Capa: Nordeste entre China e Estados Unidos

Nordeste entre China e Estados Unidos

Por Renato Shakur | | Atualizado em 28.08.2026
Compartilhe este artigo

Para China e Estados Unidos, o Nordeste tornou-se fundamental, justamente porque reúne os elementos mais cobiçados da economia do século XXI: energia renovável, minerais críticos, uma farta mão de obra barata e localização comercial estratégica. Sob três terrenos a competição entre as duas potências tende a se aprofundar.

1. Introdução

Esse artigo é a continuidade de um debate aberto na elaboração anterior Nordeste, um campo magnético1. Para compreender a formação de hegemonias locais e regionais no Nordeste brasileiro é necessário um olhar cuidadoso para o cenário internacional, especialmente a disputa entre China e Estados Unidos e seus impactos na região. 

Como havíamos desenvolvido naquela análise, estamos diante de transformações estruturais no Nordeste que correspondem a formação de hegemonias locais e regionais: a primeira referente a governos estaduais que tem seu programa baseado em investimentos bilionários em infraestrutura para o estado, a segundo se refere ao mesmo tipo de programa, com algumas distinções, mas que são restritos a algumas capitais.

Não iremos retomar a reflexão sobre isso aqui, mas gostaria de apontar que esse investimento que garante uma base social atreladas a seus respectivos projetos políticos está a serviço de responder às necessidades das mudanças do mercado mundial, sobretudo em relação às trocas comerciais com a China.

Desde que Trump anunciou as primeiras tarifas sobre os produtos brasileiros no ano passado, a China anunciou a Comunidade China-Brasil não apenas para obter um efeito compensatório2 absorvendo a demanda de exportações que antes iriam para os Estados Unidos, mas sobretudo, para firmar uma resposta regional à Doutrina Monroe 2.0. Está em aberto quanto o novo tarifaço pode impactar na economia regional e isso ser novamente de aproximação comercial entre China e Brasil. Em Pernambuco, estima-se que as tarifas possam afetar até 70% das exportações para os Estados Unidos.

A China é o principal parceiro comercial do Nordeste, as exportações compreendem aproximadamente 26% do total3, os Estado Unidos vem logo atrás, correspondendo a 11% das exportações. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a região é segunda do país com maior número de projeto chineses, a Bahia lidera com 5,9% dos projetos nacionais, seguido por Ceará com 2,9% e Pernambuco 2,4%4. 

Iremos apontar possíveis caminhos que as duas potências podem seguir em sua corrida por minerais raros na região e as vantagens comparativas entre elas para poder levar até o final  seus projetos que em última análise estão a serviço de explorar recursos brasileiros. O governo Lula tem interesses de negociar com ambos os lados, aprofundando as relações econômicas históricas que seus governos tiveram com a China, mas ao mesmo tempo negociando e cedendo ao Trump onde achar necessário, expressão de uma dupla dependência assimétrica, resultado de anos de influência norte-americana na América Latina.

2. Neoindustrialização

Segundo a Tendência Consultoria, a projeção do PIB do Nordeste é que cresça nas próximas décadas, acima do PIB Nacional, puxado pelos investimentos em infraestrutura e industriais, liderando a expansão da economia brasileira. A estimativa é que a partir de 2028 o PIB cresça 3,9% ao ano. Decerto, nas estimativas burguesas sempre há uma tendência de aumentá-las, num cenário atravessado por crises econômicas, guerras e processos de luta, projeções distantes como essa guardam muito mais incertezas do que qualquer outra coisa.

De toda forma, há investimentos importantes na região como a empresa chinesa Tik Tok num data center de 200 bilhões de reais em Caucaia no Ceará (quase o PIB do estado em 2025). A empresa de capital israelense Noxis Energy vai investir 10 bilhões de reais numa refinaria no porto do Pecém (CE). A empresa dos Emirados Árabes vai investir 16 bilhões de reais em combustíveis e biocombustíveis na Bahia. A Petrobras também prevê investimentos bilionários na Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco e 60 bilhões em novas plataformas de petróleo em Sergipe. A BYD em Camaçari-BA tem o objetivo de expandir seu complexo industrial com fornecedores e sistemista saindo de 5.500 trabalhadores diretos para 22.000 trabalhadores5.

