A atualidade do Manifesto Comunista de Marx e Engels para o Século XXI
Vivemos em um momento histórico em que os limites do atual sistema se expressam em diversos âmbitos. Mais guerras, genocídio, pandemias, destruição ambiental, pobreza extrema gigantesca. Nesse texto argumenta-se sobre a atualidade do Manifesto Comunista e a necessidade do fim do capitalismo para a libertação da humanidade.
Nesse texto buscamos uma síntese das discussões apresentadas no Grupo de Estudos da Casa Marx Rio de Janeiro que debateu esses temas, no dia 09/05. O artigo propõe fazer uma revisão dos principais conceitos do Manifesto Comunista e realizar uma reflexão sobre a atualidade dessas ideias.
Para o início do debate sobre a atualidade do Comunismo, a partir do Manifesto Comunista, separamos um poema muito marcante do Modernismo no Brasil que se chama Ode ao Burguês, de Mário de Andrade:
“Eu insulto o burguês! O burguês-níquel, [o burguês-burguês!]
A digestão bem-feita de São Paulo! O homem-curva! O homemnádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, [italiano,] é sempre um cauteloso poucoa-pouco! Eu insulto as aristocracias cautelosas! Os barões lampiões! os condes Joões! os [duques zurros!] que vivem dentro de muros sem pulos; e gemem sangues de alguns mil-réis fracos para dizerem que as filhas da senhora falam o francês e tocam os Printemps com as unhas! [...] Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio! Morte ao burguês de giolhos, Cheirando religião e que não crê em Deus! Ódio vermelho! Ódio fecundo! ódio cíclico! Ódio fundamento, sem perdão! Fora! Fu! Fora o bom burguês!...” [1]
Quando Mário de Andrade leu Ode ao Burguês, em 1922, houve um grande choque. Ele foi extremamente vaiado pela plateia [2]. Ninguém estava esperando, afinal, era a semana de arte moderna, financiada pela burguesia brasileira, a burguesia de São Paulo, a suposta luz contra as trevas de burguesia progressista do Brasil se colocando como o “bom burguês”, o burguês que seria uma alternativa ao atraso.
E lá estava um dos principais artistas modernistas, que teve a ousadia de falar a verdade: não existe progressismo na burguesia.
Como isso se relaciona à compreensão do marxismo? Porque o Manifesto Comunista foi escrito em 1848, o momento no qual a burguesia, para Marx, perdeu o seu caráter revolucionário.
Em 1848 aconteceu uma grande revolta no mundo que foi a Primavera dos Povos. Uma revolução conhecida pelos historiadores como a primeira com potencial global dentro da esfera do capitalismo. Processo que tomou conta de mais de 10 países diferentes e foi extremamente popular, com os camponeses e os trabalhadores à frente. Influenciou, inclusive, de uma maneira impressionante, a Revolução Praieira, em Pernambuco, em 1848, e também na Revolução da Colômbia [3] (o que vale todo um estudo à parte).
Foi o momento em que essa burguesia, que estava trazendo o novo e se anunciava para as outras classes como se fosse uma alternativa, se alinha ao velho, à nobreza, aos senhores feudais, para reprimir os trabalhadores e o povo. A Primavera dos Povos se encerra com um banho de sangue dos trabalhadores e a burguesia mostra para o mundo o que Marx e Engels já estavam antecipando no Manifesto.
A burguesia freia o processo histórico e estabelece uma linha por onde a revolução não pode passar. E qual é esse limite? A propriedade privada. O seu período como classe revolucionária estava encerrado e agora se coloca como a própria classe dominante do novo tempo, capitalista.
O Estado como balcão de negócios da burguesia
Marx e Engels detalham como a burguesia, dominante no terreno econômico, conquista posições até se tornar dominante no poder político. Realiza uma grande transformação no mundo e depois disso, impulsiona processos revolucionários, em que seu maior símbolo é a Revolução Francesa, que significou como essa burguesia protagonista na economia conseguiu assumir o papel político e tomar o Estado para si. O estado se torna o “balcão de negócios da burguesia" e desaparece qualquer rastro do fantasma do “bom burguês”. O Manifesto aponta a ausência de neutralidade nesse espaço. O Estado atende aos interesses de uma única classe que se utiliza desse mecanismo para garantir seus ganhos e reprimir a classe dominada.
