. Portanto, a pergunta que devemos fazer todos nós que denunciamos o peronismo é: em que medida somos uma alternativa ao peronismo que tanto denunciamos? Se reproduzimos, pela esquerda, sua separação entre o sindical e o político, evidentemente não o somos.
Nossa resposta é conceber todas as lutas, por menores que sejam, dentro de uma estratégia de conjunto que combine o sindical com o político e culmine na greve geral, e que procure preparar a vanguarda militante também na autodefesa, como um elo em direção àquilo que Engels chamava de "a insurreição como arte". Trata-se de conquistar visibilidade e simpatia entre os explorados, como fizemos nos grandes enfrentamentos da Panamericana, que permitiram vitórias como a da Kraft, em 2009, ou a da Donnelley, em 2014, e também algumas grandes derrotas que, por terem sido bem travadas e por suas lições terem sido bem explicadas, evitaram a desmoralização. O caso da Lear, em 2014, é um exemplo. Quando o SMATA queria que nossa comissão interna assinasse que todo trabalhador contratado passaria a receber um salário 30% inferior ao dos efetivos, os companheiros se viram obrigados a travar uma duríssima luta de seis meses, que acabamos perdendo. Nesse caso, e em outros, pensamos que é melhor perder uma comissão interna como resultado de uma luta bem travada do que manter sindicatos e comissões internas de cabeça baixa. Porque, além disso, a experiência demonstra que ceder às tentativas patronais de fazer com que as comissões internas e os sindicatos aprovem os ataques em assembleias, sob a ameaça constante de demissões, não salva coisa alguma. Se os ataques não são enfrentados, acabam conduzindo, de qualquer forma, à desarticulação da vanguarda militante e, finalmente, ao fechamento ou esvaziamento das organizações.
Em síntese, a luta contra a adaptação ao sindicalismo e ao eleitoralismo, contra a divisão entre o sindical e o político, contra os sindicatos esvaziados, é parte integrante da luta contra o peronismo; caso contrário, a denúncia ao peronismo não passa de puro discurso para a plateia.
Voltemos então aos fóruns e às respostas das outras forças da FIT-U. O PO e a IS propõem "comitês de apoio à FIT-U". Quais você apontaria como as principais diferenças entre essa proposta e a nossa proposta de colocar de pé instituições de frente única ou coordenadoras, ao mesmo tempo em que organizamos comitês por um partido da nova classe trabalhadora?
A proposta do PO e da IS é criar comitês da FIT-U — inclusive com a perspectiva de que terminem em um congresso ou assembleia nacional da FIT-U. A meu ver, trata-se de uma proposta ao mesmo tempo eleitoralista e sectária. Por que digo isso? Porque exige das pessoas que primeiro sejam da FIT-U, ou apoiem a FIT-U, para se organizarem para lutar. Há milhares de trabalhadores e trabalhadoras peronistas, independentes etc. que querem lutar contra Milei e que, nesse esquema, não têm outra opção senão aceitar previamente a FIT-U como condição de ingresso. Nós temos uma visão exatamente oposta. Queremos instituições de frente única nas quais participem peronistas, pessoas sem partido, companheiros que não concordam nem com Myriam, nem com Nico, nem com o PTS, nem com a FIT-U, mas que queiram lutar seriamente contra Milei e os patrões. Queremos mobilizar pessoas de diferentes ideologias, e não selecioná-las previamente por acordo político. Esse é o coração da tática da frente única operária tal como foi concebida pela III Internacional: "golpear juntos, marchar separados". Justamente porque se trata de lutar junto com aqueles com os quais não temos acordo político; caso contrário, a tática perde o sentido.
Sobre qual partido deve ser construído, podemos ou não chegar a acordos com as outras forças da FIT-U, e é legítimo que cada corrente defenda sua estratégia. O que não tem justificativa é que a FIT-U não impulsione instâncias de frente única que articulem os setores combativos para, assim, pressionar as burocracias dos grandes sindicatos, dos centros estudantis e das organizações de massas. Porque, se não se criam instituições de frente única, de unificação dos setores combativos, como podem ser as coordenadoras — nós recuperamos a formulação de Trotsky quando falava dos "comitês de ação" —, se não há organismos que imponham um custo político à burocracia quando ela permanece sentada em sua cadeira, não existe nenhuma possibilidade de que esses amplos setores que hoje simpatizam com a esquerda articulem volumes de força capazes de frear os ataques e derrotar Milei, nem de que possamos convencê-los de um programa e de uma estratégia revolucionários.
