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Novamente: como aproveitar a posição de Myriam Bregman e da esquerda na situação nacional argentina

Por Entrevista com Emílio Albamonte | | Atualizado em 10.06.2026
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De Matías Maiello

Conversamos com Emilio Albamonte. Nesta segunda entrevista retomamos os fios da entrevista anterior, desta vez para discutir como o fenômeno da esquerda se inscreve no quadro internacional e, sobretudo, como dar um conteúdo concreto à proposta dos comitês.

Emilio Albamonte é dirigente e fundador da Fração Trotskista–Quarta Internacional, hoje Corrente Revolução Permanente – Quarta Internacional, e do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) da Argentina. É coautor dos livros Estratégia socialista e arte militar e Debates e fundamentos sobre a luta pelo socialismo hoje.

Há alguns dias conversamos sobre como caracterizar o fenômeno político em torno de Myriam Bregman e da esquerda. Para retomar a discussão, como você o inscreve hoje no quadro internacional? Qual é o peso do que está acontecendo no mundo e na região?

É preciso começar por aí, porque seria um erro analisar o fenômeno de Myriam e da esquerda como um fato isolado, puramente argentino. Faz parte de um processo que ocorre em nível internacional, e para entendê-lo é necessário olhar o quadro em conjunto. O primeiro ponto é que Trump está enfraquecido, e isso é decisivo. Na guerra imperialista contra o Irã, os EUA e Israel estão atolados e não sabem como sair; provavelmente terão pela frente um conflito prolongado do qual não sairão vitoriosos estrategicamente. As implicações disso para a situação internacional são muito importantes e têm pontos de contato com o que foi, em seu momento, a guerra do Vietnã. Trump está liquidando o “soft power” norte-americano e isso reativa sentimentos anti-imperialistas.

Tenho a hipótese de que a derrota dos EUA no Irã pode desempenhar para as gerações atuais um papel semelhante ao que desempenhou o Vietnã para a geração de 68. O Vietnã foi uma longa guerra onde, em última instância, terminou prevalecendo a moral de um povo que defendia seu território frente a uma potência arrogante. Estão se desenvolvendo elementos disso em todo o movimento que vem ocorrendo em nível internacional em solidariedade ao povo palestino. Sem ir mais longe, na Itália, em 18 de maio, houve uma nova greve geral em solidariedade à Palestina, convocada pela USB e outros sindicatos de base, em pleno ataque israelense à Global Sumud Flotilla, em continuidade com a greve geral de outubro do ano passado, quando três milhões de pessoas saíram às ruas.

Aqui o enfraquecimento de Trump repercute diretamente porque o governo de Milei representa o alinhamento mais servil com o imperialismo norte-americano e com o Estado de Israel que a Argentina teve em décadas. Esse alinhamento pró-imperialista de Milei, que o salvou no ano passado antes das eleições de outubro, quando seu plano econômico estava afundando e Trump o ressuscitou, hoje cada vez mais o ata a um governo de Trump em crise: Milei depende do apoio de Trump, um apoio que hoje não pode ser mais do que precário, não apenas pela crise externa da hegemonia ianque, mas também pela queda interna do próprio Trump nos EUA e pela possibilidade de sofrer uma dura derrota nas eleições de meio mandato em novembro deste ano.

E nesse cenário, na América Latina temos a rebelião na Bolívia contra o governo direitista de Rodrigo Paz…

Exatamente, e essa é a chave regional. Na América Latina temos o ataque à Venezuela e as tentativas de recolonizá-la pela mão de Delcy Rodríguez; também Trump está levando adiante o cerco e o bloqueio criminoso contra Cuba. Mas é uma ofensiva que ocorre no marco do declínio hegemônico do imperialismo estadunidense. Trump lançou sua própria Doutrina Monroe, mas o faz a partir de uma situação complicada, como assinalava antes, com um índice de aprovação nos próprios EUA que chega a apenas 35%. A rebelião operária, camponesa e popular na Bolívia contra Rodrigo Paz hoje é o ponto mais explosivo da resistência contra essa ofensiva.

A pergunta que deve ser feita é se o que acontece na Bolívia é o início de uma contraofensiva em nível regional contra os governos de direita, como Paz, como Milei ou Kast no Chile, onde o movimento estudantil está ressurgindo; os três enfrentam crises aceleradas. A direita ganha eleições, como mostrou recentemente a Colômbia, mas não consegue governar. Na Bolívia, muitos votaram em Paz contra os candidatos da direita mais dura como Tuto Quiroga, mas tão logo assumiu lançou um plano de ataque brutal. Na Bolívia está colocado um processo tendencialmente revolucionário. O mais profundo são os elementos de auto-organização por baixo, com os comitês de bloqueio autoconvocados que ultrapassam o controle da burocracia da COB e das direções camponesas.

