Myriam Bregman, fenômeno da esquerda argentina, lança "Moderada nunca" no Brasil em agosto
A Editora Iskra acaba de anunciar a abertura da pré-venda do livro Moderada nunca: apontamentos contra a resignação, a submissão e o conformismo, da autora Myriam Bregman, fenômeno da esquerda revolucionária argentina, que virá ao Brasil para o lançamento da obra em 8 de agosto.
A autora, linha de frente no combate ao reacionário Javier Milei, procura debater quais perspectivas a esquerda pode ter no combate à extrema direita também no Brasil. Em um contexto de maior ingerência dos Estados Unidos nos países da América Latina, Myriam insiste em um combate frontal, no qual o programa político de independência de classes da esquerda não deve ser visto como algo secundário para “privilegiar as alianças”.
E seu livro serve a este propósito: revisita a história do movimento operário, da recuperação das fábricas, dos julgamentos contra os perpetradores da ditadura argentina e do poder fenomenal do feminismo para nos lembrar por que somos de esquerda e por que nos querem “moderadas”.
O livro é uma tradução da edição argentina, que carrega o nome Zurda, título que, para o público argentino, remete a um termo frequentemente utilizado de forma pejorativa para se referir à esquerda, em um sentido semelhante ao que entendemos, no Brasil, como "esquerdista". Mas Myriam nos provoca: por que pejorativo? Por que seria depreciativo carregar consigo um adjetivo que expressa que, na história, escolhemos estar do lado da classe trabalhadora e dos povos oprimidos? Por que seria mal visto ser chamado de "esquerdista", se o que a esquerda defende é o fim da existência de uma classe social parasitária que suga o trabalho e o tempo de vida de milhões de trabalhadores em todo o mundo?
“Somos de esquerda porque tudo isso nos revolta e nos impulsiona a querer transformá-lo. E porque percebemos que é necessário nos organizar para travar as batalhas que nos são impostas, do outro lado, por aqueles que contam seu patrimônio em bilhões de dólares, diamantes, ouro, propriedades, investimentos, grandes extensões de terra e, sobretudo, tempo: o tempo que roubam, cotidianamente, das nossas vidas.” (BREGMAN)
Neste pequeno livro, “encontramos um sentido de coletividade militante que também nos permite pensar as memórias do futuro”, aponta Diana Assunção, autora da apresentação à edição brasileira. “Não é um livro para ficar nas prateleiras; é um livro que nos convoca à luta cotidiana”, continua.
A edição brasileira reúne, além do texto de Myriam Bregman, contribuições de Andrea D’Atri e Fernando Rosso, ambos dirigentes do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), organização irmã do MRT no Brasil, que impulsiona o Esquerda Diário e a Casa Marx. Seus textos oferecem ao público brasileiro elementos para compreender não apenas a trajetória da autora - da qual ambos participaram de forma decisiva -, mas também os principais debates que atravessam a esquerda latino-americana.
Sobre Myriam Bregman
Myriam Bregman é deputada pelo Partido dos Trabalhadores Socialistas, foi candidata à Presidência da Argentina em 2023 pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidade (FIT-U) e é advogada de direitos humanos.
Como advogada do Centro de Profissionais pelos Direitos Humanos (CEPRODH), Bregman foi peça-chave na condenação de agentes da ditadura militar argentina, tendo atuado no histórico julgamento que condenou à prisão perpétua o ex-diretor de polícia Miguel Etchecolatz. Foi advogada de Jorge Julio López, sobrevivente da ditadura que voltou a ser "desaparecido" em 2006 após testemunhar contra seus torturadores. Atua como professora universitária na Universidade de Buenos Aires (UBA) e defende trabalhadores de fábricas ocupadas.

Ao contrário de todas as referências que surgem a partir dos fenômenos políticos à esquerda, que aparecem em resposta ao avanço da ultradireita em diferentes países, Myriam Bregman ecoa um programa de independência de classe e anticapitalista fundado na luta de classes contra Javier Milei. Não se trata de uma referência social-reformista que faz parte de um partido capitalista como Zohran Mamdani; tampouco de uma esquerda reformista como Die Linke, ou de um partido de conciliação dentro de um governo burguês de Frente Ampla, como o PSOL: estamos falando da emergência histórica da esquerda trotskista.
Bregman é uma das figuras mais reconhecidas do feminismo argentino contemporâneo. Militante do grupo internacional de mulheres Pan y Rosas, esteve na linha de frente das mobilizações do movimento Ni Una Menos e foi uma das principais referências da "Maré Verde", que culminou na conquista da legalização do aborto na Argentina.
LANÇAMENTO: 8 de agosto
Myriam vem ao Brasil para o lançamento em 8 de agosto, às 15h, no Sindicato dos Metroviários de São Paulo (R. Padre Adelino, nº 700). Leia mais sobre o livro e reserve o seu na pré-venda através do link.