A Chamada Nordeste faz parte do programa Nova Indústria Brasil e irá investir 113 bilhões de reais em todos os estados, uma iniciativa do governo federal que conta com 189 projetos aprovados em áreas como transição energética, bioeconomia, hidrogênio verde, data centers e setor automotivo (incluindo máquinas agrícolas). 

Segundo Paulo Dantas (MDB), governador de Alagoas e presidente do Consórcio Nordeste, a iniciativa trata de desenvolver segmentos “que aproveitam vocações já existentes na região e que, historicamente, não haviam sido convertidas em cadeias produtivas de alto valor agregado”6. 

Projetos como esse vem motorizando uma série de discussões acerca da neoindustrialização ou reindustrialização na região que tem como ponto de partida a transição energética. No caso nordestino trata-se de buscar investimento privados, estatais e imperialistas para “desenvolver” as já mencionadas por Paulo Dantas, “vocações naturais” da região ligadas a produção de energia renovável (eólica e solar, principalmente), bem como aproveitar a infraestrutura de portos e de produção energética e derivados de petróleo.

Os investimentos previstos para os próximos anos indicam que o Nordeste atravessa o maior ciclo de expansão industrial em volume de recursos anunciados e diversidade de setores desde a retomada de uma política industrial nacional pelo governo federal, com a Nova Indústria Brasil. Trata-se provavelmente do mais amplo ciclo de investimentos produtivos na região em décadas, ainda que parte desses projetos permaneça em fase de implantação, apenas podemos compará-lo com ciclos anteriores como em 1959–1980 com a criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, incentivos fiscais e II Plano Nacional de Desenvolvimento; e em 2003–2014 com o PAC e investimentos na Petrobras, refinarias, estaleiros e na indústria automotiva.

De fato, estamos diante de um novo programa de investimento industrial que apenas está em seu início, tem como fundamento a reprimarização e a dependência tecnológica, apesar de certo nível de diversificação industrial, nem de longe o podemos identificar com um processo de reindustrialização ou neoindustrialização regional. Há, portanto, uma falsa ideia de que é possível o desenvolvimento de um Nordeste “verde” em base a uma reindustrialização que mantém intactas as oligarquias e frações burguesas que se alimentam do agronegócio e toda sorte de mecanismo políticos clientelistas e coronelismo para manter suas famílias no poder.

Por outro lado, a precarização e informalidade que primam no setor de serviços, principal setor econômico da região Nordeste na medida que se mantém inalterados, também mostram que por trás dessa “vocação”, há um interessante das oligarquias e frações de classe em seguir lucrando com escala 6x1 e todo tipo de benefício que a terceirização irrestrita e a reforma trabalhista pode conferir aos capitalista deste segmento.

Por trás dessa retórica de uma de possível reindustrialização em base a um “Nordeste verde” e suas “vocações naturais”, os impacto ambientais desse processo podem ser percebido a partir do desmatamento e desertificação de região onde já perdeu 8,6 milhões de hectares, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)7 e já perdeu 40% do seu bioma original8.

De uns tempos pra cá, investimentos industriais têm buscado se consolidar a partir das condições climáticas e naturais que a região tem a oferecer. Além de enxergar na estrutura de portos, rodovias e indústria já desenvolvida na região uma vantagem, a mão de obra mais barata em relação ao restante do país, fruto da divisão regional do trabalho, também surge como um atrativo a novos investimentos na região.

No caso da produção de hidrogênio verde a região possui alguns projetos, mas só em Pernambuco há uma indústria consolidada na produção hidrogênio verde, o Ceará tem um projeto piloto, assim como no Rio Grande do Norte com o projeto Porto-Indústria Verde. Por outro lado, no que diz respeito à produção de energia eólica, a Bahia é o grande líder nacional e o Rio Grande do Norte possui o segundo maior polo eólico do país em forte expansão. A região lidera a produção e investimento de energia solar do país o que tem desenvolvido a formação de uma cadeia produtiva na região que produz torres, pás e componentes eólicos (além de outros componentes).

Há um aumento importante da capacidade de armazenamento de dados no Ceará, Bahia e Pernambuco com a construção de data centers que precisam de bastante energia para funcionar, como a região dispõe de energia eólica e solar em abundância, a região tem recebido investimentos nesse setor.