A burguesia argentina não assume que há um processo tendencialmente revolucionário no norte do país. O regime está tão ensimesmado em sua disputa eleitoral que não percebe que, a poucos quilômetros, está em jogo se começa a se romper o plano de subordinação imperialista que as direitas vêm impondo em toda a região. Se Paz cair, se a greve geral se efetivar, o efeito sobre Milei será inevitável. Por isso o fenômeno de Myriam e da esquerda não pode ser analisado como um fato isolado, é a expressão, em nosso país, de um processo que tem essa dimensão mais ampla.

Como colocavam Marx e Engels, a luta da classe trabalhadora é nacional em sua forma, mas internacional em seu conteúdo. Eu não consigo imaginar uma revolução na Argentina sem confluir com a enorme combatividade que mostra o proletariado e o campesinato boliviano na rebelião destes dias, ou sem se propor estrategicamente a mais estreita unidade com a imensa classe trabalhadora brasileira. Imaginemos por um momento se lutássemos juntos os proletariados do Cone Sul: onde ficaria o plano de Trump de avançar sobre a América Latina? País por país somos fracos. Unidos somos imparáveis. Infelizmente, a burguesia conta com instituições para coordenar-se, como o Mercosul. Os trabalhadores, no máximo, têm coordenações burocráticas, mas não internacionalistas. Isso faz parte da discussão sobre o partido que temos que construir; quando dizemos partido da nova classe trabalhadora, o internacionalismo é absolutamente chave.

Depois da entrevista anterior você me disse que havia ficado pendente fazer um balanço de outros momentos nas últimas décadas em que a esquerda obteve votações importantes. Que lições você tira desses processos?

De fato. Tanto no processo de 1989-1991, que foi o início do governo de Menem, como depois na crise de 2001, a esquerda teve períodos em que as pesquisas lhe davam índices muito altos e com bons resultados eleitorais. Sua principal referência era Luis Zamora, um grande e sólido companheiro propagandista das ideias da esquerda. Talvez esses processos fossem mais limitados, fundamentalmente à Cidade de Buenos Aires e à Província de Buenos Aires, e não nacionais como hoje estão mostrando as pesquisas de “imagem” e de eventual votação em Myriam. A esquerda que se reivindica classista tem que tirar lições desses processos que sirvam para nos orientar no presente.

Diante da publicação de múltiplas pesquisas e da reação nas ruas que encontram nossos referentes — Myriam foi ouvida e ovacionada por milhares de pessoas na marcha do 3J —, estamos obrigados a pensar com responsabilidade. Agradecemos a todos os companheiros intelectuais, dirigentes operários, etc., que nos escrevem e nos entrevistam permanentemente, não apenas para nos aconselhar, mas para ver se é possível encarar um empreendimento coletivo. Nesse sentido, publicamos uma das cartas enviadas por quatro companheiros que nos sugerem fazer uma campanha forte por Myriam presidenta e por um governo de trabalhadores. Em uma segunda carta os companheiros não concordaram com nossa resposta e depois fizemos uma reunião entre eles e uma delegação da direção do PTS, onde ficamos de seguir a discussão. Gostaria de continuar dialogando, tanto com eles como com a esquerda do FIT-U.

Para entender nosso ponto de vista, é preciso voltar atrás. Em 1988, nós nos separamos do velho MAS. Esse partido fez a Izquierda Unida, uma aliança com o Partido Comunista argentino, nada menos que às vésperas da queda do Muro de Berlim. O MAS já havia feito uma aliança com o PC na Frente del Pueblo (FrePu) em 1985 e a havia rompido em 1987 porque o PC assinou o “Ato de Compromisso Democrático”. Nos dois primeiros anos do governo de Menem, a esquerda cresceu em meio ao caos gerado pela hiperinflação. Em 1990, diante da proposta do jornalista Bernardo Neustadt de fazer uma “praça do Sim” – sim a Menem e ao plano neoliberal –, a Izquierda Unida resolveu convocar uma “praça do Não”, o que um companheiro qualificou graciosamente como o programa mais curto da história do movimento operário mundial. Em 1989, a fórmula Néstor Vicente - Luis Zamora obteve 2,44%, um percentual alto, na época eram pouco mais de 400.000 votos, e nas categorias de deputados teve 3,40%, cerca de 580.000 votos em nível nacional e quase 5% na província de Buenos Aires. Luis Zamora foi eleito deputado nacional e também obteve uma legisladora, Silvia Díaz, na província de Buenos Aires, e em Rosário Luis Cuello foi eleito vereador.