O Manifesto não teve uma influência em si dentro da Primavera dos Povos, mas quando esse processo se fechou, Marx e Engels escrevem em 1850 uma carta à organização que ele fazia parte [4], que era a Liga dos Comunistas, com a definição da necessidade de defender a Revolução Permanente, ou seja, a continuidade do processo de transformação que a burguesia tinha freado. Perceberam que a tarefa necessária aos trabalhadores era continuar o processo revolucionário que a burguesia, pelo seu caráter reacionário, interrompeu para se tornar classe dominante.
Entretanto, até hoje escutamos isso: “Existe uma parcela dos empresários, que são os bons empresários, aqueles que geram emprego, etc”. Em 1848 com Marx, depois 1922 com o Mário de Andrade, estamos em 2026, e, na verdade, já antecipavam, viam desde muito antes do que seus contemporâneos (e nem falar dos nossos), de qual é o caráter da burguesia, seu papel de conservador da ordem em relação à sociedade.
A transformação histórica da sociedade no capitalismo
Marx e Engels começam o Manifesto e logo nas primeiras passagens definem que a História da Humanidade é a História da luta de classes. Uma conclusão de que é necessário avançar na compreensão das disputas entre os homens, o que a religião e toda uma corrente de filósofos insistiam que se tratava de uma disputa de ideias. Uma formulação do materialismo histórico e filosófico que é uma superação do idealismo. Ele quis trazer, como definiu em outra passagem: “trazer a crítica do céu para a crítica da Terra" [5]. Nesse sentido, criticar as concepções de mundo e as explicações que trabalham ou para justificar, ou para não enfrentar as contradições da sociedade; e perceber que existem disputas por trás de cada uma das ideias dentro da sociedade e que elas não pairam no ar, que elas têm uma relação material com a realidade social.
A partir dessas conclusões de que se tratava de caracterizar o mundo dos homens, Marx e Engels se ocupam de caracterizar, em uma longa passagem, o caráter da transformação histórica. De maneira dialética, o Manifesto Comunista detalha como cada momento do processo histórico acumularam-se contradições que ao longo dos séculos decantaram no surgimento da burguesia, que cumpriu um papel revolucionário na história. Uma classe em ascensão que surge no seio das cidades na época do feudalismo e que com a expansão do mercado mundial, o colonialismo (que contém a escravidão), possibilitou-se a possibilidade da industrialização, retroalimentando os processos de expansão do seu poder e do o capitalismo no mundo.
A nova época capitalista avançou as forças produtivas como nunca antes e somente pode existir se transformar constantemente os meios de produção. Cria forças produtivas poderosas que estavam contidas no seio social. Marx compara com o feiticeiro que perde o poder que invoca, com uma produção cosmopolita e um mundo à sua imagem e semelhança. Esse enorme novo sistema incontrolável em sua força submete o campo à cidade, os camponeses, e todas as populações, suprime todas as formas de organização distintas e unifica as populações e o poder. Tudo que era sólido desmancha no ar, retira o véu da opressão das sociedades tradicionais milenares e religiosas e simplifica os antagonismos de classe.
A burguesia cria as armas e o exército de sua morte: o proletariado
Com o capitalismo, as forças produtivas deixam de corresponder às relações de produção. Uma revolta das forças produtivas contra as modernas relações de produção, épocas repetidas de crise de superprodução, crises que destroem as forças produtivas, abrem novos mercados ou super e pioram os velhos. Essa passagem, apesar do palavreado pouco usual, é extremamente atual. Como a classe dominante busca que a tecnologia esteja atrelada a sua manutenção no poder. A submissão incondicional da ampla maioria ao mercado, em um contraste extremo com o nível de avanço tecnológico. A nova ordem criada pela burguesia tem como pressuposto que milhões vivam em condições de opressão e exploração e para Marx esse é o prenúncio do futuro.
O operário perde toda sua autonomia e torna-se apêndice da máquina, reduzido à condição de mercadoria, flutuante no mercado, como todas as outras. Seu esforço de vida serve apenas para cobrir os meios de subsistência e os excedentes dos frutos do seu trabalho são roubados pela classe dominante.
Para manter seu posto de poder, a burguesia condiciona o trabalho à vigilância constante, militarizado em uma ditadura de fábrica. Marx faz a correlação que quanto mais o negócio tem a finalidade de lucro, maior a exploração. Inclusive com a utilização da idade e o sexo como meios de opressão que ampliam os ganhos do capital.