Há muitos exemplos negativos disso. Em Estratégia socialista e arte militar, analisamos o caso da Grécia com o Syriza, precedido por dezenas de greves gerais. Ali se viu claramente que, quando a frente única não se desenvolve na luta de classes, a energia do movimento é desperdiçada em dezenas de ações isoladas e sem continuidade, fortalecendo, ao final, variantes reformistas de colaboração de classes, que aparecem como o "mal menor" para massas desgastadas que não conseguem enxergar outro caminho. Trotsky analisou esse fenômeno na França de 1922 e afirmava que os reformistas ganham mais influência entre os trabalhadores quanto menos se enraíza a ideia e a prática da frente única contra a burguesia, porque o reformismo se alimenta da desorientação e da desmoralização da classe trabalhadora, que não consegue visualizar outra saída. A ascensão do Syriza foi exatamente isso: a tradução eleitoral da impotência à qual as burocracias conduziram o movimento de massas grego.
No fórum de debate, o PO afirmou que seria um "crime político" não fazermos um comitê da FIT-U em La Matanza, onde a Multicolor dirige o SUTEBA. Isso dependerá de como avançarmos nos acordos políticos. Agora, o problema central é se criamos instituições de coordenação, e nesse ponto deveríamos ser capazes de chegar a um acordo, ainda que mantenhamos todas as nossas diferenças. Diante disso, os companheiros da IS e do PO contrapõem à nossa proposta o PSC — o plenário sindical combativo —, que, na melhor das hipóteses, é uma reunião de dirigentes. Nós estamos falando de organizar a vanguarda e, em perspectiva, a base das organizações nas instâncias de coordenação, e não mesas de dirigentes. Como afirmou Christian Castillo no fórum, a questão é saber se conseguimos mobilizar a base dos ferroviários de Haedo e a base dos docentes de La Matanza para impulsionar uma coordenadora regional capaz de enfrentar Milei e o peronismo de Espinoza e Kicillof. Nos próximos fóruns, isso deverá continuar sendo discutido em profundidade, porque o problema, como colocaram tanto Christian quanto Laura Liff no debate, é que ainda somos muito fracos para mobilizar as forças necessárias para derrotar Milei; por isso, é decisivo colocar de pé essas instituições de frente única.
A partir daí surge a discussão de fundo. É necessário um partido revolucionário, mas, devido às diferenças existentes entre correntes históricas distintas, é muito difícil começar construindo comitês partidários comuns. No entanto, criar instituições de auto-organização em cada fábrica, em cada faculdade, em cada hospital, aplicando a tática da unidade de ação e, em relação à classe, a frente única operária — tal como a concebia a III Internacional: "golpear juntos, marchar separados", isto é, golpear juntos o inimigo de classe sem misturar as bandeiras com reformistas e centristas — pode nos permitir articular e mobilizar volumes de força não apenas para resistir, mas também para passar à ofensiva.
Sou um pouco mais pessimista quanto à possibilidade de construirmos um partido comum no curto prazo, devido à profundidade das diferenças programáticas e estratégicas. Mas sou otimista quanto à possibilidade de que os companheiros reflitam e possamos colocar de pé esse tipo de organismos comuns de luta e que, a partir dessa experiência prática compartilhada, possamos aproximar posições. As convergências sérias nunca surgiram de acordos diplomáticos, mas da prática comum na luta de classes.
Dito isso, entremos então na relação entre as duas propostas que fazemos a partir do PTS: a de impulsionar instituições de frente única e a de construir comitês por um partido da nova classe trabalhadora...