Depois desses dois primeiros anos, Menem avançou com o plano de convertibilidade, que levou a grandes batalhas de classe para privatizar todas as empresas públicas, demitindo mais de 500.000 trabalhadores do funcionalismo público. Como dizia antes, nós já não fazíamos parte desse partido. Em 1990 fizeram um grande congresso em Obras Sanitárias onde participaram cerca de 200 trabalhadores do setor de telefonia que, diante da pergunta de quem iria lutar contra os ataques, respondiam em uníssono: “nós”. Em 1991, a direção dos telefonistas, que era peronista, entregou sem luta o setor inteiro a capitais estrangeiros. Os telefônicos fizeram um congresso em um estádio, ao qual assistiram mais de 5000 companheiros, onde a fração do MAS não conseguiu se opor nem falar de nenhuma maneira por manobras burocráticas, de modo que os que se opunham ficaram isolados e dispersos. Embora nós já estivéssemos fora do MAS nesse momento, sabemos que isso foi muito discutido internamente no partido. No entanto, é estranho que hoje, diante de novas oportunidades, sejamos os únicos a nos perguntar qual a relação entre esses acontecimentos e o fracasso da luta frente à onda de privatizações, e a explosão do velho MAS, que perdeu primeiro os militantes, em seguida dividiu-se a direção e finalmente perdeu todos os votos que havia conquistado na eleição anterior. O PO também não foi alternativa.

Com tudo isso o que quero dizer é que o velho MAS como partido estava muito mais preparado para a intervenção em cenários eleitorais e para a agitação política do que para participar dos enfrentamentos duros da luta de classes como os que se abriram no início do menemismo, e isso foi decisivo para o destino desse partido. Essa é uma lição dos intentos recentes de construção de um partido revolucionário na Argentina que me parece inescapável para pensar como aproveitar as novas oportunidades que temos. Atenção, não estou dizendo que o MAS, sozinho ou em aliança com o PO, teria podido parar a onda de privatizações. Mas, por que a explosão? Por que não ficou um grupo de milhares de companheiros quando a onda retrocedeu? Sem analisar isso — que nós temos no DNA, porque levou a anos sombrios em nossa vida militante — é muito difícil se orientar na situação atual.

Depois dos anos 90, quando a esquerda retrocedeu, como você analisa a saída dessa etapa e o que aconteceu a partir de 2001?

Durante os anos 90 a esquerda classista ficou reduzida a pequenos grupos e, salvo uma pequena exceção do PO, em Salta, que manteve algum peso, desapareceu da vida política nacional. O balanço é desastroso porque muitos companheiros confiavam no MAS como partido. Nos processos que levaram à crise de 2001, a esquerda teve um repique. Luis Zamora voltou a aparecer como grande figura. Nesse momento já não pertencia a nenhum partido trotskista e defendia uma política assembleária. Naquele então, o espírito da época estava permeado por um autonomismo que havia ganhado peso nos anos 90 a partir do zapatismo no México. Lembro que muitas de suas intervenções no Parlamento eram ouvidas com enorme atenção por uma população que há pouco gritava “que se vayan todos”. Os companheiros fundaram Autodeterminação e Liberdade (AyL) que, com mais de 10% dos votos na Cidade de Buenos Aires (CABA), obteve 2 deputados federais, um deles o próprio Zamora. Depois, nas eleições de 2003 em CABA, AyL com Zamora como candidato a prefeito conseguiu 12,3% dos votos e obteve nada menos que 8 cadeiras na Legislatura portenha. Também a aliança entre o MST e o PC em Izquierda Unida teve uma boa votação em 2001 com a candidatura de Patricia Walsh, que foi outra voz com peso próprio no Parlamento.

No entanto, todos esses êxitos eleitorais se dissolveram rapidamente. Tanto no caso de AyL como de Izquierda Unida, que vai implodir em 2005, voltando outra vez à estaca zero. No caso do PC, “aliado” do velho MAS e depois do MST, alguns anos depois protagonizaria uma imersão profunda no peronismo kirchnerista e nunca mais voltou à superfície. O próprio MST se dividiria como partido, daí surgirá a Izquierda Socialista.

Como todos sabemos, depois da desvalorização e da pesificação assimétrica – que fez os trabalhadores pagarem a crise e de nenhuma maneira cumpriu a promessa de que “quem colocou dólares receberá dólares” –, com cerca de 25% de desemprego e o salário no chão, Duhalde, após testar outros candidatos direitistas como De la Sota ou Reutemann, escolheu Néstor Kirchner. Em uma eleição onde o peronismo ficou dividido em três, Kirchner saiu segundo com 22% atrás de Menem, que obteve 24%, mas ficou como presidente porque Menem se negou a ir para um segundo turno sabendo que perderia com certeza. O resto é história conhecida por muitos. Néstor baixou o quadro de Videla na Escola de Mecânica da Armada; pegou um ciclo exportador favorável muito forte de 2002 a 2008, onde o emprego se recuperou mas os salários subiam muito lentamente durante anos, aumentando o enorme lucro das grandes empresas, o que fez surgir por outro lado o sindicalismo de base.