A luta de classes é uma luta política
Nesse momento do Manifesto, Marx e Engels definem que a luta de classes é uma luta política. Uma definição essencial e muito esquecida por quem reduz o marxismo a uma teoria econômica.
Em sua luta para chegar e se manter no poder, a burguesia precisa exercer sua dominação através da política. A classe dominante vive em constante guerra, a exploração de outros membros da burguesia, de outros países e de outras frações de classe, assim como submete a um processo crescente de proletarização de outras classes, dos camponeses e populações tradicionais que migram para as cidades para trabalhar. Nesse embate pela desapropriação das terras, de conquista e saque do mundo, recorre constantemente ao proletariado contra seus inimigos e dessa forma os arrasta para a política.
O Manifesto pontua, em sua época, os momentos dessa organização da classe trabalhadora como sujeito político. Primeiro, ela destrói as máquinas (o movimento do ludismo), depois, se torna 'bucha de canhão' dos burgueses contra as classes pretéritas (a nobreza, os senhores feudais, etc.). Pela sua própria condição de vida e de trabalho, a classe trabalhadora é unificada pela burguesia em relação a outros setores. A união na luta obtém como consequência importantes vitórias parciais que tem como consequência uma crescente consciência maior acerca de sua condição. Marx traduz esse processo dessa forma: “Os operários triunfam às vezes; mas é um triunfo efêmero. O verdadeiro resultado de suas lutas não é o êxito imediato, mas a união cada vez mais ampla dos trabalhadores.” [6]
É muito interessante perceber que Marx localiza a vitória dos trabalhadores na redução da jornada como um movimento político e não só econômico: “Em 1847, a última onda de atividade cartista conquistou a jornada de dez horas: a primeira vitória histórica da classe operária foi produto de um movimento claramente político” [7].
Portanto, para Marx a exploração dos trabalhadores pela burguesia não é apenas econômica, se faz através da política e isso é essencial para garantir que os meios de produção continuem nas mãos de uma única classe. A classe dominante busca ativamente que a classe dominada acredite nos seus senhores, reproduza suas ideias, siga os seus líderes, confie em seus partidos e em seu regime de poder.
Ao mesmo tempo em que as necessidades do mercado unificam a sociedade em torno de leis e sistemas globais integrados de produção, também aglutinam a classe trabalhadora, que se politiza, reage, e começa a se organizar, em em um enorme exército crescente que contém em si o futuro.
A necessidade de construção de um partido revolucionário dos trabalhadores
Se a classe trabalhadora está sendo politizada pela burguesia para os fins de sua dominação, porque não construir uma organização e uma representação própria dos trabalhadores para pôr fim a isso? Esse é o objetivo central do Manifesto Comunista.
Dotar a classe trabalhadora de um programa e uma estratégia para ultrapassar os limites estreitos de reivindicação impostos pela burguesia. Os comunistas são aqueles que buscam organizar o seu partido e têm clareza das necessidades históricas da classe trabalhadora, buscando avançar para a tomada do poder e o fim do capitalismo, para uma sociedade sem classes e sem estado, sem opressão e exploração.
Formulam a necessidade de a classe trabalhadora ter independência política em relação à classe dominante e arrastar atrás de si o conjunto e explorados e oprimidos pelo sistema capitalista, acumular força suficiente, até conseguir transformar a sociedade de conjunto. Tomar o poder em um sistema de transição em que os trabalhadores sejam o fator predominante, até a derrubada completa do sistema capitalista.
Os operários não têm pátria
Uma conclusão muito importante e totalmente atual é a ideia de que 'os trabalhadores não têm pátria'. O Manifesto desenvolve que o proletariado já não têm acesso à propriedade (ela já é abolida para o conjunto dos trabalhadores), a família dos trabalhadores é totalmente violada pela burguesia e eles próprios também não têm pátria, exploram, roubam e traem aqueles que eles mesmos dizem defender.
Com o desenvolvimento do comércio e desse mercado mundial, que cria uma uniformidade global da produção, cria-se uma dependência geral entre todos os países e uma interdependência que gera uma relação de opressão entre as nações. A luta de classes se expressa como luta política nacional, de cada trabalhador contra a burguesia que o explora em seu país, e que faz parte da luta no terreno internacional.
O Manifesto é visionário em apontar que a opressão entre as nações só pode ser superada pela unificação da classe trabalhadora com a unidade global dos explorados e oprimidos. Com a transformação do mundo através da Revolução Socialista a classe trabalhadora pode dar uma alternativa real para o decadente mundo capitalista. A ideia do Manifesto Comunista é formular um programa e dotar a classe trabalhadora de uma ferramenta contra sua opressão: criar um partido revolucionário internacionalista.