Com a proposta dos comitês, temos o objetivo de organizar a enorme simpatia que existe por Myriam, por Nicolás del Caño ou por Alejandro Vilca, em Jujuy, entre outros companheiros e companheiras que são muito reconhecidos e respeitados. Entre os companheiros e companheiras que se aproximam dos comitês, há uma parcela que chega impactada pelo fenômeno eleitoral e, evidentemente, queremos integrá-los aos comitês e discutir com eles. Ao mesmo tempo, temos a tarefa de destacar aqueles que desejam cumprir um papel mais ativo, porque queremos que os comitês intervenham ativamente nas lutas e, nesse sentido, uma de suas tarefas imediatas mais importantes deveria ser, justamente, impulsionar em cada local a coordenação dos setores combativos e da esquerda, ou seja, impulsionar a frente única para a luta da qual estamos falando. Agora, nos comitês também discutimos o programa e a estratégia que deveria ter um partido da nova classe trabalhadora, um partido de conteúdo revolucionário. Para isso, publicamos o manifesto "Como mudamos a história?", que vem cumprindo um papel muito positivo diante da avidez política e ideológica que observamos nos companheiros e companheiras que se aproximam dos comitês; em muitos deles já estão sendo organizados grupos abertos de estudo e discussão.
Estamos apenas começando essa experiência, mas os primeiros resultados são muito animadores. Entre os atos que realizamos nos últimos dois meses — em Ferro, aqui na Cidade de Buenos Aires, e também em Jujuy e em Neuquén — e as primeiras reuniões dos comitês, reunimos entre 12 mil e 15 mil pessoas, já que alguns participaram de várias atividades. Os atos de Jujuy e Neuquén contaram, respectivamente, com mil e mil e quinhentas pessoas, e o ato na Cidade de Buenos Aires reuniu cerca de seis mil. Foram realizadas as primeiras reuniões de mais de 100 comitês em aproximadamente 90 cidades do país, das quais participaram cerca de sete mil pessoas. Um dado muito significativo é que cerca de 12 mil pessoas se inscreveram pela internet em nossa comunidade para se somar aos comitês, inclusive em cidades e províncias onde não temos presença organizada. Trata-se apenas do começo, se comparado aos milhões que hoje afirmam que votariam em Myriam, mas demonstra que existe uma faixa de pessoas disposta a se organizar.
O decisivo é o conteúdo que dermos aos comitês. Realizamos reuniões periódicas porque queremos que sejam comitês militantes, e não comitês eleitorais que se reúnem uma única vez e permanecem como simples listas de contatos. Queremos comitês que discutam política nacional e internacional, programa e estratégia; que lancem grandes campanhas de apoio às lutas que hoje enfrentam o governo e os patrões; e que impulsionem novas instituições de auto-organização, instâncias amplas de coordenação da vanguarda militante em cada localidade, em cada cidade, como mencionava anteriormente. Ou seja, o que estamos discutindo é que o impulso a essas instâncias de auto-organização seja um dos objetivos centrais de todo comitê. Ao mesmo tempo, queremos tornar os comitês cada vez mais amplos, fazendo com que cada companheiro e cada companheira desempenhem um papel ativo em sua expansão. Não somos ultimatistas; não pretendemos que tudo isso se desenvolva de um dia para o outro. O ritmo com que avançarmos rumo a um verdadeiro partido também dependerá da luta de classes.
Contra a ideia de que discussões como estas sobre comitês, coordenadoras e frente única não passam de debates conjunturais ou de segunda ordem, gostaria que as levássemos um pouco mais ao debate teórico sobre estratégia no marxismo, ao qual inclusive autores contemporâneos do establishment acadêmico, que não têm nada a ver com o marxismo — penso, por exemplo, no historiador militar Lawrence Freedman — às vezes dedicam mais atenção do que aquela que lhe é dedicada na esquerda marxista...
Fico feliz que você mencione Freedman, porque é um autor que deveria ser muito mais discutido pela esquerda. Ele é provavelmente o mais prestigioso historiador da estratégia no mundo anglófono, professor emérito de Estudos de Guerra do King's College de Londres, um homem do establishment acadêmico britânico, nada suspeito de marxismo. E, no entanto, em sua principal obra, Estratégia: uma história, ele dedica cerca de um quarto do livro ao que chama de "estratégia a partir de baixo", levando a sério Marx, Engels, Kautsky, Luxemburgo, Lenin e Gramsci. Ou seja, um autor burguês sério compreende que o marxismo é, entre outras coisas, uma escola estratégica de primeira ordem, enquanto muitos marxistas menosprezam o pensamento estratégico ou o consideram um tema secundário. Em nossa concepção, ao contrário, o pensamento estratégico é a questão central do marxismo.