Desde os grandes êxitos de Izquierda Unida com Luis Zamora em 1989, passando pela crise de 2001 e os novos êxitos eleitorais, a esquerda voltou a adquirir um caráter de pequenos grupos e só depois, muito lentamente, isso começou a se reverter. Desde os anos 90 surge o movimento piqueteiro como ator na cena nacional e já dentro do período kirchnerista cumpriram um papel muito importante conflitos como os da fábrica Kraft, dos terceirizados da ferrovia Roca onde a burocracia de Pedraza assassinou o jovem militante do PO, Mariano Ferreira; os conflitos nas fábricas Donnelley (hoje Madygraf), Lear, Pepsico e muitos outros, que, combinados com a formação da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT) em 2011, marcaram a reaparição da esquerda na vida política nacional de onde havia estado apagada.

Dos dois componentes principais na fundação da FIT, no caso do Partido Obrero, depois de 2001, havia teorizado a existência de um novo “sujeito piqueteiro” a partir do crescimento dos movimentos de desempregados com a disparada do desemprego daqueles anos e a massificação dos planos de assistência social sob o governo de Duhalde. A mobilização de dezenas de milhares de desempregados por conquistas como os planos sociais constituiu uma particularidade muito progressista da situação argentina. O PO participou amplamente como organizador dos planos de assistencialismo social, chegando a mobilizar dezenas de milhares de companheiros desempregados, ao mesmo tempo em que foi se dissolvendo no movimento. Tanto é assim que quando o movimento retrocedeu com o aumento do emprego, o PO não teve nenhuma política para estruturar em grandes empresas aqueles setores do movimento de desempregados que influenciava.

No nosso caso, depois de 2001, nos lançamos a impulsionar o movimento de fábricas recuperadas, cumprindo nossos companheiros um papel muito destacado na experiência de Zanon e nos ceramistas, que foi um marco de todo o processo. Na têxtil Brukman em CABA travamos uma grande luta, mas fomos derrotados. Também tivemos um papel importante no Astillero Río Santiago e começamos, por esses anos, um lento processo de estruturação fabril e nos serviços estratégicos, que mais adiante nos permitiria desempenhar um papel importante nos grandes combates de fábrica que mencionava antes. A partir de 2014, combinado também com o desenvolvimento de La Izquierda Diario, que teve um papel importante, junto com outras iniciativas em diferentes terrenos, como comentava na entrevista anterior.

Ou seja, há uma experiência significativa nas últimas décadas em que a esquerda teve oportunidades e votos, mas isso não evitou, tanto pela situação objetiva como por erros próprios, longos e tortuosos períodos como pequenos grupos. Por isso, mais do que nunca, temos que estudar as lições desses processos para construir algo sólido que avance – ou retroceda se houver derrotas – junto com nossa classe, sem explodir ou se dissolver, mas ficando preparados para aproveitar cada nova oportunidade que se apresente. Em síntese, aproveitar a influência, sem dúvida; ficar apenas no eleitoral, não. A história já demonstrou em duas oportunidades nas últimas décadas que isso leva, mais cedo ou mais tarde, à estaca zero.

Partindo do fenômeno político atual e das discussões que há em torno dele, que relação você vê entre a intervenção eleitoral e o que é preciso construir?

Para mim, o dilema de fundo é claro: ou os trabalhadores e as trabalhadoras – e quando digo isso, digo em sentido amplo – se libertam da direção burguesa do peronismo e constituem um partido de classe, ou o destino de nosso país, sob Milei – ou com um mileísmo sem Milei – vai ser muito mais parecido ao Peru do que foi historicamente a Argentina, onde possíveis crescimentos do PIB e altas exportações convivem com o desfinanciamento das universidades – que vêm caindo vertiginosamente nos rankings internacionais nestes dois anos – e aposentados que morrem nas emergências ao se liquidar o plano Remediar e ficarem sem insumos os hospitais públicos. Creio que é um mal-entendido pensar que vamos ser sectários com muitos companheiros que têm ilusões sobre sair dessa situação penosa pela via meramente político-eleitoral, sem luta, sem partido militante e com Myriam presidenta. Modestamente, à altura de nossas possibilidades, fizemos grandes campanhas eleitorais e pensamos em continuar fazendo. Mas, para construir o quê? Votos em uma eleição, seja a quantidade que for, para desaparecer nos anos seguintes?

Se por uma volta do destino se dá uma situação excepcional e Myriam ganha a eleição presidencial contra o boicote dos mercados, dos grandes meios etc., é claro que, como marxistas, tentaríamos construir um governo provisório com todas as organizações e setores de trabalhadores combativos e classistas, e convocaríamos uma assembleia constituinte com sufrágio universal e deputados revogáveis, para ver até onde o povo trabalhador nos apoia nos planos revolucionários que tentemos levar adiante. Agora, para que o que eventualmente se vote em uma hipotética constituinte assim não seja papel molhado, como tudo o que foi votado na constituinte do Chile há alguns anos, é indispensável começar desde já a lançar as bases, não apenas de um novo partido de classe muito forte, mas de coordenadoras com ativistas, agrupações, pequenos sindicatos de esquerda etc., que sejam capazes de arrancar da passividade os grandes sindicatos e que comecem a criar as bases de um duplo poder. Não vemos a menor contradição, ao contrário, entre fazer a campanha eleitoral mais ampla e inclusiva de que sejamos capazes de começar a construir um movimento por um partido, coordenadoras e frentes únicas, e discutir um programa de partido revolucionário.