E isso se expressou como uma grande batalha na vida do Marx e Engels, de um longo esforço no trabalho de organização e de mobilização dos trabalhadores.
É muito comum uma leitura do Manifesto como se fosse assim: “os operários foram lá bater na porta do Marx e falar: escreve aqui para a gente”. Isso se relaciona à perspectiva comum da academia atual de tratar o Marx fosse um sociólogo, um homem de gabinete, um intelectual simplesmente à parte da classe trabalhadora. Em Marx e Engels [8], Riazanov detalha uma realidade totalmente distinta. O Manifesto Comunista na verdade foi fruto da decisão política desses revolucionários em criar um enraizamento na classe trabalhadora, fruto de uma série de embates teóricos e políticos com as tendências existentes na época, como a condensação da busca ativa por um partido e uma organização internacional revolucionária. O Manifesto foi fruto de um reconhecimento de um trabalho consistente no movimento operário.
Reflexões sobre o Comunismo no Século XXI
Marx identifica que as ideias dominantes de uma época são as ideias da classe dominante. É muito impactante a percepção de que esse sistema vai moldando a nossa personalidade, a nossa identidade e a nossa cabeça. É muito contraditório e chega a ser angustiante, acompanharmos enquanto estamos vivos como os avanços tecnológicos não são colocados a serviço de uma vida melhor, da preservação ambiental ou da proteção dos povos originários e quilombolas.
Ao invés de melhorar nossas condições, estamos tendo que discutir a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 — temas que já eram debatidos no Manifesto Comunista em 1848. São retrocessos que mostram como o capitalismo é destinado a crises e guerras, mas também à possibilidade da revolução.
O impacto subjetivo na classe trabalhadora é brutal: adoecimento mental e um fardo de culpa que recai sob todos, de pensarmos que nunca seremos suficientes para vivermos, e isso é ainda mais profundo sobre as mulheres. O capitalismo consome nossa vitalidade para nos subordinar e impedir que sejamos sujeitos políticos. Como diz o livro, “A Precarização Tem Rosto de Mulher” [9]. Hoje, uma revolução no Brasil teria a cara das mulheres pretas, das terceirizadas que fazem as universidades e hospitais funcionarem e que são mais exploradas por serem mulheres racializadas.
Os dados da desigualdade são gritantes: segundo a Oxfam, desde 2020, cinco bilionários dobraram sua riqueza, enquanto 5 bilhões de pessoas pioraram de vida [10]. A ideia de que empresários criam trabalho é absurda; o que fazem é roubar legalmente o nosso suor. No Rio de Janeiro, vemos o aumento brutal da população de rua e da violência policial, muitas vezes com apoio de uma subjetividade que virou à direita.
Em contraponto a essa barbárie, temos uma classe trabalhadora mundial expressiva. Como diz o Manifesto, 'os trabalhadores não têm pátria'. Temos mais em comum com o povo palestino — que sofre um genocídio cotidiano, como relatou nosso companheiro que foi a Flotilha levar seu apoio à Gaza — do que com as burguesias nacionais que nos convocam para suas guerras.
Mesmo que o horizonte de luta pareça distante no Brasil, temos exemplos reais: a greve estudantil na USP, onde os estudantes ocuparam a reitoria em apoio aos trabalhadores em que a forte paralisação dos técnicos conseguiu ser tão impactante que obteve vitórias em apenas três dias de luta.
Na academia e nas redes sociais, muitas vezes enfrentamos um discurso derrotista de que 'não há saída' ou de que a solução é individual (o “confia em si” do neoliberalismo). Mas o que Marx aponta, e que segue atual, é que existe uma alternativa: um programa revolucionário para dotar a classe trabalhadora de uma ferramenta para que os capitalistas paguem pela crise.
O desafio é nosso e nossa geração tem tarefas a cumprir para a humanidade. A classe trabalhadora é a portadora do potencial de cooperação e de uma sociedade não alienada. O comunismo é essa construção coletiva da realidade, como diz Marx: “uma Sociedade de trabalhadores livremente associados”, mas essa saída não se faz apenas com um ideal e sim com a política e a organização da classe trabalhadora e dos setores oprimidos se colocarem cada vez mais como sujeitos de transformação social.