É interessante destacar o que Freedman identifica em Lenin. Ele considera que sua grande inovação estratégica não consiste em transformar o marxismo em uma teoria militar, mas em transformar a estratégia revolucionária em uma teoria política da conquista do poder, na qual organização, consciência, conjuntura, correlação de forças e insurreição fazem parte de um mesmo processo estratégico. Sustenta que Lenin preenche uma lacuna que permanecera relativamente aberta em Marx: não modifica a teoria da luta de classes, mas desenvolve uma teoria de como conduzi-la estrategicamente até a tomada do poder.
Isso se manifesta de forma extraordinária nos cadernos de notas de Lenin sobre Clausewitz, a famosa Tetradka de 1915, que o próprio Carl Schmitt — outro pensador reacionário, mas intelectualmente sério — definiu como um dos documentos mais extraordinários da história universal. Lenin parte da fórmula de Clausewitz segundo a qual a guerra é a continuação da política por outros meios. Mas essa fórmula obriga a responder a uma pergunta prévia: o que é a política? Para o liberalismo, a política é a administração do Estado. Para Lenin, seguindo Marx, a política é a expressão concentrada da luta entre as classes pelo poder de Estado. Assim, quando Lenin lê Clausewitz, ele altera o conteúdo da fórmula. E daí reafirma duas conclusões fundamentais. A primeira é que uma revolução não é simplesmente uma explosão espontânea, mas a continuação da luta política quando a crise do Estado leva o confronto a um nível decisivo. A segunda é que nem o partido nem a insurreição podem ser guiados por critérios puramente militares; a força só tem sentido se responder a objetivos políticos definidos pela luta de classes.
O ponto fraco de Freedman é que ele considera o partido leninista como o grande multiplicador estratégico da revolução — e nisso está correto —, mas, ao não levar Trotsky até suas últimas consequências, deixa de perceber o outro grande multiplicador estratégico, que são os sovietes. O soviete cumpre uma dupla função estratégica que nenhum outro organismo desempenha: expande a luta — incorporando setores cada vez mais amplos, inclusive os não organizados e os aliados da classe trabalhadora — e, simultaneamente, a unifica diante do Estado. Partido e sovietes são os dois multiplicadores estratégicos: o primeiro concentra a vanguarda em torno de um programa e de uma estratégia revolucionários; os segundos organizam as massas como sujeito político. Um sem o outro não é suficiente: sem partido, os conselhos permanecem nas mãos dos conciliadores, como ocorreu com os Räte alemães de 1918-1919; sem sovietes, o partido ou se torna impotente ou substitui as massas, como nas revoluções dirigidas por partidos-exército.
O que você diria ao companheiro que se aproximou entusiasmado com a perspectiva eleitoral e sente que estamos falando de outra coisa?
A primeira coisa que eu lhe diria é que, conosco, não existe nenhuma discussão sobre fazer ou não uma grande campanha eleitoral. Nós a faremos com toda a nossa força quando chegar o momento, como fizemos todas as vezes em que tivemos de travar a luta no terreno eleitoral.
As eleições são uma tribuna excepcional para educar milhões de pessoas sobre quem são os inimigos de classe, como fizemos na última campanha ao apontar os proprietários do país e defender a necessidade de romper com o FMI. Myriam cresceu enormemente no debate presidencial. Houve jornalistas nada próximos de nós, como Ignacio Zuleta, colunista do Clarín, que afirmaram que naquele debate havia quatro candidatos dizendo a mesma coisa e Myriam Bregman.
Essa capacidade de utilizar a tribuna eleitoral para a luta política de classe não pretendemos abandonar de forma alguma. O que afirmamos é que, se além disso formos capazes de mobilizar os volumes de força dos quais estamos falando, por meio de coordenadoras e instituições de frente única, teremos alcançado uma grande superação do papel de agitação programática, muito progressivo, que a FIT-U vem desempenhando.
Como você situaria esse último ponto dentro da discussão estratégica mais geral?