É claro que ouvimos com muita atenção e respeito tudo o que nos dizem tanto os ativistas como a esquerda. Mas tanto Myriam como Ale Vilca, como Nico, como Chipi Castillo – para citar os companheiros mais públicos – pensamos assim. Estamos dispostos a ouvir contra-argumentos, mas em princípio essa é nossa visão. Obviamente é preciso distinguir dois níveis: a agitação política para as grandes massas, por um lado, e a discussão que deve ser feita pela vanguarda, os intelectuais e o “estado-maior” da esquerda nos periódicos de intercâmbio, por outro.

No marco que você está traçando, como situa a proposta dos comitês? Na entrevista anterior você colocava alguns elementos, que questões ressaltaria ou considera necessário destacar?

O movimento se faz andando. Os comitês têm que nos permitir organizar os companheiros e companheiras que apoiam Myriam e nossas propostas. Tenhamos em conta que as últimas pesquisas, não apenas de “imagem”, mas de intenção de voto, estão nos dando 14%, que seriam cerca de 4 milhões de pessoas. Estamos falando de um universo enorme, ao qual temos que tentar chegar o máximo possível e buscar organizar uma parte, alguns milhares, nos comitês. Estou falando de algo que já começamos a fazer nestes dias; nas primeiras reuniões de comitês que se realizaram estão participando 2 ou 3 vezes a quantidade de companheiros e companheiras que vinham participando nas reuniões mais amplas que fazíamos como PTS. Com uma grande agitação aspiramos a chegar mais amplamente com o convite e esperamos que sejam muitos mais os que se somem aos comitês. Com todos esses companheiros e companheiras queremos que nos ajudem a impulsionar com toda força coordenadoras, novas instituições de auto-organização, instâncias de frente único em todo o país com todos aqueles que queiram enfrentar Milei, ainda que não estejam de acordo com nossas propostas nem com Myriam, mas que queiram lutar seriamente, uma força que aponte a romper a passividade das grandes organizações de massas, sejam sindicatos, centros estudantis etc.

Temos que articular as forças que permitam mobilizar para enfrentar Milei e as grandes patronais já, não em 2027. E quero insistir nisso. Falta mais de um ano para a eleição, e o que temos que ver é o que podemos construir nesse tempo em cada um dos diferentes níveis que dizia antes. O respeito que Myriam tem, sua imagem, as pesquisas, tudo isso é um dado da relação de forças, mas não é um ponto de chegada. O que quero sublinhar é que uma corrente cuja principal referência tem a simpatia de cerca de 50% do país é um fator subjetivo novo, chave. É um fenômeno político à esquerda, ou de radicalização, cuja potencialidade na luta de classes ainda não conhecemos. Se nos equivocarmos em como aproveitá-lo, aprofundaremos a passividade. Se acertarmos, por mais limites que possa ter esse apoio, podemos fortalecer dia a dia a luta de classes para enfrentar Milei. É disso que se trata.

Nós já fizemos o ato de 1º de Maio no estádio de Ferro, que ficou lotado – 4 mil pessoas dentro e 2 mil fora acompanhando por telões –; depois fizemos o ato em Jujuy, com a participação de 1000 pessoas; e neste sábado foi o ato em Neuquén com 1500 pessoas. Agora bem, os comitês são um lugar para se organizar, não os propomos apenas para a discussão do programa, mas para mobilizar contra Milei, para impedir que Milei continue avançando. Na entrevista anterior comentava que pensamos em “três níveis” de atividade em forma algébrica: os bastiões e centros de gravidade; as instituições de coordenação e a luta por impor a frente única aos grandes sindicatos; e a proposta de um movimento por um partido da nova classe trabalhadora.

Como imagino isso mais concretamente? Para mim, os comitês, se conseguirmos que se reúnam e que sejam qualitativos, somando muitos companheiros e companheiras, deveriam, desde o primeiro dia, votar ações concretas. Os comitês teriam que ser, desde o início, um compromisso de todos os que os integram de participar de todas as ações que se discutam e se aprovem, ainda que seja uma única atividade central. Isso está ligado à discussão do caráter militante da organização que queremos impulsionar. Uma grande tarefa, que é o coração do segundo nível de que falávamos na entrevista anterior, é ir contra a fragmentação e impulsionar coordenadoras zonais que articulem permanentemente os setores em luta e passem por cima da burocracia.