Os data centers também necessitam de minerais críticos como cobre, níquel, grafita, quartzo de alta pureza, silício, entre outros, os quais podem ser extraídos no próprio Nordeste. O que evidentemente aumenta a exploração de minerais em alguns estados.

Talvez o grande motor da aposta de reindustrialização seja a capacidade produtiva e expansão de portos industriais integrados como Pecém e Suape que combina capacidade de produção e logística a nível regional, diminuindo o tempo entre produção e exportação, além de superar os gargalos operacionais.

É sobre esta base objetiva que as transformações econômicas se desenvolvem e por conta disso, em torno deste projeto regional se concentram as disputas entre China e Estados Unidos, com estratégias distintas.

3. Estratégias em disputa

A continuidade da guerra no Oriente Médio e a derrota no Irã em torno do monopólio do estreito de Ormuz, intensifica a política de ingerência dos Estados Unidos na América Latina, o sequestro de Nicolás Maduro e o aprofundamento do embargo a Cuba são expressão disso. A decadência da hegemonia norteamericana tem efeitos contraditórios, por mais que não consiga impor seus interesses políticos, econômicos e militares como foi na ordem unipolar, possui muito mais força sobre os países latinoamericano.

A recente derrota também mostrou que a debilidade norte-americana em sua estratégia de alcançar êxitos militares e políticos de forma rápida no Irã, atacando instalações e infraestrutura de energia no país. Os gastos com a guerra acendeu o alerta de que é preciso organizar uma cadeia de produção de minerais raros e críticos para atender às demandas de guerra (com baixo custo) e por isso a América Latina e a exploração de minerais se torna cada vez mais estratégica.

Enquanto isso, Trump conformou do Escudo das Américas com países alinhados a Trump e com sua retórica intervencionista através de um  discurso de combate ao “crime organizado” internacional e o governo norte americano ter classificado o PCC e CV como terrorista, caminham também no sentido de aprofundar relações com as aliados e pressionar governos que não necessariamente aderem ao seu projeto, mas mantém acordos como o caso de Lula no Brasil. Na medida em que essas facções se expandem pela região Norte e Nordeste a retórica intervencionista ganha proporções nacionais.

Em relação a como essas disputas podem se desenvolver no Nordeste, os Estados Unidos possuem vantagem relativa em comparação a China se levarmos em consideração a infraestrutura digital e militar. Desde 2019, há um acordo bilateral em relação ao uso da base militar de Alcântara no Maranhão para o lançamento de foguetes, não se trata de um acordo militar, mas a base possui uma localização estratégica pela proximidade da linha do equador, o que para possíveis ações militares na região é um fator importante.

A praia do Futuro em Fortaleza é responsável por mais de 90% do tráfego internacional de dados que entra e sai do Brasil, o 2º maior local que recebe cabos submarinos do mundo. Boa parte dessa infraestrutura é operada pelos Estados Unidos, essa dependência não é um detalhe quando a maioria dos sistemas econômicos e financeiros são operados através desses cabos.

Por outro lado, a corrida por minerais raros entre as potências ainda está em fase inicial, apesar de vários estados possuírem reservas desses minerais, os estudos de sua exploração não saíram do papel. Em 2025, a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) foi procurada por representantes do governo norteamericana e da Câmara Americana de Comércio.

Essas vantagens relativas, podem aprofundar a ingerência imperialista na região, na medida em que transforma qualitativamente ações como se desenvolvem na base militar de Alcântara, a classificação do CV e PCC como narcoterrorista e a estrutura dos cabos submarinos em vantagens militares. Dando continuidade a sua política agressiva de ingerência na América Latina e se preparando para futuros cenários onde táticas defensivas possam dar lugar a formas mais agressivas de como foi na Venezuela.

A China busca aprofundar regionalmente a dependência brasileira de seu capital, se utilizando do multilateralismo do governo Lula para que a cada movimento de aumento das taxas por Trump, por exemplo, consiga se localizar ainda melhor com aliado econômico de distintos governos estaduais, algo que vem se desenvolvendo com Jerônimo Rodrigues na Bahia.