A discussão, se quisermos, pode ser remontada aos debates clássicos da estratégia no marxismo, como a polêmica entre a "estratégia de desgaste" e a "estratégia de derrocamento" que opôs Karl Kautsky e Rosa Luxemburgo a partir de 1910, a primeira grande discussão em que os conceitos da estratégia militar foram introduzidos explicitamente no debate político do marxismo. Naquele momento, Kautsky, diante da ascensão das lutas e da crise política do Império Alemão, propunha uma "estratégia de desgaste", cujo eixo consistia em esperar e preparar-se para as eleições. Contra essa orientação, que considerava passiva, Luxemburgo defendia impulsionar uma grande agitação por meio de todo tipo de reuniões e assembleias de base, com o objetivo de organizar uma greve geral de massas que unificasse os diferentes combates que estavam sendo travados.
O interessante é que Rosa Luxemburgo não era, de forma alguma, antieleitoralista, como frequentemente é caricaturada. Ela compartilhava com Kautsky a avaliação de que a crise abria enormes perspectivas eleitorais para a social-democracia. O que recusava categoricamente era contrapor as possibilidades eleitorais à necessidade de impulsionar o movimento real da luta de classes. Nisso reside boa parte da diferença entre as "duas estratégias". No debate, acabou prevalecendo uma linha mais próxima da de Kautsky, e sabemos como isso terminou: a social-democracia chegou a 1914 como uma gigantesca máquina eleitoral e sindical incapaz de enfrentar a guerra e, em 1918-1919, sem um partido revolucionário, o que foi decisivo para a derrota da Revolução Alemã.
Traduzido para os dias de hoje: não existe solução parcial que não passe pela derrota de Milei e pela prevenção da destruição das condições de vida do proletariado, e isso não se resolve na cabine eleitoral. Como dizia no início, não podemos nos contentar em "representar" a classe trabalhadora; nossa tarefa é ajudá-la na luta para se organizar, para construir instituições próprias e se transformar em sujeito hegemônico. Mas isso não elimina, nem para Rosa Luxemburgo em seu tempo, nem para nós hoje, a enorme importância da agitação política eleitoral.
Você gostaria de acrescentar algo mais?
Em primeiro lugar, gostaria de destacar o que vinha apontando sobre o que define hoje um trotskista. O que o define: defender a auto-organização da classe trabalhadora ou administrar pequenos aparatos que competem entre si? Nós acreditamos na primeira alternativa. Temos diferenças programáticas e estratégicas importantes com as demais forças da FIT-U, e não vamos escondê-las; pelo contrário, queremos que cada vez mais companheiros e companheiras se envolvam nesses debates, e foi por isso que propusemos os fóruns. Mas, se conseguirmos desenvolver coordenações comuns, instituições de frente única em cada local de trabalho e estudo, considero que a experiência prática compartilhada poderá nos aproximar muito mais do que qualquer acordo diplomático.
Juntamente com essa proposta, considero que deveríamos impulsionar reuniões abertas da bancada parlamentar da FIT-U. Uma "bancada aberta" com Myriam Bregman e Nicolás del Caño, proposta ao conjunto da FIT-U, à qual também possam se somar intelectuais, dirigentes operários e referências dos movimentos sociais, para discutir coletivamente a política nas ruas e a política parlamentar, bem como a forma de articulá-las. Que os mandatos parlamentares, que sempre afirmamos estar a serviço das lutas, funcionem também como tribunas deliberativas abertas ao movimento.
Se fizermos tudo isso que fui propondo ao longo da entrevista — os comitês, as coordenadoras, as instituições de auto-organização, a frente única imposta às grandes organizações, a bancada aberta —, a FIT-U se tornará uma realidade muito mais poderosa do que é hoje enquanto frente eleitoral. Essa é a nossa aposta e essa é a discussão que queremos desenvolver nos próximos fóruns.
*Emilio Albamonte é dirigente e fundador da Fração Trotskista–Quarta Internacional, hoje Corrente Revolução Permanente–Quarta Internacional, e do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) da Argentina. É coautor dos livros Estratégia socialista e arte militar e Debates e fundamentos sobre a luta pelo socialismo hoje.