Por exemplo, nesta semana vimos a extraordinária resposta semi-espontânea que houve diante do espantoso e brutal feminicídio de Agostina. Nós, com Pan y Rosas à frente, fomos parte impulsora em todo o país. Isso fez emergir nacionalmente uma companheira de grande tradição, Laura Vilches, que recebeu um reconhecimento enorme, não só em Córdoba mas em todo o país, por acusar de cínico o procurador Garzón. O feminicídio de Agostina não é um fato isolado: na Argentina há um feminicídio a cada 30 horas, e Córdoba, a cidade da Reforma Universitária, do Cordobazo, do Sitrac-Sitram, se transformou em um lugar direitizado e sombrio, manipulado por governos direitistas como os de Llaryora e Schiaretti, em conchavo com mileístas como Juez e De Loredo.

É preciso conseguir que Córdoba saia desse lugar tétrico onde a colocaram e volte a se colocar à frente das grandes causas nacionais. As companheiras de Pan y Rosas – Andrea D’Atri, Myriam e a própria Laura – me comentaram que vão propor uma resolução, para os comitês de 6 e 13 de junho, de impulsionar instâncias de coordenação abertas de todos os setores feministas que queiram lutar em todas as cidades do país. Trata-se de começar a tomar em suas mãos e criar instituições de autodefesa das mulheres desde já, e de transformar o encontro de Córdoba no começo do fim desse terrorismo contra as mulheres impulsionado pelo Estado, que quer que as mulheres voltem a estar confinadas em ofícios tradicionais de cuidados não pagos, abandonem as universidades e nem sequer tenham direito de decidir sobre seu próprio corpo.

Todo partido da classe trabalhadora que só tenha política para os homens, que não leve em conta as mulheres e as diversidades, fracassará irremediavelmente. Porque a classe operária é hoje mais diversa do que nunca, basta ver os exemplos de docentes e saúde. E é nesse sentido que falamos de nova classe trabalhadora: não só sociologicamente, mas porque a burocracia, em acordo com as patronais, ignora a opressão das companheiras e as transforma nos setores mais atacados. Hoje, qualquer um que queira impulsionar a luta de classes tem que ter em primeiro lugar a defesa incondicional das mulheres trabalhadoras como parte da classe, assim como também a causa progressista das mulheres de outras classes, que embora não sejam exploradas em seus trabalhos sofrem sob a opressão do sistema patriarcal, não apenas sob o capitalismo mas historicamente. Engels assinalava que houve uma derrota histórica do gênero feminino; por isso, ao mesmo tempo em que buscamos integrar ao nosso partido as mulheres trabalhadoras, que são exploradas e oprimidas, e as companheiras estudantes que se definem por uma alternativa de classe e socialista, também defendemos as mulheres em geral como oprimidas pela opressão patriarcal. O feminismo socialista é parte integral de um partido de uma nova classe trabalhadora.

Sob essa ótica, como se articulam essas propostas com o FIT-U, onde convivem diferentes estratégias?

A Frente de Esquerda dos Trabalhadores Unidade (FIT-U) foi e é uma conquista que permitiu sair da etapa da vida de pequenos grupos e colocar de pé um polo de independência de classe em um país onde a classe trabalhadora esteve historicamente hegemonizada pela burguesia através do peronismo. Isso não é pouca coisa. Mas aí também está o limite, porque depois da agitação eleitoral comum, cada partido faz a sua própria política em separado.

A prova mais clara está nas lutas concretas. Tomemos por exemplo o Hospital Garrahan. Ali o PO está na comissão interna do sindicato ATE (Associação dos Trabalhadores do Estado), nós também, e o MST está na Associação de Profissionais e Técnicos. Os comitês, como primeiro passo em uma situação assim, teriam que reunir a militância dos diferentes partidos e suas agrupações nesses locais, discutir e votar uma política unificada para levar a ambos os sindicatos frente às provocações permanentes de Manoel Adorni e do governo Milei. Se isso não acontecer, estamos falando de outro tipo de comitês, não como os que nós estamos propondo, ou seja, para a luta. Para dividir já temos a burocracia. A esquerda não pode ficar cada um agarrado às suas pequenas posições contribuindo para a fragmentação que, obviamente, depois termina sendo aproveitada pela burocracia – no caso do Garrahan, a UPCN –, pelas patronais e pelo governo. Coloco esse exemplo porque me parece especialmente relevante, mas penso assim para todos os lugares onde temos trabalho diversas correntes da FIT-U.