Além de buscar recursos estratégicos do Nordeste, também procura integrar esses recursos às cadeias industriais nas quais já possui liderança tecnológica e produtiva, partindo dessa vantagem relativa no cenário internacional para poder competir com os Estados Unidos e outros países em setores como a produção de energia eólica e hidrogênio verde.

Como referimos anteriormente e iremos aprofundar logo em seguida, a China aumentou o comércio com o Brasil, o Nordeste em particular vem recebendo capitais chineses, especialmente em infraestrutura. Diversos estados nordestinos dispõe de uma estrutura industrial, marítima, hidroviária e ferroviária que a China necessita, algo que vem sendo desenvolvido há alguns anos como a expansão de portos, campos de energia eólica e solar, extensas áreas de cultivo do agronegócio, refinarias e mineração. 

De toda forma, essas vantagens ainda não conseguem se traduzir ainda em vantagens militares ou debilitar as posições estadunidenses, o que prima ainda são formas de disputa em meio a guerra comerciais onde a China tem conseguido aproveitar até agora os tarifaços de Trump a seu favor. No que corresponde a esse aspecto da disputa, Pequim possui vantagens importantes.

4. China e o Nordeste 

Desde 2018, a guerra comercial entre Estados Unidos e China trouxe efeitos contraditórios para o Nordeste brasileiro. A elevação da tarifa sobre a soja norte-americana por parte do governo de Pequim, como resposta à taxação norte-americana sobre o aço e alumínio no mesmo ano, elevou a demanda chinesa pela soja brasileira. As regiões do oeste da Bahia, sul e leste do Maranhão e sudoeste do Piauí e o Estado do Tocantins, aumentaram sua produção de soja para suprir essa necessidade, área de cultivo do agronegócio conhecida como Matopiba, uma das principais fronteiras de expansão da produção de soja no país dos últimos anos

De um tempo pra cá, sua extensão e produção vem aumentando. A safra de soja 2024/2025 representou 19% da produção nacional do grão onde a região produziu cerca de 32 milhões de toneladas. A extensão territorial do Matopiba chega a 73 milhões de hectares, maior que o Estado da Bahia. A projeção de crescimento da área plantada é de 11% ao ano nos próximos dez anos, segundo a pesquisa da empresa EEmovel Agro.  

Decerto, valeria um estudo mais aprofundado sobre os investimentos de capital chinês na região, mas podemos notar que alguns deles partem da necessidade estratégica de Pequim em conquistar novas rotas marítimas, longe de ameaças estadunidenses e explorar minérios.

Em 2024, o impulso bilateral de cooperação e investimento entre China e Brasil ganhou novo fôlego com a recriação Fundo Brasil-China de Cooperação Para Expansão da Capacidade Produtiva, que tem o objetivo de viabilizar projetos de grande porte no Brasil, como a Transnordestina e a Transoceânica (Ferrovia de Integração Oeste-Leste)9.

O Porto de Pecém em Fortaleza (CE) vem ganhando uma relevância estratégica. Com o objetivo de buscar rotas alternativas a essa, existe um acordo para estudos da Ferrovia Bioceânica que liga a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) na Bahia ao Porto de Chancay, no Peru. Desde o início de 2025 inaugurou uma rota marítima direta com a China, reduzindo pela metade o tempo de transporte de mercadorias em 30 dias e passa pelo Canal do Panamá. 

Há uma combinação de busca por caminhos marítimos mais “seguros” e investimentos em infraestrutura e logística. Em Salvador as obras da Ponte Salvador-Itaparica realizadas pela China Communications Construction Company (CCCC), se iniciam no meio deste ano. Com o mesmo objetivo de dinamizar a produção, há estudos iniciais da China Railway Construction Corporation (CRCC) para financiar trechos da Transnordestina na Bahia, Pernambuco, Piauí e Ceará.

Recentemente, a Chalco, empresa chinesa, junto a Rio Tinto, empresa australiana, comprou parte majoritária da Companhia Brasileira de Alumínio (com aval dos reguladores brasileiros), e vão controlar minas de alumínio no Maranhão, na Bahia e em Minas Gerais10. Em Alagoas, a Baiyin Nonferrous Group está em processo de aquisição da Mineração Vale Verde, que opera a mina de cobre Serrote, em Craíbas. 