A potência da cooperação, que o Manifesto Comunista traz de forma tão forte, é a ideia da classe trabalhadora como dirigente da sociedade. Historicamente, vimos surgir mecanismos de auto-organização, como os soviets na Revolução Russa, os cordões industriais no Chile, e processos nas revoluções Iraniana e Portuguesa. Olhamos para o passado não por curiosidade histórica, mas para tirar lições do que as gerações anteriores nos ensinam. O socialismo não é pré-fabricado; o desafio é pensar como nos organizamos hoje, enfrentando o Estado, que funciona como um “balcão de negócios”.
E para isso, Marx e Engels apresentam a necessidade que os trabalhadores avancem em sua organização de forma independente da burguesia, que não atrele o seu projeto à decadente classe dominante. Isso para nossa época é uma lição enorme. Nossas organizações não podem estar atreladas ao estado complexificou muito desde 1848 e busca ativamente destruir a potência, ou se não é possível, cooptar todas as organizações da nossa classe. Se nós que buscamos uma saída para a sociedade capitalista nos atrelamos a esse estado que pertence a burguesia, estamos limitando nosso programa e perspectiva ao teto rebaixado de vida e de expectativa que eles querem para nós. E isso para nós é a miséria do possível que precisa ser superada.
Hoje vemos uma esquerda que se adapta à lógica do 'mal menor', distanciando-nos da construção de um programa próprio, independente, classista. Um exemplo inspirador vem da Argentina: nossa organização que se chama PTS e a Myriam Bregman que aparece como a figura com mais aprovação do país sendo uma revolucionária trotskista que não abaixa as bandeiras dos trabalhadores, das mulheres e dos setores oprimidos. Enquanto o Governo Milei tenta passar reformas trabalhistas brutais, ela usa o parlamento como tribuna para chamar greves gerais e ocupar as ruas ao lado dos trabalhadores, enfrentando a repressão policial. Ela oferece uma alternativa real que queremos construir, sem cair no vazio de submeter o projeto da esquerda à conciliação com a direita e os empresários que vemos muitas vezes aqui no Brasil.
Sabemos que o desafio é enorme. O Manifesto é um convite para superarmos essa fragmentação. Precisamos fortalecer nossos espaços de curso e estudo para combater as ideias que nos levam à passividade. Convidamos a todos a buscarmos mais sobre o passado da nossa classe, o que foram os soviets e esses mecanismos de auto-organização, para pensarmos como nos organizamos hoje.
O imperialismo não está derrotado; ele segue vivo e se atualizando, mas a classe trabalhadora também não está derrotada. Nós somos o motor da vida; sem a gente, nada funciona. Não é a reitoria que faz as universidades funcionarem, nem os empresários e seus governos — somos nós, os trabalhadores enquanto sujeitos que construímos esse mundo e ele merece ser nosso e de toda a humanidade.
Referências Bibliográficas:
ANDRADE, Mário de. Paulicéia Desvairada. In: Poesias Completas: Mário de Andrade; edição crítica de Diléa Zanotto Manfio. São Paulo: Itatiaia, 1987.
ASSUNÇÃO, Diana (org.). A precarização tem rosto de mulher: a luta das trabalhadoras e trabalhadores terceirizados da USP. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Edições Iskra, 2020
CLAUDÍN, Fernando. Marx, Engels e a revolução de 1848. São Paulo: Boitempo, 2025.
ISAIAS, LIMA, SILVA. Mário de Andrade e o ódio pelos olhos apáticos da burguesia, em Paulicéia Desvairada. Quase-artigo. Preguiça, Florianópolis, v. 6, n. 1, 2025
MARX, Karl. Engels Friederich. Mensagem da Direcção Central à Liga dos Comunistas. Obras escolhidas. São Paulo: Edições Avante, 2006.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo editorial, 2007.
MARX, Karl. Crítica da filosofia do direito de Hegel. São Paulo: Boitempo, 2010.
OXFAM BRASIL. Os cinco homens mais ricos do mundo dobraram suas fortunas desde 2020, enquanto cinco bilhões de pessoas ficaram mais pobres. São Paulo, 14 jan. 2024. Disponível em: https://www.oxfam.org.br/os-cinco-homens-mais-ricos-do-mundo-dobraram-suas-fortunas-desde-2020-enquanto-cinco-bilhoes-de-pessoas-ficaram-mais-pobres/. Acesso em: 1 mai. 2026.