Outro elemento chave é a relação entre a luta política e a luta sindical. Se você não reúne a base das agrupações nos sindicatos, e onde tem peso de direção, a base dos próprios sindicatos, para discutir política, o que resta é o “tradeunionismo” (sindicalismo), que Lênin criticava no Que fazer?, o “lute e vote”, a separação entre a luta econômica e a luta política. Os comitês, justamente, são uma forma de redobrar essa luta política, de ir contra essa separação, e a proposta que fazemos de um movimento por um partido da nova classe trabalhadora também. Comitês para unificar lutas, comitês que impulsionem desde o primeiro dia coordenadoras e instituições de auto-organização para enfrentar Milei e as patronais, comitês que unam a luta sindical com a política e, em perspectiva, para formar um partido classista com um programa e uma estratégia revolucionária comum.

A questão é que as maiores diferenças que temos dentro da FIT-U são na prática política. Por exemplo, o MST e a IS em 24 de março subscreveram um documento comum com o peronismo, liquidando uma longa tradição da esquerda de propor uma política independente; ou no caso do PO temos importantes diferenças na intervenção no conflito da fábrica de pneus FATE [que está sendo fechada pela patronal, levando à demissão de todos os trabalhadores,NdT] que fazem com que nossas correntes estejam enfrentadas em muitos aspectos sobre como levar adiante a luta. A criação dos comitês tem que estar centrada na ação. Não podemos nos meter dois anos em uma discussão interna da esquerda, é preciso sair para fora. Nós fizemos isso contra a reforma trabalhista, impulsionando instâncias de coordenação no conurbano para agrupar comissões internas, delegados e ativistas, e conseguimos certo êxito na zona norte e zona sul da Grande Buenos Aires. É uma discussão urgente, não abstrata.

Tudo o que construirmos agora, no nível de comitês, ou no nível de coordenadoras, de auto-organização, tem que servir para ir além do simples voto. Como dizia antes, não vemos nenhuma contradição entre os comitês, a coordenação para pressionar as organizações de massas – incluindo, por exemplo, exigências ao FreSU para que convoque assembleias e medidas à altura dos ataques que denuncia – e, claro, também para fazer uma grande campanha eleitoral com os classistas porque não vamos entregar esse terreno a ninguém. Ao contrário, tudo isso, com diversos níveis de organização, aponta a construir um contrapoder contra a classe dominante. É a diferença entre propor-se a lutar apenas pelo governo e lutar pelo governo na perspectiva de poder, e por isso também propomos o movimento por um partido da nova classe trabalhadora.

Sob esse ângulo, como você avalia as diferentes respostas que teve o chamado aos comitês por parte do restante das organizações com as quais integramos o FIT-U?

Houve diferentes respostas. O PO e a Izquierda Socialista rejeitaram a proposta. No caso do PO, sua contraproposta é fazer uma assembleia do FIT-U. Para nós, isso seria marcar passo no mesmo lugar. A Izquierda Socialista, por sua vez, se opõe a que os comitês impulsionem um movimento por um partido da nova classe trabalhadora, o que implica comitês sem uma política comum além da intervenção eleitoral, comitês que não estejam voltados a impulsionar instâncias de auto-organização não nos servem para as lutas que temos que travar. Não estamos de acordo com nenhuma das duas políticas. Consideramos que o FIT-U cumpre um papel muito positivo, mas é insuficiente. Não podemos nos conformar com uma coalizão de quatro grupos relativamente pequenos, que muitas vezes não têm acordo na luta de classes e que uma vez a cada dois anos fazem agitação eleitoral.

Com o MST temos um debate específico. Eles dizem que querem avançar para um partido comum, mas o tipo de partido que propõem é um partido dividido em tendências políticas permanentes. E aqui convém olhar a experiência internacional. O caso do NPA (Novo Partido Anticapitalista) na França foi eloquente: sob o modelo dos “partidos amplos anticapitalistas”, a ideia de um partido dividido em tendências permanentes não contribui para o debate amplo e democrático, mas sim o evita. Cada tendência cristalizada sustenta o seu programa, mas isso não tem nenhuma implicação para o resto das tendências. Reduz-se ao mínimo a atividade comum – em geral, apenas campanhas eleitorais e congressos onde cada tendência coleta apoios para sua plataforma –, enquanto os referentes públicos, parlamentares ou sindicais definem com sua ação a política de toda a organização sem que esta possa ser discutida democraticamente. Mas o principal é que, diante dos momentos de decisão, a organização como um todo é incapaz de decidir. Isso não é contraditório com o parlamentarismo ou o sindicalismo nos marcos do regime, mas sim com a intervenção na luta de classes; e quanto mais aguda, mais ainda.

O NPA terminou explodindo diante da Nova Frente Popular de Mélenchon, com um setor majoritário abandonando o projeto de uma alternativa independente para ir atrás do Partido Socialista de mãos dadas com Mélenchon. Não podemos agir como se esse tipo de experiência não tivesse existido.

Nesse marco, qual seria a proposta concreta para o FIT-U enquanto não houver acordo nesses debates de fundo?