5. Conflitos operários, indígenas e quilombola

A expansão desses capitais chineses, bem como todo o projeto de investimento em infraestrutura realizados por governos estaduais com capital público e privado vem gerando contradições importantes. O avanço sobre território quilombola e indígena, a precarização do trabalho nessas obras, entre outros elementos referente a questões estruturais do capitalismo no Nordeste aponta para um cenário de relativa instabilidade onde o movimento operário, quilombola e indígena pode emergir como uma força política capaz de colocar um limite ao avanço da exploração burguesa das potências na região, bem como das oligarquias e frações burguesas nordestinas.

Há efeitos contraditórios da expansão de capitais chineses no Nordeste do Brasil, especialmente quanto às denúncias de trabalho escravo na BYD e greves. Durante a construção da fábrica da BYD em Camaçari foram resgatados 224 chineses em trabalho análogo à escravidão. Houve paralisação dos trabalhadores da construção civil nas obras da FIOL por melhores condições de trabalho e recomposição salarial. Na própria BYD, os trabalhadores fizeram uma greve no final do ano passado contra a escala 6x1, entre outras demandas.

Por conta da expansão do Matopiba, os conflitos agrários vêm se agravando na região. As comunidades do Fundo e Fecho de Pasto no oeste baiano denunciaram que já perderam 97% de suas terras para grileiros, fazendeiros e para o agronegócio11. No cerrado piauiense, a grilagem ocorre contra as terras retomadas pelo povo Akroá-Gamella que se enfrentam com posseiros e oligarquias regionais. Ambos estados governados pelo PT.

Recentemente no engenho da Mercês em Cabo de Santo Agostinho (região metropolitana de Recife), famílias quilombolas realizaram manifestação contra a expulsão de suas terras, a degradação dos rios e manguezais, resultado da expansão do Porto de Suape. A manifestação foi duramente reprimida pela polícia militar de Raquel Lyra. 

A expansão e criação do Porto de Pecém tem gerado conflitos com agricultores e pescadores, especialmente o povo Anacé que enfrenta um histórico de expropriação, invasões violentas e forte pressão territorial através das autoridades estadual e locais de Caucaia e São Gonçalo do Amarante.

Esse cenário mostra que a política do governo Lula de dar bilhões ao agronegócio tem só intensificando a destruição ambiental e colocando em risco a vida e cultura das comunidades tradicionais, aprofundando o racismo e políticas reacionárias que são fonte de sustentação da política da extrema direita que também se nutre de todos os ataques econômicos mantidos pelo governo e que hoje quer destruir qualquer tentativa de pôr fim com a escala 6x1.

É preciso que a classe trabalhadora tome para si a demanda dos povos indígenas e quilombolas, como parte de sua luta contra os capitalista e oligarquias da região, levantando também a demanda do fim da escala 6x1, batalhando por uma greve geral que imponha seu fim imediato. Mas na prática, o que acontece é o contrário, por conta do papel que cumpre as burocracias sindicais subordinadas a frente ampla e dirigidas pelo PCdoB e PT em dividir as lutas indíegena e quilombola como parte da luta do movimento operário. Além disso, o PSOL vem cumprindo um papel de ala esquerda da frente ampla, votando ataques como o corte BPC e foi parte de desviar a luta contra a escala 6x1 das ruas para o Congresso que só vai voltar ao tema depois das eleições.

Conclusão

O Brasil cada vez mais é um terreno de conflagração aberta, onde o Nordeste é parte da corrida neoextrativismo das potências e passou a entrar na lista das mais variadas formas do entreguismo brasileiro que conjugam governos estaduais, municipais e o governo Lula. Nesse sentido, devemos rechaçar os objetivos neocoloniais dos Estados Unidos na América Latina e sua ofensiva política e ideológica contra a autonomia e o direito à autodeterminação dos países latinoamericanos. 

Enquanto o Brasil se postular internacionalmente como um país entreguista dependente dessas outras potências não irá sair dessa submissão pendular e a China vai seguir se aproveitando disso. O projeto de industrialização e de neoextrativismo totalmente vinculado às oligarquias e governos regionais apontam também ao aprofundamento das contradições do capitalismo nordestino.