Tudo o que seja esperar pelo processo eleitoral, ou seguir marcando passo no mesmo lugar, termina sendo funcional à política do regime. O fenômeno político em torno de Myriam e da esquerda tem que ser um fator ativo, não uma expectativa passiva que se administra para as próximas eleições. Tem que se traduzir em que sejamos um fator ativo no impulso de instâncias de coordenação e auto-organização unificadas para desenvolver a luta de classes e na construção de uma ferramenta política da classe trabalhadora. Se não fazemos isso, os comitês perdem seu sentido.

As diferentes posições que comentava dos companheiros das diversas forças da FIT-U são, igualmente, primeiras respostas que cada um está reavaliando e têm direito a fazê-lo. É por isso que, para avançar, o que estamos propondo às forças da FIT-U é organizar um fórum nacional para seguir avançando, onde desenvolvamos amplamente esses debates sobre nossas diferenças programáticas, estratégicas e de prática política e vejamos se há alguma possibilidade de dar passos em comum além da coalizão eleitoral unitária que mantemos desde 2011. Um fórum que seja transmitido para todo o país e qualquer simpatizante da esquerda possa ver e tirar suas próprias conclusões. E, ao mesmo tempo, deveríamos avançar com tudo em colocar em prática já a criação de instituições de coordenação para levar adiante as lutas. Uma coisa não tem por que esperar a outra.

Indo aos debates sobre a proposta de um movimento por partido da nova classe trabalhadora, uma pergunta que surgiu é qual é a relação entre esse plano e o de partido de trabalhadores baseado nos sindicatos, como Trotsky colocava nos anos 30 nos EUA…

No ano passado nós propusemos uma política de partido de trabalhadores dirigida a indivíduos e organizações que estavam em crise diante das claudicações e da passividade do peronismo. Buscávamos explorar as vias de uma ruptura de classe com o peronismo, retomando justamente a tática que Trotsky usou frente aos sindicatos nos Estados Unidos no fim dos anos 30, para disputar a influência de Roosevelt e do Partido Democrata, e em menor medida do PC, sobre a classe operária norte-americana. Trotsky colocava que, se os sindicatos avançassem em construir um partido próprio, havia três possibilidades. Para ilustrar, poderíamos dizer que uma possibilidade é que surja um partido operário-burguês do qual os revolucionários não pudessem participar; como poderia ser, por exemplo, em uma versão bem burguesa, o PT de Lula hoje. Outra é que surja um partido operário centrista progressista, com uma direção oportunista mas onde se pudesse lutar dentro dele abertamente por um programa e uma estratégia revolucionárias; aqui poderia ser o exemplo do PT do Brasil em seus primeiros anos, quando surgiu muito ligado à radicalização dos operários do ABC. Por último, está a hipótese de que os revolucionários tivessem força suficiente e houvesse um processo de radicalização tal que lhes permitisse ganhar a direção e dar lugar a um grande partido operário revolucionário.

Aqui, em 2025, nós buscávamos dialogar em particular com os Aceiteros, o setor de Yofra, que vinha com um discurso mais “de classe” e combativo. No entanto, depois decidiram apoiar o peronismo em Santa Fé e depois formar o FreSu com a UOM, ATE etc., que não desempenhou nenhum papel decisivo frente à reforma trabalhista, uma luta chave onde estava em jogo nada menos que a tentativa de Milei de transformar em escrava a classe trabalhadora argentina. E politicamente buscam manter uma espécie de “neutralidade” sindical impossível que, na prática, aponta a ir atrás do candidato que o peronismo definir em 2027.

De qualquer forma, a possibilidade de que surja um partido baseado nos sindicatos é uma hipótese que não está descartada para o futuro, dependerá de se ocorrerem processos de radicalização nos sindicatos e demais organizações de massas. É uma discussão que não está totalmente encerrada; de fato, mantemos diálogos com diferentes setores, por exemplo, dos sindicatos docentes de Jujuy. É claro que os comitês que estamos propondo, caso surja um novo partido, teriam que propor uma política para todo setor que dê algum passo para se diferenciar da burocracia sindical pela esquerda, mas a partir de um programa e uma estratégia claramente classistas e revolucionárias, e impulsionando com tudo a frente única com todo aquele que queira lutar contra os ataques do governo.

Quer acrescentar algo mais para encerrar?

Primeiro uma ressalva, porque na entrevista me concentrei em alguns dos problemas centrais mas não tratei particularmente do movimento estudantil, que é um ator de primeira importância como vem mostrando com as marchas massivas que fez pela lei de financiamento universitário e contra Milei, e em torno do qual nossos companheiros da juventude estão desenvolvendo uma política no movimento estudantil diante desse desafio que temos em conjunto.

E, por último, destacar que, como dizia, no passado 6 de junho já tivemos um primeiro início muito auspicioso com os comitês em alguns lugares e agora temos um novo desafio no próximo 13 de junho, onde esperamos reunir muitos mais companheiros e companheiras para enfrentar juntos essas apaixonantes lutas que temos pela frente.